Olho maior que a barriga

Olho maior que a barriga

Ao longo da vida, a gente vai soltando uns filhos no mundo. Alguns saem de parto normal, outros de cesárea (e um ou outro a fórceps). Nem todos vêm da nossa barriga: há os que nascem da cabeça, há os que vêm das nossas mãos. Mas todo filho tem lugar especial no coração de uma mãe.

É com muito orgulho que venho mostrar pra vocês uma dessas crias. Um filho concebido e parido em grupo - nove blogueiros com o olho maior que a barriga. Sim, é um livro de receitas, e daquelas recheadas de estórias, do jeito que a gente gosta. Ele na verdade é um e-book e está disponível para download gratuito. Você pode baixá-lo clicando aqui ou na imagem acima.

Preciso dizer também que foi uma gravidez planejada. A ideia veio da talentosa e cheia de apetite Joana Pellerano e eu fiquei muito feliz por ter sido convidada a participar, por indicação da querida Maria Capai. A gestação foi longa, mas não por isso menos intensa. Tive ataques de medo e indecisão ao escolher a receita e produzir o texto. E outro surto de insegurança ao reler o livro pronto, tempos depois. "Por que não escolhi outra receita? Por que não tirei fotos melhores? Por que não escrevi um texto mais criativo? Por quê? Por quê?". Eu não sou mãe de filho-gente, mas imagino que deva ser frequente essa sensação de "podia ter feito melhor". Um dia aprendo a conviver com ela.

[Peixe-purê-farofa] legumes assados

O prato que escolhi compartilhar foi um peixe com farofa de baru, purê de inhame e legumes assados. Não é uma receita de família, mas são comidas que aparecem muito na minha mesa. O legal dela é que é uma base que pode ser utilizada em qualquer canto que você estiver, bastando substituir alguns ingredientes que sugeri pelos da sua região. O peixe que dá no seu rio (ou no seu mar, se você for um sortudo morador do litoral), a farinha boa que só se encontra aí, a castanha delícia que você guarda na despensa, e os legumes frescos da sua feira. Pronto.

[Peixe-purê-farofa] peixe com farofa de baru

Interessou? Pois então baixe logo o livro que além dessa você vai ver outras excelentes receitas, de bolinhos de tutu para a entrada até os biscotti para fechar a refeição. Confira o time de pais e seus respectivos filhos-blogs:

A edição é de Joana Pellerano e o projeto gráfico é de Ariel Tonglet.

[Peixe-purê-farofa] farinha de mandioca biju

Bolo de cenoura fofinho

Há tanto tempo eu te desejava

Talvez você já tenha lido meu post > Bolo de cenoura molhadinho. Eu adoro aquela receita porque o bolo fica exatamente como eu gosto: úmido e denso.

Mas eu sei que essa não é a preferência da maioria das pessoas. E sei também que aquela receita é um tanto temperamental. Ela pode não dar certo e eu não sei explicar muito bem porquê. Até poderia fazer testes para desvendar os possíveis erros, mas confesso que não ando com tempo e disposição suficientes. Então, se você gosta de bolo de cenoura bem fofinho, ou então se está à procura de uma receita infalível, aqui está a solução.

Bolo de cenoura fofinho

A responsável por esta preciosa receita é a querida Lena Gasparetto. Recomendo muito um passeio pelo seu blog. Não esqueça o babador, a coisa por ali é de fazer cair o queixo. Prepare-se.

A cobertura veio de outra querida, a xará Maria, dona de um blog a que também recomendo imensamente a visita (sempre acompanhada de babador!) e que também já se encantou com esta receita da Lena. Esta cobertura é aquela camadinha açucarada de chocolate, que quebra-quebra devagarzinho e derrete na boca, sabe? Pois.

O que será que será

Bolo de cenoura fofinho da Lena

  • ½ xícara {chá} de óleo - Eu não uso mais óleo de soja/milho/canola/girassol na minha cozinha. Usei azeite*** (leia observações abaixo) e na próxima vez testarei manteiga derretida.
  • 3 cenouras médias cortadas em rodelas - Cerca de 4 xícaras de rodelinhas
  • 4 ovos
  • 2 xícaras {chá} de açúcar - Usei 1 + ⅔ xícaras de açúcar cristal orgânico baunilhado
  • ½ colher {chá} de sal - Atenção, é meia colher de CHÁ, aquela bem pequena!
  • 1 colher {chá} de baunilha - Omiti porque usei açúcar baunilhado
  • 2 + ½ xícaras {chá} de farinha de trigo peneiradas com
  • 1 colher {sopa} de fermento em pó

Pré-aqueça o forno em 180°.

No liquidificador, bata a cenoura, ovos, óleo, açúcar, baunilha e sal, até ficar um creme homogêneo. Despeje numa tigela, acrescente aos poucos a farinha peneirada com o fermento, misturando bem com um fouet.

Despeje em assadeira retangular untada e enfarinhada.

Asse por +- 40 minutos, ou até enfiar um palito e sair limpo.

Espere esfriar para desenformar ou, se for gulosa(o) como eu, coloque a cobertura na assadeira mesmo e devore o bolo quente. ;-)

*** Obs: Já usei azeite para fazer bolos dezenas de vezes e sempre achei delicioso. Algumas pessoas que fizeram esta receita com azeite deixaram comentários dizendo que ele deixou gosto ruim. Eu sinceramente não sei se tem a ver com o tipo de azeite utilizado ou com o paladar de cada um. O único jeito de você descobrir vai ser experimentando :-) (teste fazendo meia receita). Se você gostar e quiser mais receitas, minha querida amiga Fer Guimarães Rosa faz bolos incríveis com azeite (e certamente veio de lá a minha inspiração).

Cobertura

Cobertura de chocolate açucarada da Maria

  • 1 xícara {chá} de açúcar - Usei ½ xícara de açúcar cristal orgânico
  • ½ xícara {chá} de chocolate em pó - Usei ⅔ de xícara
  • ¼ xícara {chá} de leite
  • ¼ colher {chá} de sal - Atenção, é um quarto de colher de CHÁ, aquela bem pequena!
  • 4 colheres {sopa} de manteiga

Misture tudo, leve ao fogo mexendo sem parar. Quando ferver pare de mexer e deixe fervendo por um minuto.

Caso queira a cobertura menos açucarada e mais fluida, diminua a quantidade de açúcar para ½ xícara e aumente a quantidade de chocolate para até 1 xícara.

Caso queira a cobertura mais macia, acrescente um pouco de creme de leite à mistura.

Brilha muito

Cookão para um Natal mundrungo

Páscoa 2011

Vim no meio da correria postar esta receita para atender aos pedidos dos amigos queridos que fizeram meu domingo mais feliz. Natal Mundrungo foi lindamente recebido na nova casa da Giu e do Rodrigo, que ficou cheia de crianças correndo, comidas gostosas, risadas de fazer doer a barriga e abraços de espremer saudade. Tenho muita sorte de fazer parte dessa família há 12 anos.

Como vêem, levei cookão. Esse biscoito gigante já ganhou a preferência dos formigas lá de casa e agora levou os corações mundrungos também. Como acabou em minutos e nem todo mundo conseguiu provar, segue a receita - criada pela arrasadora Paula do The Cookie Shop (além de dar receitas e dicas incríveis, ela também vende coisas lindas). Ele fica realmente delicioso e faz bonito como presente. Esse aí da foto acima foi dado pra amiga de infância no já distante mês de abril. Quem sabe você também não se anima para fazer no seu Natal?

Ingredientes

  • 240g de farinha de trigo - usei da branca, orgânica
  • ½ colher {chá} de bicarbonato
  • 1 colher {chá} de fermento em pó
  • ½ colher {chá} de sal
  • 225g de manteiga sem sal, temperatura ambiente
  • 140g de açúcar mascavo
  • 110g de açúcar branco - eu uso o cristal orgânico
  • 1 colher {chá} de baunilha
  • 1 ovo - eu uso caipiras de galinhas felizes ;-)
  • 250g de gotas de chocolate ou pedaços de chocolate picado
  • 200g de nozes ou castanhas picadas

Modo de fazer:

Preaqueça o forno a 200º. Forre uma forma de pizza com papel manteiga e reserve.

Numa tigela, peneire juntos a farinha, o bicarbonato, o fermento e o sal.

Bata na batedeira a manteiga,os açúcares e a baunilha, até ficar leve e fofo. Junte o ovo e bata até ficar cremoso. Junte a mistura de farinha aos poucos, e bata em velocidade baixa até incorporar toda a farinha. Junte o chocolate e as nozes (se usar) e misture.

Para o cookie de 20cm, despeje metade da massa no centro da forma e modele com as mãos formando uma bola. Achate um pouco para formar um disco de um ou dois dedos de espessura. A massa espalha bastante quando assa, então a assadeira deve ser grande. Se for fazer o cookie de 40cm, faça o mesmo, utilizando toda a massa.

Leve ao forno e asse por mais ou menos 25 minutos, ou até dourar as bordas (o meio vai estar seco, porém ainda molinho – não se preocupe porque depois de frio o cookie fica firme). Deixe esfriar um pouco na assadeira e passe para uma grade. Para decorar e colocar na embalagem, espere esfriar completamente.

Feliz Natal Mundrungo

Por um churrasco mais colorido

Equilíbrio. Eu tento. Eu gosto.

É fundamental para algumas coisas - andar, por exemplo. Mas vale para tudo. Até para montar o prato.

Para equilibrar a tristeza da notícia ruim que chegou, a família resolveu celebrar a vida num churrasco. [Porque deve-se respeitar a tristeza, sim, mas não muito. Não pode dar muita trela que ela domina tudo.] Mas churrasco? Aquele mundo de carne que a gente come, come, come e depois fica uma semana se sentindo meio lesado? Não parece uma boa opção, especialmente se tem gente precisando fortalecer o corpo pra batalha. Então que tal um churrasco mais leve, colorido, equilibrado?

Começou assim:

Petiscos pré-churrasco

Palitos de cenoura com molho de iogurte

É só cortar as cenouras (prefira as orgânicas, mais saborosas...) em palitos e fazer um molho com iogurte natural integral (veja aqui como fazer em casa), azeite, sal e ervas - adicione ingredientes que lhe agradarem, eu gosto muito com tahine e limão, talvez você goste com mel, mostarda... Pode também servir com homus ou coalhada seca.


Caipirinha de limão galego

Para beber

Tivemos suco de maracujá natural (minha mãe bate a polpa do maracujá no mixer, coa e congela em formas de gelo - depois é só colocar uma pedrinha no copo ou várias numa jarra e completar com água), suco de uva - orgânico, de garrafa -, cerveja e caipirinha de limão galego.


A parte vegetal

Na grelha

A parte vegetal

Salada de quinua: lave bem uma xícara de quinua, coloque para cozinhar em duas xícaras de água salgada até secar (vá provando os grãos, se estiverem cozidos antes da água secar, desligue e escorra). Misture coisas gostosas (escolhi tomatinhos orgânicos, castanhas e salsa) e tempere como preferir (usei vinagre de maçã, azeite, sal de ervas, pimenta). Deixe na geladeira até a hora de consumir.

Legumes grelhados: lave e escove bem os legumes escolhidos (aqui fomos de abobrinha, berinjela, brócolis e couve-flor). Corte os dois primeiros em fatias e separe os dois últimos em buquês de tamanho parecido. Regue com azeite e polvilhe sal (usei o meu sal de ervas, que é sal grosso processado com ervas, pimentas e raspas de limão e depois peneirado). Se puder, deixe marinando por algumas horas. Eu fiz furos num dos lados das abobrinhas e berinjelas para facilitar a absorção. Depois é só colocar na grelha e mandar pra churrasqueira até ficarem assados.

Para completar, muitas folhas verdes. A Sônia Hirsch diz que devemos comer 7 partes de folhas para cada parte de carne. Diz ela que esse é o equilíbrio. Talvez o equilíbrio seja diferente para cada um, mas que encher metade do prato com folhas faz a gente se sentir bem melhor, ah isso faz.


A parte bovina

A parte bovina

Escolhemos a tradicional picanha. Cortada em bifes grossos, passada no sal grosso e assada na grelha.


A parte suína

A parte suína

Para substituir a linguiça (cheia de conservantes, nitritos, nitratos, restos de soja e sabe-se lá mais o quê), meu pai sugeriu filet mignon suíno. Limpou a carne e temperou com vinho branco, sal grosso e sementes de erva-doce. Colocou para assar. Primeiro uma "queimada" mais perto do fogo (imagino que funcione como selar a carne na frigideira), regando com o molho do tempero. Depois, bem no alto, longe do fogo. Sempre regando com o molho. Ficou delicioso.


Salada de frutas

Sobremesas

Refeição toda equilibrada. Eu não poderia falhar agora. Estragar tudo com um doce bem açucarado e pesado estava fora de cogitação.

A solução: salada de frutas, granola caseira e gelatina de manga com água-de-coco. Para a primeira, corte frutas da época, de preferência orgânicas e produzidas aí na sua região. Fica mais bonita se você usar frutas de cores diferentes. Regue com suco de laranja ou tangerina.


Com granola

Granola caseira

Minha granola. Já dei a receita aqui, mas vou repetir porque já mudei algumas coisas. Flocos de milho, flocos de arroz (ambos de cultivo agroecológico). Uva-passa. Castanhas e nozes. Mel (e/ou melado de cana, dessa vez não tinha). Óleo (usei de coco, poderia ter sido azeite de oliva ou de castanhas - não use óleos refinados como soja, girassol, milho ou canola). Misture bem e asse em forno baixo mexendo sempre para não queimar.


Gelatina de manga e água-de-coco

Gelatina de manga e água-de-coco

Delícia de sobremesa. Vale para o dia-a-dia, vale para festas, vale para o lanche das crianças. Bati no liquidificador duas mangas com um pouquinho de água-de-coco (natural, direto da fruta - não vale de caixinha que faz mal e estraga o sabor). Coei para tirar os fiapos. Completei com água-de-coco até dar um litro. À parte, numa panelinha, dissolvi dois pacotinhos de gelatina em pó sem sabor em 10 colheres de sopa de água-de-coco. Deixei derreter em fogo baixo - não pode ferver! Juntei essa mistura ao suco de manga, coloquei num refratário e levei para gelar.


Só tive a ideia da água-de-coco porque queria alguma coisa para adoçar. A manga não estava muito madura - e quando está mais verde, fica menos doce. Se você tem paladar de formiguinha, faça com mangas bem maduras, daquelas que escorrem pelo braço quando se está descascando. Mas a água-de-coco, além de ter ajudado a adoçar, criou uma combinação interessante de sabores. Nas próximas vezes vou experimentar adicionar temperos como gengibre, cravo, anis-estrelado...

Você também pode usar agar-agar para fazer gelatina. É de algas, super fácil de fazer (nem precisa de geladeira para endurecer) e pode ser encontrada em casas de produtos naturais ou orientais. Leia mais sobre o assunto e pegue algumas receitas no blog da Carol Daemon. A Fer também tem receitas lindas com gelatina (a normal e a de algas) lá no Chucrute com Salsicha.

Quinua com legumes assados

Quinoa com legumes assados

Porque este ano está particularmente turbulento, mas já que não se pode fugir dos bombardeios, que a travessia tenha um pouco mais de sabor.

Lavei muito bem uma xícara de quinua, coloquei para cozinhar em 2 xícaras de água salgada. Lavei e cortei os legumes: abobrinha, tomate e alho-poró. Arrumei-os numa assadeira, reguei com azeite, polvilhei sal e coloquei no forno. Cozida a quinua e assados os legumes, juntei tudo num prato e comi.

Simples, fácil, sem chance para errar. Recomendo que use ingredientes orgânicos para cores e sabores mais acentuados.

Queijo Serrano

Queijo Serrano

Você está sem objetivo na vida? Está precisando de uma razão para se levantar da cama de manhã? Algo por que lutar insistentemente até conseguir? Pois vou lhe arranjar um: provar um pedaço de Queijo Serrano.

Vivi 30 anos sem conhecer essa maravilha. Tinha nem ouvido falar. Até que o Fernando, do Queijo Artesanal - o mesmo que vende o Queijo Canastra -, me mandou um tijolão de quase 2 kg. Disse ele que era uma dívida antiga, que em janeiro havia dito que ia para o Sul procurar o tal do queijo e prometido me trazer um.

Não sou de lembrar de dívidas, muito menos de cobrá-las. Mas não cogitei por um segundo recusar um presente desses.

O Serrano é um fora-da-lei como o primo Canastra. Ambos são feitos com leite cru - o que faz toda a diferença no sabor, mas é proibido. Aos poucos vejo essa situação mudando, mais gente comprando, mais gente vendendo. Tenho fé que chegaremos a uma solução. Se você quiser saber mais sobre o Queijo Serrano, clique aqui e leia na página do Slow Food Brasil.

Depois de ganhar, passei alguns dias admirando a belezura. Esse rótulo carimbado no próprio queijo é incrível. Além do charme e da cara de "antigamente", ele dispensa embalagens. O meu veio num saquinho de pano lindo do Cesta Orgânica. Retornável, claro.

Ah sim, o sabor. Como é que eu vou descrever? Errr...os mineiros ficariam muito bravos se eu dissesse que achei ainda mais gostoso que o Queijo Canastra?

Queijo Serrano

Queijo Serrano

Fica, vai ter canjica

Fica, vai ter canjica

Deixei 250 gramas de canjica de molho por uma noite. Escorri, lavei, fotografei. Cozinhei por 40 minutos na pressão com água. Esperei esfriar, abri. Juntei 800 ml de leite integral, 200 ml de leite de coco, um tanto de açúcar cristal orgânico (foi a olho, me desculpem), alguns cravos e uns paus de canela. Liguei o fogo e deixei engrossar. Coloquei num pote, polvilhei canela, comi.

[Não coloquei leite condensado de propósito. Queria testar se ele era mesmo necessário, como eu acreditei por anos a fio. Não é. Ah, a canjica era orgânica, da Ecobio.]

Fica, vai ter canjica

Frango, arroz, legumes - com outra cara

Meio peito de frango, uma xícara de arroz, meia abobrinha, três tomates.

"- O que é isso, Maria Rê, cardápio de dieta?"

Poderia mesmo ser um prato bem sem graça. Mas eu resolvi transformar esses ingredientes (que estavam perdidos pela geladeira) num almoço incrementado de sábado.

Arroz, frango e legumes - com outra cara

Aqueci minha panela de barro, derreti manteiga, fritei alho e juntei o frango em pedaços. Depois de dourados, adicionei sal e cúrcuma (açafrão-da-terra). Em seguida, juntei uma xícara de arroz branco e refoguei.

Na sequência, duas xícaras de água fervente - que bem poderia ser substituída por caldo de galinha ou legumes, mas eu não tinha. Deixei cozinhar. Quando o arroz estava quase cozido, juntei três tomates picados (eu só tinha os de lata, pelados) e meia abobrinha (das grandes) em pedaços. Cozinhei mais um pouco, até que a água secasse mas os legumes se mantivessem crocantes.

O resultado é uma espécie de galinhada fake. Infinitamente mais simples que uma de verdade (convenhamos, galinhada só com peito de frango é para os fracos - eu deveria me envergonhar), mas ainda assim bastante digna para um almoço preguiçoso de sábado.

Arroz, frango e legumes - com outra cara

Arroz, frango e legumes - com outra cara

Arroz, frango e legumes - com outra cara

Elas, as ostras

Elas, as ostras

O dia 4 de novembro de 2010 ficará gravado na minha memória como a primeira vez em que comi uma ostra.

Não tive escolha. Caso contrário, talvez tivesse recusado. Nada contra os moluscos, mas também nada tão a favor que me fizesse ter vontade de comê-los. No entanto, sem escolha, comi. Meio desajeitadamente, me lambuzando com a água salgada e o limão, com medo de derrubar tudo. Foi tão rápido e tão no susto que não sei dizer se gostei ou não.

Elas, as ostras

Fazendo aqui uma reflexão, este deveria ser mais um post da categoria "Fatos e fotos de 2010". Mas prefiro encaixá-lo no grupo dos "Fornecedores fantásticos que você deveria conhecer". Conheci a Cooperostra na Bio Fach, em novembro. Foi Fabé, namorado da minha amiga de infância Bel, que me apresentou ao Hélio - figuraça da foto lá de baixo e um dos melhores vendedores que conheci na vida. Atento a todos os que passavam, preciso nas informações e bem humorado até as tampas, não havia como passar despercebido. Ele dominou a Praça da Sociobiodiversidade.

Foi ele quem me serviu a ostra, enquanto contava educada e ansiosamente sobre o modo de trabalho da cooperativa, a espécie cultivada (nativa, diferente das que foram introduzidas em Santa Catarina), como é feito o transporte de Cananéia até SP, como deve ser a conservação dos bichinhos até o consumo e, finalmente, que a caixa com 5 dúzias custava 50 reais. Hum. Eu não tinha ideia de quanto custava um ostra, mas aquele valor parecia bem razoável.

Não comprei uma caixa no dia porque sabia que minha família não estava no clima de se empanturrar de comida. Vó Luzia estava mal (viria a ser internada logo depois) e acabaríamos por desperdiçar os bichos. Mas contei pro meu pai e aguardei até que as coisas se acalmassem e a vontade dele se manifestasse.

Isso aconteceu às vésperas do Ano Novo. Fiz o pedido num dia e na manhã seguinte um entregador simpático apareceu com as caixas - uma para minha família e uma para o amigo e sócio do meu pai, outro adorador dos molusquinhos. Segui a recomendação e coloquei-as sobre o piso frio até o dia seguinte, quando rumei para Itu acompanhada de 120 ostras vivas.

Vivas elas permanecem por cerca de 5 dias. Não devemos colocá-las na geladeira nem sobre gelo, porque a baixa temperatura pode matá-las. Também não se recomenda colocá-las na água - nem doce, nem salgada. As minhas amigas fizeram uma ótima viagem, chegaram todas vivas em Itu e assim permaneceram por 3 dias, quando a última leva foi devorada.

Cooperostra
cooperostra@ig.com.br
Telefone: (13) 3851-8339

Bio Fach 2010

Bio Fach 2010

Bio Fach 2010

Bio Fach 2010

Frango assado no iogurte

Coxinhas da asa assadas no iogurte e açafrão

Estou demorando mais do que gostaria para me adaptar à nova rotina e encontrar o espaço de cozinhar-fotografar-postar no meu dia. Continuarei procurando.

Por sorte, tenho algumas fotos arquivadas de receitas ainda não postadas e que merecem seu espaço neste blog. Esta é uma delas - uma dica e tanto para fazer frango assado sem ressecar. Usei coxinhas da asa, mas você não precisa ser tão diminutivo(a). Pode usar as coxas grandes. Ou quem sabe as sobrecoxas. Ou pode arriscar logo o peito.

Eu coloquei as coxinhas num pote de vidro e fui misturando os temperos, a olho: limão, sal, açafrão-da-terra (ou cúrcuma), pimenta, louro e o grande truque - iogurte natural*.

Misture bem, cubra o recipiente e leve à geladeira por algumas horas. Acenda o forno, unte (ou forre) uma assadeira, disponha os pedaços de frango, regue com azeite, cubra com papel-alumínio e leve para assar por cerca de 20 ou 30 minutos. Retire o papel e deixe assar por mais 20 ou 30 minutos até dourar. O resultado é um frango corado, bastante úmido e muito saboroso.

* Observação: Eu uso o iogurte que preparo em casa com um litro de leite e uma colher de isca (na primeira vez, iogurte comprado; nas outras, o da leva anterior). Se você não tem esse costume (demorou, está gastando dinheiro e embalagem à toa), use um bom iogurte natural integral de mercado. Atente para os ingredientes na hora de escolher a marca - opte pelo que tiver menos deles, de preferência só leite e fermento lácteo. Se você quer começar a fazer em casa, é fácil: aqueça o leite até quase começar a ferver. Apague o fogo e deixe esfriar até que você consiga deixar o dedo mindinho dentro dele por 10 segundos. Nessa hora misture o leite a uma colher de isca num recipiente de vidro ou inox. Cubra, embrulhe num pano de prato ou toalha e coloque em local abrigado do frio - o forno desligado, por exemplo - por cerca de 8 horas. Está pronto seu iogurte. Mantenha refrigerado (e lembre-se de guardar uma colher para as próximas levas!). Escrevi mais sobre iogurte aqui.