Começo, meio, fim, começo

Vou contar uma estória. Vou fuçar na memória. Vou fazer auto-análise. Vou explicar meu sumiço. Vou revelar o que é a contagem progressiva que tem aparecido nas minhas fotos do Instagram. Vou prometer voltar. Se você tinha curiosidade, deleite-se. Se você não estava nem aí, volte daqui a uns dias que logo vêm posts com receitas. Desculpe pelas promessas não cumpridas e explicações alongadas. Eu também detesto isso. Mas acontece. Vamos lá.

Finda

Meu interesse por alimentação começou há cerca de dez anos. Eu era vegetariana, acho que apenas por acaso.

Nessa época eu era bailarina. Vivia de dançar. Fazia aula, dava aula, ensaiava, me apresentava. Por um conjunto de motivos, acabei com tendinite, bursite e fibriomiosite. Passei por vários médicos, fugi de todos os remédios que me indicavam e acabei num que trabalhava com medicina chinesa. Com suas econômicas frases, ele me deu as primeiras lições de alimentação. Cinco elementos, sabores, cores, o peixe e a inflamação, o valor da galinha caipira, a importância dos orgânicos. Daí pra Sonia Hirsch foi um pulo. Nessa época, a gente comprava conhecimento em livros, apenas. Devorei todos os dela. Comecei a entender muita coisa, mas era apenas o começo de um processo de muito entendimento e desetendimento.

Acreditei em muitas verdades que depois caíram por terra. Quando parei de comer carne, caí de boca na massa e no queijo. Era inevitável, especialmente para alguém que não sabia nem fazer arroz. Tive que aprender a cozinhar para poder variar meu cardápio. Comecei a me aventurar pelos legumes todos que eu descobria nos restaurantes vegetarianos. Aí descobri a soja. Aprendi a fazer e a deixar gostosa. Pesquisei, estudei, testei…comecei a criar receitas incríveis e me orgulhava de fazer carnívoros de carteirinha rasparem o prato. E então descobri que a soja não era tão legal assim. Que, pelo contrário, era uma porcaria. Que só devíamos consumir fermentada, em forma de shoyu ou missô. Fuén. Foi assim com o arroz integral também, que passou da admiração máxima à média desconfiança. E foi assim com tantas outras coisas.

Fui avançando, de maneira bem caótica e cheia de idas e vindas, como todo processo importante tende a ser. Alguns anos depois voltei a comer carne, mas orgulhosa de ter aprendido muito como vegetariana. Aprendi a tirar a carne do centro da refeição. Aprendi a variar meu cardápio como nunca na vida o fizera.

Quando comecei a ler blogs, reforcei o que já sabia, aprendi muitas coisas novas e pude trocar com gente parecida comigo (e diferente também, para complementar). De alimentação a pesquisa ampliou-se para produção de alimentos, agricultura orgânica, agroecologia, sociobiodiversidade, slow food… Tomei gosto pela cozinha e resolvi abrir este blog aqui pra guardar as receitas que ia criando. E cada vez mais eu tinha certeza de que alimentação e saúde estão intimamente relacionados.

Tudo seguia com relativa tranquilidade até que em 2011 meu namorado, André, teve uma perfuração intestinal e foi parar no hospital. Ele já era diagnosticado com Colite Ulcerativa Crônica e durante a internação o diagnóstico fechou em Doença de Crohn. Foram três cirurgias, muitos dias na UTI, 25 dias de alimentação parenteral, muito medo de que ele não resistisse.

Durante o processo ganhamos dois livros. O primeiro veio da anestesista, que na terceira cirurgia falou algo como: "Mano, assim não dá. Você tem que fazer alguma coisa ou não vai aguentar." E contou do livro "Lugar de médico é na cozinha". Lemos ainda durante a internação. Aprendemos bastante, nos encantamos pelos essênios (gente, os essênios!) e saímos de lá dispostos a fazer uma dieta crudívora. Logo na sequência, ganhamos do meu cunhado (também médico) o livro: "Anticâncer", com a ressalva de que não nos assustássemos com o título, que o conteúdo era interessante e as diretrizes propostas deviam ser seguidas por qualquer pessoa, não apenas pacientes com câncer. Mais uma vez nos esbaldamos com o conhecimento. O autor reforçava muitas coisas que eu já havia aprendido e ensinava outras tantas novas. Eu achava que tinha entendido o caminho para ser saudável. Eu me enchi desse sentimento. Seguimos.

Dois meses depois, do lado de cá da família, minha cunhada foi diagnosticada com câncer. Foi um choque. Ela tinha apenas 36 anos e era mãe dos meus sobrinhos de 2 e 4 anos. Passado o susto, veio a certeza: vamos virar esse jogo. Havia aprendido tudo sobre alimentação anticâncer, agora bastava colocar em prática. Mas não foi bem assim. Eu sabia de muita coisa que fazia mal ou que piorava a nossa saúde, mas não sabia exatamente o que se devia comer para resolver. Na minha cabeça, a dieta do anticâncer, do médico na cozinha, do Dr. Barcellos e todas as outras se complementavam. Mas, na prática, elas eram excludentes. Não era possível fazer tudo ao mesmo tempo. Era preciso escolher um caminho e eu não sabia qual. Come-se carne vermelha ou não? Como tirar farinha e leite se você não come carne? E a fome?

O jogo era difícil. Ela tinha um leiomiossarcoma de grau IV, já com metástase no pulmão. Era um tipo raro e extremamente agressivo. E não estava, definitivamente, em estágio inicial. Ainda que os médicos relutassem em dizer isso a ela, as chances eram pequenas.

A seu favor, ela só tinha muita vontade de lutar por sua vida. E tudo que eu podia fazer era dar uma ou outra sugestão, indicar os livros, os caminhos. Não podia determinar nada. Cada um tem suas preferências, seus entendimentos, suas vontades. E quem era eu para dizer a ela que não devia comer aquilo que tinha vontade? Nem eu sabia o que faria se estivesse na situação dela. Tentei ao máximo não passar desse limite, espero que tenha conseguido.

Nas nossas conversas durante as infinitas viagens para as infinitas sessões de quimioterapia, entre risadas e lágrimas conversávamos muito sobre alimentação. Trocávamos figurinhas e reforçávamos nossa crença de que esse era o caminho.

Um ano depois, ela morreu.

Não seria exagero nem melodrama dizer que parte de mim morreu com ela. Foi-se embora minha vontade cozinhar. A vontade de escrever sobre comida, então, escafedeu-se. Sem muito alarde, sem muito choque, eu só fui perceber tempos depois. Talvez, inconscientemente, eu tenha mandado tudo à merda. O que aprendi sobre comida, o que aprendi sobre saúde, tudo. Nada disso tinha sido útil, afinal. Não fazia o menor sentido ficar cagando regra na cabeça das pessoas. Eu continuava cozinhando, claro, mas era um cozinhar burocrático. Era só pra matar a fome. E fugia disso sempre que podia. Não retrocedi 10 anos nem voltei a me alimentar de salgadinho ou um pacote de biscoito (até porque o paladar havia mudado muito), mas o delivery de pizza passou a tocar o interfone com bastante mais frequência. O blog, como podem notar, foi praticamente abandonado, com uma ou outra tentativa frustrada de retomar, mais por vergonha das cobranças carinhosas que recebia do que por vontade de postar.

Até que, no feriado de 9 de julho, assistimos a um filme chamado The Perfect Human Diet. Estranhei quando meu namorado escolheu esse na iTunes e perguntou se eu topava ver. Meu interesse por alimentação, mesmo abafado por toda a descrença, me fez aceitar. Foi ótimo. O filme fala sobre a alimentação humana desde o período paleolítico até hoje. Sim, ele defende a tal Dieta Paleo. Mas defende com argumentos bastante sólidos. Eu já havia pesquisado sobre essa dieta há tempos, mas nunca me convenci o suficiente para fazer tal mudança. Um pouco de descrença, um pouco de implicância (esse nome sempre me fazia imaginar os Flinstones), um pouco de preguiça de mudar. Só que o filme mexeu com a gente e fui pesquisar mais. Caí num site chamado Breaking the Vicious Cycle (quebrando o ciclo vicioso). Chamou nossa atenção o fato de ser uma dieta voltada para quem tem doenças inflamatórias intestinais. O site fazia referência a um livro. Intrigados, lemos os comentários sobre ele na Amazon e só posso dizer: nossa!

Estamos fazendo a dieta há 40 dias (sim, eu também, explico os motivos num outro post) e André tem se sentido muito melhor. Não está curado ainda, volta e meia tem um dia ruim, mas a melhora é indiscutível. É um aprendizado contínuo e lento - por mais que existam diretrizes, cada um tem que descobrir o que seu corpo aceita. Mas é lindo observar alguém tendo novamente esperanças de cura e de uma vida tranquila longe de remédios.

Curiosamente, minha vontade de cozinhar voltou. E a vontade de escrever também. Já tenho uma coleção de receitas para publicar aqui e começarei isso nos próximos dias, junto com explicações mais detalhadas da dieta. E é engraçado como agora tudo que aprendi começou a fazer sentido. As peças do quebra-cabeças começaram, finalmente, a se encaixar.

Obrigada a todos que participaram dessas descobertas, especialmente ao André, companheiro de quase 11 anos e à Dani, cunhada-irmã, que faz uma falta danada.

É tempo de caqui

Caqui = ❤

Chega o outono, sinto tristeza. Sei que é preciso respeitar os ciclos, mas não consigo evitar. Acaba o horário de verão e vai batendo o desespero. Entra março e se instala a melancolia.

'Imagine se morasse no Canadá', dirão uns. 'Como pode alguém gostar de suar?', esbravejarão outros. Pois eu sou do calor. Sou do samba, suor e cerveja. Sou amante das havaianas e alcinhas. Sou feliz quando tem sol.

Você, pessoa do frio, que comemora o fim do verão, não precisa se esconder. Eu não tenho nada contra você. Sim, mesmo você que diz que agora as temperaturas serão civilizadas. Se brigar com você fizesse o termômetro me mostrar alguns graus a mais, eu até consideraria. Como não faz, dou um sorriso por saber que alguém é feliz assim. Que bom poder alternar.

Para mim, apenas duas novas do outono são boas: o fim das chuvas e a chegada dos caquis. Na casa onde cresci tinha um pé deles. Dois, aliás. Um do mole, outro do duro. E todo ano havia colheita e farta distribuição. Eles tinham gosto. Os de hoje nem sempre têm. Cheguei a pensar que não gostava deles, que era apenas uma boa memória de infância. Até que, uns anos atrás - na época em que este blog estava para começar -, descobri que havia gente que vendia os caquis de antigamente (o mapa da mina: a feira de orgânicos mais próxima da sua casa). 'Preciso contar isso para as pessoas!', pensei. Comecei o blog, mas nunca falei dos caquis.

É tempo deles. E é tempo de recomeçar a escrever por aqui.

Speranza

Minha matusquela,
minha bafona,
minha estrela matutina,
minha bichanca,
minha cantora preferida,
minha mais linda dançadora de maxixe,
minha melhor contadora de estórias,
meus zóios de gato,
meu ~mais maior de grande~ coração,
minha rainha das águas de colônia,
minha terceira avó,
minha Speranza,
minha tia Regina.
[partiu pra cantar modinha no céu]

Fazia já muito tempo que eu me preparava para ouvir a frase. Foram sete anos de um quase-luto, de lágrimas que escapavam dos olhos ao chegar na casa da vó e ver Tia Regina na cama, zóios de gato fechados, palavras desconexas e mãos estendidas para o céu.

Tanto tempo não deixou mais fácil ouvi-la. "A Tia Regina morreu" veio como um empurrão. Levei um susto. Refiz-me. Calei. Chorei. Lembrei que era dolorida demais sua vida como estava. Que o descanso era merecido. E sorri, ouvindo sua voz cantarolar dentro da minha cabeça. Ei, jardineira! Ei, meu amor! Não fiques triste que esse mundo é todo teu!

E eu, que há muito tempo não ia a um velório, não me lembrava mais de como era duro olhar para um caixão. Chorei ao ver Tia Regina lá, brancadenevemente deitada. Parecia que dormia. Olhei fixamente esperando um pequeno movimento. Mas não houve palavras desconexas nem estenderam-se as mãos para o céu. Tudo repousava. Na mão direita tinha uma roseira, que dá flor na primavera.

Foi embora cantar modinha no céu. Deixou saudade nos filhos que não teve mas ajudou a criar. Noventa e três anos de puro amor, sorriso e doação. Ficamos nós aqui tentando entender o que ela foi - se santa, se troça. Fica um tanto de Speranza impregnada nos nossos corações. Dolim dolê, dolim dolá, tocar viola pra ~nós dançá~. Pororom-pom-pom.




Escrevi este texto há exatamente um ano, quando Tia Regina morreu. Não consegui postá-lo na época, precisava de mais tempo. Mas depois, foram tantos os acontecimentos - e, infelizmente, tantos outros velórios - que acabei deixando passar. Aproveito o aniversário para tomar coragem e compartilhar com vocês mais um pouco dessa pessoa que fez tanta diferença na minha vida. Já falei dela aqui.

Olho maior que a barriga

Olho maior que a barriga

Ao longo da vida, a gente vai soltando uns filhos no mundo. Alguns saem de parto normal, outros de cesárea (e um ou outro a fórceps). Nem todos vêm da nossa barriga: há os que nascem da cabeça, há os que vêm das nossas mãos. Mas todo filho tem lugar especial no coração de uma mãe.

É com muito orgulho que venho mostrar pra vocês uma dessas crias. Um filho concebido e parido em grupo - nove blogueiros com o olho maior que a barriga. Sim, é um livro de receitas, e daquelas recheadas de estórias, do jeito que a gente gosta. Ele na verdade é um e-book e está disponível para download gratuito. Você pode baixá-lo clicando aqui ou na imagem acima.

Preciso dizer também que foi uma gravidez planejada. A ideia veio da talentosa e cheia de apetite Joana Pellerano e eu fiquei muito feliz por ter sido convidada a participar, por indicação da querida Maria Capai. A gestação foi longa, mas não por isso menos intensa. Tive ataques de medo e indecisão ao escolher a receita e produzir o texto. E outro surto de insegurança ao reler o livro pronto, tempos depois. "Por que não escolhi outra receita? Por que não tirei fotos melhores? Por que não escrevi um texto mais criativo? Por quê? Por quê?". Eu não sou mãe de filho-gente, mas imagino que deva ser frequente essa sensação de "podia ter feito melhor". Um dia aprendo a conviver com ela.

[Peixe-purê-farofa] legumes assados

O prato que escolhi compartilhar foi um peixe com farofa de baru, purê de inhame e legumes assados. Não é uma receita de família, mas são comidas que aparecem muito na minha mesa. O legal dela é que é uma base que pode ser utilizada em qualquer canto que você estiver, bastando substituir alguns ingredientes que sugeri pelos da sua região. O peixe que dá no seu rio (ou no seu mar, se você for um sortudo morador do litoral), a farinha boa que só se encontra aí, a castanha delícia que você guarda na despensa, e os legumes frescos da sua feira. Pronto.

[Peixe-purê-farofa] peixe com farofa de baru

Interessou? Pois então baixe logo o livro que além dessa você vai ver outras excelentes receitas, de bolinhos de tutu para a entrada até os biscotti para fechar a refeição. Confira o time de pais e seus respectivos filhos-blogs:

A edição é de Joana Pellerano e o projeto gráfico é de Ariel Tonglet.

[Peixe-purê-farofa] farinha de mandioca biju

Bolo de cenoura fofinho

Há tanto tempo eu te desejava

Talvez você já tenha lido meu post > Bolo de cenoura molhadinho. Eu adoro aquela receita porque o bolo fica exatamente como eu gosto: úmido e denso.

Mas eu sei que essa não é a preferência da maioria das pessoas. E sei também que aquela receita é um tanto temperamental. Ela pode não dar certo e eu não sei explicar muito bem porquê. Até poderia fazer testes para desvendar os possíveis erros, mas confesso que não ando com tempo e disposição suficientes. Então, se você gosta de bolo de cenoura bem fofinho, ou então se está à procura de uma receita infalível, aqui está a solução.

Bolo de cenoura fofinho

A responsável por esta preciosa receita é a querida Lena Gasparetto. Recomendo muito um passeio pelo seu blog. Não esqueça o babador, a coisa por ali é de fazer cair o queixo. Prepare-se.

A cobertura veio de outra querida, a xará Maria, dona de um blog a que também recomendo imensamente a visita (sempre acompanhada de babador!) e que também já se encantou com esta receita da Lena. Esta cobertura é aquela camadinha açucarada de chocolate, que quebra-quebra devagarzinho e derrete na boca, sabe? Pois.

O que será que será

Bolo de cenoura fofinho da Lena

  • ½ xícara {chá} de óleo - Eu não uso mais óleo de soja/milho/canola/girassol na minha cozinha. Usei azeite*** (leia observações abaixo) e na próxima vez testarei manteiga derretida.
  • 3 cenouras médias cortadas em rodelas - Cerca de 4 xícaras de rodelinhas
  • 4 ovos
  • 2 xícaras {chá} de açúcar - Usei 1 + ⅔ xícaras de açúcar cristal orgânico baunilhado
  • ½ colher {chá} de sal - Atenção, é meia colher de CHÁ, aquela bem pequena!
  • 1 colher {chá} de baunilha - Omiti porque usei açúcar baunilhado
  • 2 + ½ xícaras {chá} de farinha de trigo peneiradas com
  • 1 colher {sopa} de fermento em pó

Pré-aqueça o forno em 180°.

No liquidificador, bata a cenoura, ovos, óleo, açúcar, baunilha e sal, até ficar um creme homogêneo. Despeje numa tigela, acrescente aos poucos a farinha peneirada com o fermento, misturando bem com um fouet.

Despeje em assadeira retangular untada e enfarinhada.

Asse por +- 40 minutos, ou até enfiar um palito e sair limpo.

Espere esfriar para desenformar ou, se for gulosa(o) como eu, coloque a cobertura na assadeira mesmo e devore o bolo quente. ;-)

*** Obs: Já usei azeite para fazer bolos dezenas de vezes e sempre achei delicioso. Algumas pessoas que fizeram esta receita com azeite deixaram comentários dizendo que ele deixou gosto ruim. Eu sinceramente não sei se tem a ver com o tipo de azeite utilizado ou com o paladar de cada um. O único jeito de você descobrir vai ser experimentando :-) (teste fazendo meia receita). Se você gostar e quiser mais receitas, minha querida amiga Fer Guimarães Rosa faz bolos incríveis com azeite (e certamente veio de lá a minha inspiração).

Cobertura

Cobertura de chocolate açucarada da Maria

  • 1 xícara {chá} de açúcar - Usei ½ xícara de açúcar cristal orgânico
  • ½ xícara {chá} de chocolate em pó - Usei ⅔ de xícara
  • ¼ xícara {chá} de leite
  • ¼ colher {chá} de sal - Atenção, é um quarto de colher de CHÁ, aquela bem pequena!
  • 4 colheres {sopa} de manteiga

Misture tudo, leve ao fogo mexendo sem parar. Quando ferver pare de mexer e deixe fervendo por um minuto.

Caso queira a cobertura menos açucarada e mais fluida, diminua a quantidade de açúcar para ½ xícara e aumente a quantidade de chocolate para até 1 xícara.

Caso queira a cobertura mais macia, acrescente um pouco de creme de leite à mistura.

Brilha muito

Cookão para um Natal mundrungo

Páscoa 2011

Vim no meio da correria postar esta receita para atender aos pedidos dos amigos queridos que fizeram meu domingo mais feliz. Natal Mundrungo foi lindamente recebido na nova casa da Giu e do Rodrigo, que ficou cheia de crianças correndo, comidas gostosas, risadas de fazer doer a barriga e abraços de espremer saudade. Tenho muita sorte de fazer parte dessa família há 12 anos.

Como vêem, levei cookão. Esse biscoito gigante já ganhou a preferência dos formigas lá de casa e agora levou os corações mundrungos também. Como acabou em minutos e nem todo mundo conseguiu provar, segue a receita - criada pela arrasadora Paula do The Cookie Shop (além de dar receitas e dicas incríveis, ela também vende coisas lindas). Ele fica realmente delicioso e faz bonito como presente. Esse aí da foto acima foi dado pra amiga de infância no já distante mês de abril. Quem sabe você também não se anima para fazer no seu Natal?

Ingredientes

  • 240g de farinha de trigo - usei da branca, orgânica
  • ½ colher {chá} de bicarbonato
  • 1 colher {chá} de fermento em pó
  • ½ colher {chá} de sal
  • 225g de manteiga sem sal, temperatura ambiente
  • 140g de açúcar mascavo
  • 110g de açúcar branco - eu uso o cristal orgânico
  • 1 colher {chá} de baunilha
  • 1 ovo - eu uso caipiras de galinhas felizes ;-)
  • 250g de gotas de chocolate ou pedaços de chocolate picado
  • 200g de nozes ou castanhas picadas

Modo de fazer:

Preaqueça o forno a 200º. Forre uma forma de pizza com papel manteiga e reserve.

Numa tigela, peneire juntos a farinha, o bicarbonato, o fermento e o sal.

Bata na batedeira a manteiga,os açúcares e a baunilha, até ficar leve e fofo. Junte o ovo e bata até ficar cremoso. Junte a mistura de farinha aos poucos, e bata em velocidade baixa até incorporar toda a farinha. Junte o chocolate e as nozes (se usar) e misture.

Para o cookie de 20cm, despeje metade da massa no centro da forma e modele com as mãos formando uma bola. Achate um pouco para formar um disco de um ou dois dedos de espessura. A massa espalha bastante quando assa, então a assadeira deve ser grande. Se for fazer o cookie de 40cm, faça o mesmo, utilizando toda a massa.

Leve ao forno e asse por mais ou menos 25 minutos, ou até dourar as bordas (o meio vai estar seco, porém ainda molinho – não se preocupe porque depois de frio o cookie fica firme). Deixe esfriar um pouco na assadeira e passe para uma grade. Para decorar e colocar na embalagem, espere esfriar completamente.

Feliz Natal Mundrungo

Por um churrasco mais colorido

Equilíbrio. Eu tento. Eu gosto.

É fundamental para algumas coisas - andar, por exemplo. Mas vale para tudo. Até para montar o prato.

Para equilibrar a tristeza da notícia ruim que chegou, a família resolveu celebrar a vida num churrasco. [Porque deve-se respeitar a tristeza, sim, mas não muito. Não pode dar muita trela que ela domina tudo.] Mas churrasco? Aquele mundo de carne que a gente come, come, come e depois fica uma semana se sentindo meio lesado? Não parece uma boa opção, especialmente se tem gente precisando fortalecer o corpo pra batalha. Então que tal um churrasco mais leve, colorido, equilibrado?

Começou assim:

Petiscos pré-churrasco

Palitos de cenoura com molho de iogurte

É só cortar as cenouras (prefira as orgânicas, mais saborosas...) em palitos e fazer um molho com iogurte natural integral (veja aqui como fazer em casa), azeite, sal e ervas - adicione ingredientes que lhe agradarem, eu gosto muito com tahine e limão, talvez você goste com mel, mostarda... Pode também servir com homus ou coalhada seca.


Caipirinha de limão galego

Para beber

Tivemos suco de maracujá natural (minha mãe bate a polpa do maracujá no mixer, coa e congela em formas de gelo - depois é só colocar uma pedrinha no copo ou várias numa jarra e completar com água), suco de uva - orgânico, de garrafa -, cerveja e caipirinha de limão galego.


A parte vegetal

Na grelha

A parte vegetal

Salada de quinua: lave bem uma xícara de quinua, coloque para cozinhar em duas xícaras de água salgada até secar (vá provando os grãos, se estiverem cozidos antes da água secar, desligue e escorra). Misture coisas gostosas (escolhi tomatinhos orgânicos, castanhas e salsa) e tempere como preferir (usei vinagre de maçã, azeite, sal de ervas, pimenta). Deixe na geladeira até a hora de consumir.

Legumes grelhados: lave e escove bem os legumes escolhidos (aqui fomos de abobrinha, berinjela, brócolis e couve-flor). Corte os dois primeiros em fatias e separe os dois últimos em buquês de tamanho parecido. Regue com azeite e polvilhe sal (usei o meu sal de ervas, que é sal grosso processado com ervas, pimentas e raspas de limão e depois peneirado). Se puder, deixe marinando por algumas horas. Eu fiz furos num dos lados das abobrinhas e berinjelas para facilitar a absorção. Depois é só colocar na grelha e mandar pra churrasqueira até ficarem assados.

Para completar, muitas folhas verdes. A Sônia Hirsch diz que devemos comer 7 partes de folhas para cada parte de carne. Diz ela que esse é o equilíbrio. Talvez o equilíbrio seja diferente para cada um, mas que encher metade do prato com folhas faz a gente se sentir bem melhor, ah isso faz.


A parte bovina

A parte bovina

Escolhemos a tradicional picanha. Cortada em bifes grossos, passada no sal grosso e assada na grelha.


A parte suína

A parte suína

Para substituir a linguiça (cheia de conservantes, nitritos, nitratos, restos de soja e sabe-se lá mais o quê), meu pai sugeriu filet mignon suíno. Limpou a carne e temperou com vinho branco, sal grosso e sementes de erva-doce. Colocou para assar. Primeiro uma "queimada" mais perto do fogo (imagino que funcione como selar a carne na frigideira), regando com o molho do tempero. Depois, bem no alto, longe do fogo. Sempre regando com o molho. Ficou delicioso.


Salada de frutas

Sobremesas

Refeição toda equilibrada. Eu não poderia falhar agora. Estragar tudo com um doce bem açucarado e pesado estava fora de cogitação.

A solução: salada de frutas, granola caseira e gelatina de manga com água-de-coco. Para a primeira, corte frutas da época, de preferência orgânicas e produzidas aí na sua região. Fica mais bonita se você usar frutas de cores diferentes. Regue com suco de laranja ou tangerina.


Com granola

Granola caseira

Minha granola. Já dei a receita aqui, mas vou repetir porque já mudei algumas coisas. Flocos de milho, flocos de arroz (ambos de cultivo agroecológico). Uva-passa. Castanhas e nozes. Mel (e/ou melado de cana, dessa vez não tinha). Óleo (usei de coco, poderia ter sido azeite de oliva ou de castanhas - não use óleos refinados como soja, girassol, milho ou canola). Misture bem e asse em forno baixo mexendo sempre para não queimar.


Gelatina de manga e água-de-coco

Gelatina de manga e água-de-coco

Delícia de sobremesa. Vale para o dia-a-dia, vale para festas, vale para o lanche das crianças. Bati no liquidificador duas mangas com um pouquinho de água-de-coco (natural, direto da fruta - não vale de caixinha que faz mal e estraga o sabor). Coei para tirar os fiapos. Completei com água-de-coco até dar um litro. À parte, numa panelinha, dissolvi dois pacotinhos de gelatina em pó sem sabor em 10 colheres de sopa de água-de-coco. Deixei derreter em fogo baixo - não pode ferver! Juntei essa mistura ao suco de manga, coloquei num refratário e levei para gelar.


Só tive a ideia da água-de-coco porque queria alguma coisa para adoçar. A manga não estava muito madura - e quando está mais verde, fica menos doce. Se você tem paladar de formiguinha, faça com mangas bem maduras, daquelas que escorrem pelo braço quando se está descascando. Mas a água-de-coco, além de ter ajudado a adoçar, criou uma combinação interessante de sabores. Nas próximas vezes vou experimentar adicionar temperos como gengibre, cravo, anis-estrelado...

Você também pode usar agar-agar para fazer gelatina. É de algas, super fácil de fazer (nem precisa de geladeira para endurecer) e pode ser encontrada em casas de produtos naturais ou orientais. Leia mais sobre o assunto e pegue algumas receitas no blog da Carol Daemon. A Fer também tem receitas lindas com gelatina (a normal e a de algas) lá no Chucrute com Salsicha.

Quinua com legumes assados

Quinoa com legumes assados

Porque este ano está particularmente turbulento, mas já que não se pode fugir dos bombardeios, que a travessia tenha um pouco mais de sabor.

Lavei muito bem uma xícara de quinua, coloquei para cozinhar em 2 xícaras de água salgada. Lavei e cortei os legumes: abobrinha, tomate e alho-poró. Arrumei-os numa assadeira, reguei com azeite, polvilhei sal e coloquei no forno. Cozida a quinua e assados os legumes, juntei tudo num prato e comi.

Simples, fácil, sem chance para errar. Recomendo que use ingredientes orgânicos para cores e sabores mais acentuados.

Queijo Serrano

Queijo Serrano

Você está sem objetivo na vida? Está precisando de uma razão para se levantar da cama de manhã? Algo por que lutar insistentemente até conseguir? Pois vou lhe arranjar um: provar um pedaço de Queijo Serrano.

Vivi 30 anos sem conhecer essa maravilha. Tinha nem ouvido falar. Até que o Fernando, do Queijo Artesanal - o mesmo que vende o Queijo Canastra -, me mandou um tijolão de quase 2 kg. Disse ele que era uma dívida antiga, que em janeiro havia dito que ia para o Sul procurar o tal do queijo e prometido me trazer um.

Não sou de lembrar de dívidas, muito menos de cobrá-las. Mas não cogitei por um segundo recusar um presente desses.

O Serrano é um fora-da-lei como o primo Canastra. Ambos são feitos com leite cru - o que faz toda a diferença no sabor, mas é proibido. Aos poucos vejo essa situação mudando, mais gente comprando, mais gente vendendo. Tenho fé que chegaremos a uma solução. Se você quiser saber mais sobre o Queijo Serrano, clique aqui e leia na página do Slow Food Brasil.

Depois de ganhar, passei alguns dias admirando a belezura. Esse rótulo carimbado no próprio queijo é incrível. Além do charme e da cara de "antigamente", ele dispensa embalagens. O meu veio num saquinho de pano lindo do Cesta Orgânica. Retornável, claro.

Ah sim, o sabor. Como é que eu vou descrever? Errr...os mineiros ficariam muito bravos se eu dissesse que achei ainda mais gostoso que o Queijo Canastra?

Queijo Serrano

Queijo Serrano

Fica, vai ter canjica

Fica, vai ter canjica

Deixei 250 gramas de canjica de molho por uma noite. Escorri, lavei, fotografei. Cozinhei por 40 minutos na pressão com água. Esperei esfriar, abri. Juntei 800 ml de leite integral, 200 ml de leite de coco, um tanto de açúcar cristal orgânico (foi a olho, me desculpem), alguns cravos e uns paus de canela. Liguei o fogo e deixei engrossar. Coloquei num pote, polvilhei canela, comi.

[Não coloquei leite condensado de propósito. Queria testar se ele era mesmo necessário, como eu acreditei por anos a fio. Não é. Ah, a canjica era orgânica, da Ecobio.]

Fica, vai ter canjica