Orgânicos e incensos I - olhos de consumidora
Decidi que neste ano iria à Bio Brazil Fair, a feira de produtos orgânicos que aconteceu no prédio da Bienal entre os dias 23 e 26 de julho. Numa sexta-feira chuvosa e fria, quando tudo que eu queria era entrar debaixo do edredom com 1 litro de chocolate quente, lá fui eu pro Parque do Ibirapuera.
Comecei meu passeio me sentindo um peixe fora d'água. Até aí, nenhuma novidade. Eu sempre preciso da minha meia hora, hora e meia para me ambientar. Fico andando, olhando, duas, três vezes. De início acho tudo estranho, mas passado esse tempo já estou sentada na cozinha tomando cafezinho.
Uma informação importante é que acontecem duas feiras ao mesmo tempo: a Bio Brazil Fair, que é de produtos orgânicos e agroecologia; e a Natural Tech, de alimentação saudável, produtos naturais e saúde. E existe uma diferença muito, mas muito grande entre elas. Pelo menos na minha humilde percepção.
Na de orgânicos havia dois tipos de stands. De um lado, os grandes e ricos, como o da Native: bonito, atraente, uma bela prateleira de produtos à venda e uma ação genial: distribuir algodão-doce feito com açúcar demerara orgânico - claro que eu tive que provar, e confesso que é delicioso. Do outro, os pequenininhos, feinhos, pero mucho honestos, com produtos interessantes, muitas vezes com os próprios produtores vendendo. Isso faz - pra mim - toda a diferença. Conversei com muito produtor, aprendi histórias, dicas, receitas, tudo direto da fonte.
Quando entrei na outra feira, senti cheiro de golpe. Na verdade senti cheiro de incenso, e pra mim incenso cheira a golpe. Eu sou suspeita porque não gosto muito dessas varetinhas perfumadas. Acho forte, enjoativo, todos parecidos. Ok, ok, eu sei que devem ter alguns bons, que os originais-de-não-sei-onde podem ser deliciosos, que eu talvez não conheça os incensos de raiz. Mas pra mim eles simbolizam todo um tipo de gente/loja que se aproveita do sucesso de "produtos naturais" pra vender bobagens. Generalizar não é legal, mas às vezes eu me permito. Incenso me lembra gnomos e bruxinhas, roupa indiana made in china, pozinho para crescer músculo. Sim, na minha cabeça é assim. E nesse lado da feira também era. Ou quase. Imagine você que havia stand da Fibraxx (lembra?), de produtos diet/light, de mandiopã, da Suprema Mestra Ching Hai (ai...) e, acredite, da revista Muscle in Form. Olha, não quero entrar no mérito de julgar e avaliar cada uma dessas empresas/produtores. Mas acho meio complicado juntar tudo isso, ainda mais sob o nome de alimentação saudável, produtos naturais e saúde. Claro que havia alguns stands bacanas aí no meio, mas o cheiro de golpe me causou uma repulsa enorme. Não consegui ficar muito tempo desse lado da feira.
Outra coisa que me chamou à atenção foi a herbalifização de muitos produtos. Sim, do nada, fui abordada por um homem perguntando se eu conhecia o suco de aloe vera e dizendo que eu poderia aumentar a minha renda revendendo o produto. E insistiu loucamente para eu ir até o stand falar com a gerente e gla gla gla gla... Tudo que eu queria nessa hora era um botão Report Spam.
Das quase 4 horas que passei lá, a maior parte foi gasta conversando com produtores e assistindo aulas de culinária. A melhor que vi foi a do Guga Rocha, chef alagoano muito bem-humorado e falador, que ensinou a fazer um curry de legumes servido sobre chima de mandioca, decorado com espetinho de tofu defumado e perfumado com óleo de coco temperado com ervas (ufa!). Delicioso. Logo mais eu vou reproduzir aqui em casa e depois passo a receita direitinho.
Sei que essa aula me convenceu de vez a comprar o óleo de coco. Eu já ouço a Pat falar faz tempo dos benefícios desse produto, mas nunca tinha provado. O cheiro que subiu quando Guga botou o óleo pra derreter no fogo foi tão incrível que saí de lá direto pro stand comprar dois vidros. A Pat vende também, e o dela é orgânico. Eu já usei aqui pra fazer um risotto e também pra massagear dia desses que a cólica tava pegando forte. Não sei se tem algum fundamento ou se eu que estava sugestionada, mas funcionou.
Minhas outras compras foram: açúcar demerara e o novo café extra-forte da Native (estavam mais baratos que por aí); chás orgânicos Tribal - mate com gengibre + limão e mate com hibiscus (deliciosos os dois); sucos de uva Coopeg (estavam um pouco mais caros do que encontro aqui perto, mas gostei tanto do papo com a produtora que resolvi levar para ajudar - e tive uma grata surpresa, pois eram feitos de outro tipo de uva, mais saboroso). Tive que desistir de muitas compras porque claro que esqueci de passar no caixa eletrônico, e claro que não tinha caixa por perto, e claro que alguns stands não aceitavam cheque. Humpf!
Se alguém aí espera uma conclusão, digo que gostei, que a feira vale a visita, e que pretendo sim voltar no ano que vem.
























