Costelinhas assadas com polenta cremosa
Estou tentada a começar este texto com um belo clichê - a primeira costelinha a gente nunca esquece -, mas vou me controlar. Vou dizer só que passei ontem por uma experiência interessante.
Não é novidade para ninguém a minha falta de intimidade com as carnes. Também já contei e recontei a explicação disso: aprendi a cozinhar quando era vegetariana. Já faz bem uns 4 anos que voltei a comer carne, mas o aprendizado acontece lentamente. Não sou assim uma voraz consumidora de bichos. Não sinto nem de longe a necessidade de ter carne em todas as refeições. Um bife aqui, uma carne de panela acolá, o tempo foi passando sem que eu tivesse me arriscado a fazer costelinhas.
Comer já havia comido, mas certamente não mais que cinco vezes. Minha mãe já fez algumas receitas, mas não me lembro de ter assistido a nenhuma.
Sabe-se lá então o motivo de eu ter sentido vontade de comprar costelinhas no açougue duas semanas atrás. Costelinhas e ossobuco. Cheguei em casa com os dois pacotes, olhei bem, pensei e decidi congelar. Eu precisava de tempo para tomar coragem.
No último domingo, por acaso, vi DanielaAF comentando no Twitter sobre dois pratos: costela com canjiquinha e costelinha com folhas de mostarda e fubá. Babei. Meu estômago logo me avisou: era o impulso que faltava. No mesmo dia à noite, tratei de tirar do freezer o pacote das costelinhas. No dia seguinte, coloquei-as para marinar. E só no outro dia fui assá-las. Só que o outro dia era uma terça-feira, e além de todo o trabalho duante o dia eu tinha reunião na USP no fim da tarde e só voltaria pra casa depois das 22h. O que fazer? Desistir não era uma possibilidade. Então lá fui eu, numa terça-feira de trabalho, no meio da preparação para a reunião, assar costelinhas. Uma tortura, meus amigos. Uma tortura. Sabe lá o que é trabalhar com o cheiro de costelinhas assando? Não queira saber. Mas chegar em casa cansada tarde da noite e atacar essas delícias compensou qualquer coisa. Se você é de carne, não deixe de fazer.
Costelinhas assadas com mostarda e mel
Usei cerca de 600 gramas de costelinhas. Na próxima usarei pelo menos o dobro.
Para marinar:
- suco de 1 limão - usei do tahiti
- azeite
- vinagre branco - usei cerca de 3 colheres {sopa}
- sal
- alho espremido
- as melhores ervas que você tiver à sua disposição -faça uma combinação interessante. eu usei tomilho e manjericão frescos e orégano seco. sálvia deve ficar um espetáculo.
Para assar:
- caldo de legumes - usei cerca de 10 colheres {sopa}
- mostarda - usei à l'ancienne, aquela com sementinhas, mas só porque era a que tinha aberta na geladeira. uma boa mostarda dijon deve funcionar perfeitamente
- mel - usei só uma colher {sopa}, porque meu paladar ainda está em treinamento para assimilar doces e salgados no mesmo prato. você, ser evoluído, use mais.
- azeite - do bom, à vontade
- uma boa dose de paciência - e algo para enganar a fome, porque passar horas sentindo o perfume que sai do forno sem comer nada é muito difícil
Modo de fazer:
Pois bem. Pegue as costelinhas e inicie os procedimentos de acordo com as suas convicções culinárias - quem é de lavar que lave; quem é de não lavar, que não lave.
Coloque-as numa travessa funda, despeje o suco de limão e espalhe o sal, o alho espremido e as ervas. Regue com o vinagre branco e o azeite, misture bem e deixe tampado na geladeira por várias horas. Eu esperei umas 18 e não me arrependi.
Passadas todas essas horas, tire a travessa da geladeira e forre uma assadeira com papel alumínio. Ajeite as costelinhas e regue com azeite. Coloque no forno baixo, o mais baixo que você puder. O ideal é deixar a porta entreaberta, eu só não fiz isso porque tive medo de não ficar pronto até a hora de sair.
Eu assei em fogo baixo por cerca de três horas. Durante esse período, abri o forno três vezes, reguei com azeite e caldo de legumes. Depois de desligar o forno, reguei com o caldinho que se formou no fundo da assadeira e lambuzei as costelinhas com uma mistura de azeite, mostarda e mel. Deixei lá no forno quente, porém desligado, até voltar pra casa.
Quando voltei, liguei o forno só para aquecer. Enquanto isso fiz a polenta.
Polenta cremosa de tirar o fôlego
Ferva água e adicione sal a gosto. Aos poucos, vá despejando fubá e mexendo vigorosamente com um fouet. Abaixe o fogo e continue mexendo. Pés bem apoiados no chão, topo da cabeça apontando para o teto, confira se não está tensionando seus ombros além da conta e coragem! Não é tão ruim assim. Vá mexendo até a polenta engrossar. Quando isso acontecer, despeje umas boas colheradas de creme de leite fresco. Aprecie esse momento sublime do creme de leite borbulhando dentro da polenta e a deixando mais cremosa ainda.
Sim, as medidas. Dizem por aí que uma boa proporção é de 1 xícara de fubá para 5 de água. Mas eu sinceramente recomendo que você arrisque fazer a olho. Eu tinha medo e consegui. Um pouco de ousadia faz a gente melhorar sempre.
Referências:
O que mais se vê pela net são receitas das benditas costelinhas do Outback. Eu dei uma olhada nelas antes, mas aquela melequeira toda por cima não faz muito meu estilo. Por isso - e porque eu sou muito cara-de-pau - resolvi criar minha própria receita.
