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DEZ 09
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Noventa e três

Vó Luzia

Eu falei outro dia que tenho três avós. Coincidentemente, as três são sagitarianas. Então por favor me perdoe e tenha paciência para mais um post sentimental-familiar-choramingoso em tão pouco tempo.

Pois que minha avó paterna completou hoje noventa e três anos de vida. Uma pena ela estar de cama justo nesse dia - há 2 semanas teve um probleminha e está se recuperando -, simplesmente não combina com ela. Posso imaginar seu desespero por ter de ficar longe do fogão em dia de receber visitas.

Vó Luzia não é de se entregar fácil. Engana todo mundo dizendo que está ótima. Esconde a dor até não poder mais. Tanto que ela só está de cama agora porque vestia calças quando sabia que iríamos visitá-la, assim não víamos que suas pernas estavam com problemas. Ontem, quando eu perguntei se estava sentindo muita dor, deu sua resposta clássica: "Se eu disser que está doendo estou mentindo!".

Ela é uma avó típica. Cabelinho branco, bochechas rosadas e olhos azuis. Sempre te recebe com um sorriso gostoso e um abraço apertado. É daquelas que cozinha gostosuras, deixa os netos fazerem tudo e tem uma lata de doces pronta para o ataque.

As comidas da Vó Luzia são um capítulo à parte. Aliás, dois capítulos. Capítulo 1, as comidas de dia de semana: abobrinha frita; salada de legumes com ovo; macarrão com brócolis (toda terça); couve-flor empanada; carne de panela; picadinho de carne com batata - ela sempre colocava um ovinho pra mim, e as batatas nós duas sempre amassávamos no prato); além, é claro, do melhor arroz com feijão do mundo.

Capítulo 2, as estrelas do domingo. Antes de listá-las, é preciso dizer que Vó Luzia é daquelas que no almoço de domingo fazia o prato preferido de cada um. Era sempre um banquete: bolinhos de batata recheados com queijo; porpettas; berinjelas recheadas no forno; tortas macias cujos recheios variavam (palmito, frango, sardinha, camarão); frango assado (cada semana de um jeito diferente); murignanas na pastela (berinjelas em fatias passadas numa massinha delícia e fritas - e sempre a sobra da massa ela fritava feito panqueca e recheava com queijo, só pra mim). O "primeiro prato" era sempre uma massa - que podia ser desde um spaghetti simples até a grande unanimidade: os gnocchi. E sempre com molho de tomate, feito por ela toda semana com tomates fresquinhos.

E nesse livro ainda haveria espaço para os doces: bolo de laranja bem molhadinho; doce de leite em pedaços, doce de abóbora cremoso, pudim de batata-doce, mantecal...essas perdições que alegraram minha infância - e a dos outros 4 netos.

De Vó Luzia herdei o gosto por cozinhar. Meu arroz com feijão ainda não chega nem perto do dela - e duvido que um dia chegue - mas vou continuar tentando. Um dia quem sabe consiga fazer também gnocchi como os dela. Mas o que eu espero mesmo, de verdade, é chegar aos noventa e tantos com a lucidez e a pele dessa mulher.

Comentários

Luciana Betenson   15/12/2009 15:27

Maria Rê,
Adorei o post... que delícia de comidinhas de 'vó'... até lembrei do molho de tomate da minha avó, nunca comi nada igual :-) ^Tenho um avô de 98 anos, fofíssimo, lúcido e saudável. E uma avózinha de 102, esta já de cama... Mas ter avós é tudo de bom na vida da gente. Querida, aproveito para desejar um Feliz Natal e um ótimo 2010 pra você!

Maria Rê   15/12/2009 17:32

Nossa, Lu, 102! Que coisa incrível...

Avó é uma delícia, acho que eu quero ter filhos só pra poder ser avó... ;-)

Um ótimo Natal e 2010 bem recheado de coisas boas pra você.

Marcia Teixeira   16/12/2009 11:10

Adorei!!
Minha avó linda vez 91 em outubro e cozinha melhor e com mais disposição que todas as netas juntas. Adoro tudo que ela faz, tem muito mais sabor, fora os bordados e pinturas que são lindos.
Quando eu crescer (rsrsrs) quero ser igual a ela...difícil viu.
Boas lembranças e muitos sabores guardamos para sempre em nossa memória dos almoços, festas, Natais, férias com ela.
Um ótimo ano cheio de lembranças e sabores pra todos nós.

Maria Rê   17/12/2009 12:41

Que bom carregar essas lembranças todas, não é Marcia? Que bom viver - ou ter vivido - perto de pessoas tão especiais.

Só nos resta agradecer e nos esforçar para deixar lembranças boas assim para os nossos descendentes... ;-)

Obrigada pelo carinho e um ano bem saboroso pra você, com muito colo de vó!

beijos

Paula Labaki   06/07/2010 17:41

Ao ler seu post me emocionei muito pois lembre de minha mãe a "Lena Labaki" era exatamente isso cabelinhos brancos,rosto rosado e não parava quieta um segundo...que saudade!!!
Espero que a Vó Luiza se recupere logo e possa pilotar o seu fogão.
Um beijão

Maria Rê   06/07/2010 17:47

Obrigada, querida!
Estamos torcendo muito pela recuperação dela...e pela sua volta aos fogões! =)
beijão!

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