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Sobre as mães - com atraso, porque uma data é só uma data

Dia das mães: panelinha

Quando era criança e me faziam a fatídica pergunta "O que você quer ser quando crescer?", eu respondia sem hesitação: "Quero ser três coisas: professora, professora de balé e mãe.

Hoje, aos 29, me dou conta de que três é pouco. Já fui tantas e serei mais uma porção de outras. Já fui inclusive professora de dança, mas ainda não quero ser mãe. Acho engraçado e bacana ter passado pela minha cabeça, com tão pouca idade, a ideia de que ser mãe é uma profissão, e muito respeitável. Não um emprego chato, cansativo e monótono, mas uma profissão, com seus desafios, prazeres e dilemas.

Não me faltaram referências boas à maternidade. A minha mãe é e sempre foi incrível. Tenho orgulho de ter herdado várias de suas qualidades e sinto profunda gratidão por tudo que com ela aprendi. Com minhas avós também aprendi bastante. Aliás, dos momentos mais felizes da minha infância com certeza fazem parte as visitas das minhas avós. Nas semanas em que elas ficavam em casa - geralmente as próximas de feriados e aniversários -, minha vida era mais agitada, divertida, e especialmente saborosa. Vó Luzia já chegava carregada de guloseimas: mantecal, doce de leite, pé de moleque. Vó Vitória trazia consigo seus passarinhos, as agulhas e o baralho. E Tia Regina, minha terceira avó, muita disposição pra cantar modinhas e inventar brincadeiras.

Nesses encontros das quatro mães, a rotina da casa mudava. Logo de manhã, a panela de feijão já chiava no fogo. O arroz, muito bem lavado, secava na pia. Aos poucos decidiam-se os acompanhamentos. Na sobremesa, banana fresca ou frita - dependendo do grau de maturação da penca. Uma soneca para elas, a escola para mim. No jantar, sopetela, sempre. Antes de dormir, chá de camomila ou erva-doce. E Vó Luzia já começava a planejar o cardápio do dia seguinte. Toda noite, religiosamente, a mesma pergunta - cuja resposta ela já sabia - direcionada à minha mãe: "Quantas xícaras?" Ela queria saber quanto de feijão colocar de molho.

Hoje tudo está diferente. Minhas avós agora moram na mesma cidade que meus pais, então as visitas são mais breves. Foi assim no último dia 9. E eu preparei alguns mimos pra levar às mães da família. Essas panelinhas lindas acima recheei com sal especial temperado com ervas e pimenta. As canecas abaixo enchi com granola (essa receita aqui, mas dessa vez usei óleo de nozes, amaranto e coco ralado em tiras grossas). Levei também muitos cookies com gotas de chocolate. Novamente fizeram o maior sucesso, apesar de eu ainda não estar contente com o resultado - o sabor fica ótimo, mas saem muito fininhos. Quando acertar a mão posto a receita aqui. Vó Luzia, que não é nada boba, já foi logo investigando: "Que massa é essa? Vai manteiga? Quantos ovos? Abre com o rolo?". Aposto que se ela não estivesse na cadeira de rodas já teria ido pra cozinha descobrir a receita na marra. Uma pena, mas confesso que estou achando uma delícia poder retribuir todo o carinho que essa mulherada me deu por tanto tempo preparando comidas de que elas gostem.

Dia das mães: granola

Comentários

Marcia Teixeira   17/05/2010 10:44

Oi Maria Re

Incrivel como as suas lembranças parecem com as minhas, apesar de eu ter uns aninhos a mais, até o fogão azul tem um na casa da minha mãe (ja falecida) e que cozinhamos todos os dias.
Tem muitas coisas que nunca faço no meu fogão, só no azul, e que meu marido também adora fazer nele, sei lá porque, por ser maior, o fogo mais forte, ou porque a cozinha tem mais espaço....
Com as Avós é a mesma coisa, apesar de que no meu caso foram só duas e uma ja se foi faz um tempinho, mas a que esta aqui ate hoje vale por DEZ, sempre dando pitaco nas comidas que meu marido inventa e ela adora.
Ah!! Semana passada fiz o bolo de maracujá (que acalma o coração - tava precisando), meu filho adorou.
Beijinhos

Maria Rê   17/05/2010 13:50

Nossa, Marcia, que legal! Parceira de histórias e de fogão azul! =)

O bolo de maracujá é uma delícia, né? Hum, faz tempo que não faço, preciso providenciar...rs.

beijos!

Luciana Betenson   17/05/2010 13:54

Re, que lindos os presentes! Vou copiar esta ideia das panelinhas, o máximo. Ter avó é tudo na vida... eu curti muito a minha. Lindo texto
:-)

Maria Rê   17/05/2010 18:32

Ô, Lu, obrigada! Você é muito querida mesmo... =)

beijos

Silvia   17/05/2010 18:39

Eu tenho uma receita aprovadíssima por família e amigos de biscoitos de aveia, que podem ser feitos com gotas de chocolate (eu uso chocolate amargo picado, daqueles com alto teor de cacau). Eles ficam gordinhos e fofinhos. :-)

2 xícaras de chá de aveia em flocos finos (ou farelo de aveia)
1 xícara de de chá de farinha integral
1 xícara (ou menos, a gosto) de chá de rapadura ralada
1 colher de chá de bicarbonato de sódio (pode ser fermento tb)
1 xícara de chá de chocolate amargo picado (pode variar com passas, nozes, castanhas... quando faço com passas, acrescento mais ou menos meia xícara de sementes de linhaça também)
100 gramas de manteiga
2 ovos (de preferência caipiras)

Junte e misture os ingredientes secos. Acrescente a manteiga e os ovos e trabalhe a massa. Faça bolinhas e amasse. Asse em forma untada e enfarinhada, em fogo baixo.

Maria Rê   17/05/2010 21:35

Silvia, adorei essa receita!
Por coincidência, comprei aveia orgânica em flocos finos outro dia (costumo ter só da outra, mais grossa). Vou testar essa semana!
A manteiga vai gelada mesmo?

Obrigada! beijo!

Leleca   18/05/2010 14:34

Eu acho engraçado como a culinária fica na memória afetiva da gente. Hoje, faço comidas que minha mãe e minha vó faziam. E cada vez dá uma saudade da vó que já não tá mais nesse mundo... vó é coisa boa demais!

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