Calzone - torta estranha, recheio esquisito
Inesquecível. Enlouquecedor. Viciante. Estou há horas tentando encontrar o adjetivo perfeito pra esse prato, mas nenhum parece ser suficiente.
Você poderia pensar que é só comigo, por ser uma receita de família. Mas não é, eu garanto. Todos os agregados - namorados(as), cunhados(as), amigos(as) - que já passaram em casa no Natal ou na Sexta-Feira Santa se apaixonaram perdidamente.
Sim, na minha família essa torta só é feita nessas duas datas. Durante todo o resto do ano a gente passa vontade. Não seria exagero da minha parte dizer que o calzone é mais esperado do que os presentes e os ovos de chocolate.
Não posso negar que as crianças olham torto - tirando a Laurinha, minha sobrinha-avestruz. Eu mesma demorei uns bons anos pra experimentar. Quando pequena, atacava só a bordinha da massa. É de fato uma torta estranha. Posso imaginar a cara de vocês quando baterem o olho no ingrediente principal do recheio.
Hoje quem faz o calzone é minha mãe, que aprendeu com a sogra (a Vó Luzia), que por sua vez aprendeu também com a mãe do marido (a bisa Maria).
Ou seja, a receita veio de uma italiana de Bari, passou pelas mãos de uma campineira filha de um italiano de Roma com uma italiana de Verona Veneza, e hoje está nas mãos de uma italiana de Crema.
Sempre a nora aprende com a sogra. Mas eu não sou boba de seguir essa tradição e ficar aqui só olhando uma cunhada levar a receita adiante. Ainda não coloquei as mãos na massa, minha mãe não vai desapegar assim tão fácil da função. Um dia eu chego lá.
Massa
- 4 xícaras de farinha
- 1 gema
- 1 xícara de óleo
- 1 colher de banha - minha mãe troca por manteiga
- 1 copo de água morna com sal
Misture com as mãos farinha, gema, óleo e manteiga. Vá adicionando a água salgada até dar ponto.
Recheio
Muita cebolinha. Isso, cebolinha verde, aquela que você usa como tempero. E quando digo muita, é muita mesmo. Depende do tamanho do maço aí na sua feira, mas pra você ter uma ideia, minha mãe acabou de refogar 30 deles. É, 30. A melhor parte é ver a reação das pessoas em volta quando você sai do mercado com essa abundância verde. Mas para uma receita, uns 15 maços já são suficientes.
Chame toda a ajuda que puder para lavar e secar bem todas essas folhas. Então refogue em azeite. Tempere com sal, orégano e pimenta a gosto.
Montagem
Abra a massa em superfície enfarinhada e com ela vá cobrindo uma assadeira bem grande. Pode ir colocando aos pedaços - é assim que sempre vi minha avó fazer. Depois, espalhe a cebolinha refogada. Por cima, azeitonas pretas bem carnudas e filés de aliche. Regue com azeite e cubra com o restante da massa. Forno até dourar. E então, prepare-se para comer a torta mais deliciosa que já passou pelas suas papilas gustativas.
Importante:
- É uma massa fina. Não sei se você consegue ver pela foto da assadeira, mas é bem fina. A foto da torta pronta não está correspondendo muito à realidade, que é uma massa mais fina e o recheio mais abundante.
- As quantidades dos ingredientes da massa são aproximados. Receita de vó e bisavó, sabe como é, né?
- Ultimamente minha mãe tem feito uma alteração no recheio. Ela adiciona aliche à cebolinha logo após refogar e mistura bem. Normalmente, ela prepara o recheio um dia antes, então a cebolinha pega bem o gosto do aliche.







