Nhoque de abóbora
Bem poderia chamá-los de gnocchi. Mas acho nhoque um dos aportuguesamentos mais fofos que existem. Além do mais, estes aqui não são os tradicionais, de batata, os quais ainda não me arrisquei a fazer. Afinal de contas, quando os fizer, invariavelmente vou acabar comparando o resultado ao nhoque da Vó Luzia, e a chance de eu me dar mal nessa é muito grande.
Poderia ter feito de mandioca, inhame, mandioquinha, ricota... Mas resolvi começar com a abóbora porque era o que tinha em casa. Peguei inspirações aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. Fiquei bem apreensiva durante o preparo e cheguei a pensar que tudo estava perdido. Mas não é que deu certo?
Coloquei no forno uma abóbora japonesa média cortada em quatro. Assei até que ficasse bem macia. Retirei a polpa com uma colher. Passei pelo empremedor de batata, com o cuidado de desperezar o líquido que sai no começo do processo. A esse purê, adicionei dois ovos batidos, uma colher de manteiga e um tanto de sal. Aos poucos, fui adicionando farinha até dar ponto.
Pausa. Este é o momento mais importante do preparo. Até aqui, nada tem muito erro. Mas agora, seu nhoque está numa bifurcação e precisa decidir entre o caminho do sucesso e o do fracasso. Só que a decisão não depende dele. A responsa é sua, meu amigo. Tudo depende da quantidade de farinha que você colocar. Tem que se concentrar e sentir quando é o momento de parar. Vá colocando aos poucos, por favor. Muito cuidado para não exagerar e deixar seu nhoque pesado e com gosto de restaurante ruim.
Foi aqui que eu quase desisti e pedi uma pizza. Eu ia colocando farinha e a massa continuava molenga e grudenta. Nunca que eu iria conseguir enrolar cobrinhas e cortar pedacinhos. E fiquei com medo de colocar além da conta e deixar a massa farinhenta. Fui olhar de novo as receitas que me inspiraram e notei que várias orientavam a modelar os nhoques com ajuda de colheres e não no tradicional método enrola-e-corta. Pois segui as orientações e, depois de uma trabalheira danada, consegui uma resultado d-e-l-i-c-i-o-s-o.
Como o nhoque estava com sabor bem suave, fiz um molho mais forte. Derreti manteiga, refoguei cebola ralada, juntei farinha e deixei fritar. Adicionei leite e mexi muito bem mexido com um fouet. Temperei com sal, pimenta, noz-moscada. Quando engrossou, somei um bom tanto de queijo meia-cura ralado. Mexi até que o queijo estivesse derretido e a textura homogênea.
Foi aprovado com louvor pelos dois Andrés. O Leite, meu já conhecido personal nerd e testador oficial de receitas e o Benevides, novo sócio da Locomotiva (terei novidades em breve!) e o responsável pelas fotos desse post.

