Deixa eu te ver, peixe — entrega de pescados frescos e sustentáveis!

Cesta orgânica 4 fev 11

Fiquei tão feliz hoje que vou publicar o segundo post do dia. É o seguinte: lembra do Fernando, do Queijo Canastra? Pois ele voltou. O queijo, só semana que vem - e um passarinho me contou que além do Canastra haverá Serrano. Mas nesta semana ele já começou a entregar cesta de orgânicos e - muita atenção - pescados! Sim, peixe fresco pescado de forma artesanal e sustentável, negociado por comércio justo e entregue na sua casa em até 24 horas! Não é fantástico?

Já cansei de me lamentar aqui no blog sobre o meu martírio na hora de comprar peixe em São Paulo. Fiz até um post sobre o assunto, divulgando um guia feito pela querida Lucia Malla. Por aqui, na imensa maioria dos lugares, só se vende peixe congelado - que eu detesto. Em alguns poucos, há peixe fresco, mas é muito difícil fugir das opções nada sustentáveis: salmão (que, convenhamos, não é salmão), atum (sinal amarelo), cação (nunca, jamais, em hipótese alguma!), saint peter (dúvida cruel - é de cativeiro, e isso é bom e ruim ao mesmo tempo). Eu vivia numa eterna dúvida e acabava por consumir bem menos peixe do que gostaria.

Imagine então minha felicidade ao receber hoje, em casa, sem nem taxa de entrega, essa sacola térmica retornável com 1,7kg de robalinho (não conhecia, mas eles já alertam que não é filhote!) e 1,5 kg de lulas limpas e em anéis. Tudo pescado ontem, no litoral de São Paulo. Na época certa, respeitando o tamanho mínimo. E quem pescou não foi explorado pela indústria pesqueira, não passou 6 meses num navio longe de sua família pescando atum para enlatar, recebendo uma miséria por isso (conheço dezenas de pescadores que levam essa vida, ano após ano).

Eu confesso: fico emocionada com essas coisas. Com o avanço que eu vejo acontecer no Brasil em relação à produção orgânica e à agricultura familiar - e, agora, a pesca artesanal. Com a coragem e atitude de gente como o Fernando. Com os detalhes e o cuidado - repare na etiqueta que veio pregada à minha sacola, com meu nome, que delicadeza.

Metade do peixe já foi pra barriga. Receita nos próximos posts. Você mora em SP e ficou com vontade? Corre pra lá:

Pescado Original
http://www.pescadooriginal.com.br
fernando@pescadooriginal.com.br
A lista é liberada às quintas e as entregas acontecem às sextas.

Cesta orgânica 4 fev 11

Cesta orgânica 4 fev 11

Cesta orgânica 4 fev 11

*Update* Fernando me explicou mais sobre os robalinhos: "O robalinho chama-se Robalo Peva (Centropomus paralellus) e o grande chama-se Robalo Flecha (Centropomus undecimalis). O Peva adulto tem no mínimo 30 cm, podendo então ser capturado, variando de 1 a 5 kg. Já o Flecha pode ser capturado com o mínimo de 50 cm, podendo chegar a 25 kg."

Molho assado de tomates

Molho assado

Eu já devo ter comentado aqui que minha mãe é italiana. Nascida em Crema, ali pertinho de Milão. Criada a polenta, risotto e pastasciutta. Apesar de ter vindo para o Brasil ainda menina e de ter aprendido a diversificar com excelência seu cardápio, é para este repertório que ela corre quando precisa resolver uma refeição de última hora.

Molhos rápidos - e de preferência com tomates - são sempre bem-vindos ao seu caderno de receitas. Este chamou sua atenção quando assistia a um programa de culinária na RAI.

E vale mesmo a pena anotá-la. Apesar de demandar um tempo considerável de forno, é facílima. Não é preciso nem tirar pele e sementes dos tomates. Se você não as suporta, tire. Mas aí eu já não a chamaria mais de facílima.

Pasta al pomodoro gratinata - fonte: programa culinário na RAI

  • 250g de massa curta
  • 750g de tomate maduro - prefira orgânicos
  • 3 colheres de azeitonas pretas
  • 1 dente de alho
  • Farinha de rosca
  • Manjericão fresco
  • Sal e pimenta
  • 100g ricota seca

Cortar os tomates em rodelas e colocar num refratário de bordas altas untado com azeite. Espremer o alho sobre os tomates. Juntar as azeitonas descaroçadas e fatiadas, as folhas de manjericão rasgadas, o sal, a pimenta e cobrir com uma dose generosa de farinha de rosca (o ideal é pão italiano torrado e ralado). Regar com azeite e colocar no forno a 170˚ por cerca de 1 hora, até que os tomates estejam bem macios mas não totalmente desfeitos.

Cozinhar a massa em bastante água fervente e salgada. Escorrer e juntar ao refratário do molho. Na hora de servir, ralar a ricota defumada.

Macarrão com molho assado

Bolo de grão-de-bico com chocolate

Bolo de grão-de-bico com chocolate

Eu sei. Eu também achei estranho. E não, não costumo me empolgar com substituições assim. "Bolo bom é bolo com farinha", pensei na hora. "Em time que está ganhando não se mexe", foi o clichê que saiu em seguida. Mas aquelas fotos me diziam o contrário. Aquela massaroca podia não ser exatamente um bolo, mas parecia muito interessante.

Não levei mais de três dias para levar a ideia à realidade. E o resultado surpreendeu. Não é mesmo um bolo-bolo, como estamos acostumados. Está mais para um brownie-pudim. Mas é delicioso. Não se percebe o sabor do grão-de-bico, o chocolate o mascara - embora fique um "quê" de castanhas muito gostoso. E, poxa vida, é legal poder se declarar livre da farinha de vez em quando, não é?

A receita fez sucesso por aqui, mesmo entre gente que jamais comeria um bolo se soubesse que era de grão-de-bico. E acho que é uma mão-na-roda para quem não pode ou não quer comer glúten. Se este é o seu caso, sugiro que dê uma chegada ao blog da querida Neide Rigo, o Come-se. Ela tem publicado toda quinta uma receita sem trigo. Todas incríveis.


Bolo de grão-de-bico com chocolate

Fonte: Serious Eats

  • 2 xícaras de grão-de-bico cozido - a receita original pede 1 lata de 19oz; eu usei mais ½ xícara porque achei minha massa mais mole que as fotos da receita original
  • 140g de chocolate meio amargo - ou chips de chocolate
  • 4 ovos - uso caipiras orgânicos, sempre
  • ½ colher {chá} de essência de baunilha - não usei
  • ½ xícara de açúcar - usei cristal orgânico
  • ½ colher {chá} fermento em pó
  • ½ colher {chá} sal
  • Para untar a forma: 1 colher {sopa} de manteiga e 2 colheres {sopa} de cacau em pó

Acender o forno em 180°. Untar uma forma de bolo inglês (eu não tenho, usei uma retangular de 30x22 cm) com a manteiga e polvilhar o cacau.

Cortar o chocolate em pedaços pequenos e derreter no micro-ondas ou em banho-maria.

Bater no processador ou com mixer o grão-de-bico, os ovos e a baunilha, até formar um purê (cerca de 1 minuto). Adicionar o açúcar, o fermento e o sal e bater mais um pouco (cerca de 20 segundos). Juntar o chocolate derretido e misturar bem até homogeneizar.

Despejar essa mistura na forma untada e colocar no forno pré-aquecido por cerca de 1 hora (confesso que não marquei o tempo, mas gastei menos do que o indicado - quando tirei a faca já estava saindo limpa).

A receita original dizia para esfriar o bolo numa grade por 15 minutos e polvilhar açúcar de confeiteiro antes de servir. Ignorei as duas instruções.

Obs: o pedaço de bolo das fotos foi cortado com um copo. Só um charminho.

Bolo de grão-de-bico com chocolate

Frango com purê de abóbora e coco

Filé de frango e purê de abóbora com leite de coco

Ainda tenho muitos fatos e fotos de 2010 para colocar em dia, mas já passou da hora de postar uma receita. O glá glá glá pode esperar, a fome não.

Esta aqui é um belo truque para dias em que você tem pouco tempo para preparar uma refeição. E é ainda mais rápida se você se programar e tiver sempre potinhos de abóbora cozida na geladeira ou no freezer. Foi o que aconteceu neste dia. Eu tinha este prato na geladeira:

Purê de abóbora

Faça como de costume os filés de frango (escolha caipira e orgânico sempre que puder) numa grelha, chapa de ferro ou sua frigideira com fundo mais grosso. Antes, tempere com sal, limão e alho amassado. Se quiser variar o tempero, use um pouco de vinho branco ou mostarda. Eu tenho feito uma coisa deliciosa ultimamente (não foi o caso desse aí da foto, mas fica a dica): aqueço bem uma panela de barro, derreto manteiga e coloco rodelas bem finas de cebola até que elas quase desmanchem; por cima, coloco o frango temperado com sal e limão; deixo dourar bem. Eu, que passei anos sem comer cebola (e ainda torço o nariz para sua textura quando crua), repito e raspo o prato.

Para o purê, é mais fácil ainda. Corte uma abóbora japonesa em pedaços (pode deixar a casca, fica ótimo - só não se esqueça de lavar bem), coloque numa panela, cubra com água e uma colher de sal. Deixe cozinhar até que fique macia. Bata no liquidificador ou com um mixer na própria panela. Junte 1 colher de manteiga e 200ml de leite de coco e cozinhe em fogo baixo por alguns minutos. Veja se precisa de mais uma pitada de sal e sirva com o frango. Se der tempo de fazer um arroz fresco e lavar algumas verduras para a salada, tanto melhor.

Filé de frango e purê de abóbora com leite de coco

Queijo canastra

Queijo canastra

Tenho uma boa e uma má notícia. Primeiro a boa? Descobri um fornecedor de queijo canastra. Sabe queijo canastra? Aquele feito na serra com o mesmo nome, lá nas Minas Gerais. Aquele que só tem lá. Que já tentaram fazer igual em vários outros lugares (mesmo em Minas), mas sabe-se lá se por causa da água, do ar ou da vaca, não funfa. Só funfa lá. Ah, aquele que é Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro mas que é também um fora-da-lei, porque a Anvisa não permite a produção de queijo de leite cru. Então, aquele. O Fernando do Queijo Artesanal entrega na minha casa (e pode entregar na sua, se você morar na capital paulista).

A má notícia é que eles entraram em férias. O Fernando foi pro Sul à procura de mais delícias da nossa terra. As entregas recomeçam em fevereiro.

Queijo canastra

Queijo canastra

Queijo canastra

Queijo canastra

Queijo canastra

Revelando SP Atibaia 2011 - Entre Serras e Águas

Revelando SP Atibaia 2011

Estive em Atibaia para o Revelando SP - Entre Serras e Águas. O evento comemorava sua 40ª edição. E eu comemorava minha primeira ida a um Revelando fora da capital.

Já contei e recontei aqui no blog minha admiração por esse evento, que frequento desde 2001. Não sei explicar muito bem porque tanto amor.

Talvez por viver lá momentos de encantamento. Eu, que já conheço quase todos os expositores, sigo me encantando com as pessoas, com as comidas, com as peças feitas por aquelas mãos cheias de histórias.

Talvez por ser uma grande reunião de tradições, que nos obriga a retornar às boas memórias de infância a todo instante. A frase mais comum de se ouvir por ali é: "Nossa, minha avó fazia isso! Nunca mais tinha visto!".

Revelando SP Atibaia 2011

Dessa vez eu cheguei e fui correndo encontrar minhas amigas de Cruzeiro, Thais e Maria Lúcia. Esfomeada que estava, pedi um prato de comida antes de alongar a conversa. Distraí-me enquanto Thais fazia meu prato - de arroz vermelho com suã, feijão, farofa de couve, mandioca frita, torresmo - e, quando vi, ele estava enorme! Tratei de comer, mas passei o resto do dia sem conseguir comer mais nada, o que é um grande desperdício estando perto de tantas comidas incríveis.

Revelando SP Atibaia 2011Revelando SP Atibaia 2011

O Revelando em Atibaia é bem diferente do que acontece na capital. É menor, mais calmo, mais integrado, mais família. Imagino que deva ser assim nas outras cidades-sede também. A maior diferença que senti, logo ao chegar, é que nele eu era a estranha. Sim, na capital é inevitável o olhar de estranhamento do paulistano sobre os interioranos. Lá, eu era a olhada.

Outra diferença é que desta vez eu vi(vi) o Revelando do lado de dentro. Num dado momento, D. Lúcia fez um sinal pra eu segui-la. Fomos para o corredor que fica atrás das barracas de comida. Lá, nos bastidores, um grupo preparava um bolo (enorme) para comemorar as 40 edições do evento. Era segredo. Cada um contribuiu de alguma forma - um fez a massa, o outro o recheio, outro ainda preparou o arranjo de flores. E fariam, ao final, uma supresa para Toninho Macedo, o idealizador do evento.

Revelando SP Atibaia 2011Revelando SP Atibaia 2011
Revelando SP Atibaia 2011Revelando SP Atibaia 2011
Revelando SP Atibaia 2011

D. Lúcia e Thaís me receberam muito bem. Faziam questão de me apresentar para todo mundo, contar do Fogão Azul, de como nos conhecemos, de como compartilhamos o amor pelo Revelando. Aí me apresentaram para o Dionísio, o assessor de imprensa do Abaçaí, que afirmou já me conhecer. Eu era "A Blogueira". Achei divertido ser conhecida assim pelo pessoal. Acho que ando escrevendo bastante sobre o assunto... Ele me levou pra sala de imprensa e me deu uma credencial de fotógrafo, para que eu pudesse registrar o evento de ângulos ainda mais interessantes. Lá fui eu pro palco, abraçar Toninho e me emocionar mais um pouco.

Revelando SP Atibaia 2011Revelando SP Atibaia 2011

Quando digo que o Revelando consegue juntar gente de todo tipo como uma família, acredite, não é um exagero. Na foto abaixo, vocês podem ver um casal de islâmicos segurando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. A imagem passou pelas mãos de pastores evangélicos, babalorixás, padres... Logo atrás, representantes de uma tribo indígena entoavam cantos. Bonito de ver. Mesmo que você não presencie uma cena dessa quando resolver visitar o evento, tenho certeza que viverá algum momento especial. Talvez você esteja ali, tomando um cafezinho à beira dum fogão a lenha, relembrando a casa da sua avó, e de repente apareça um desconhecido com os mesmos olhos de encanto e vocês troquem 3 ou 4 ou 1000 palavras que ecoarão na sua cabeça pra sempre. Talvez.

Revelando SP Atibaia 2011

Revelando SP Atibaia 2011

Mais fotos no Flickr.

Fatos e fotos de 2010 - o dia em que conheci as musas

No aeroporto com @fezoca, @fabbrica e Neide Rigo

Em outubro, numa tacada só, conheci duas musas inspiradoras deste blog - e que eu descobri serem também duas pessoas muito queridas - a Fer Guimarães Rosa, do Chucrute com Salsicha e a Neide Rigo, do Come-se. De quebra, ainda conheci a Roberta, queridíssima que já deveria ter entrado na minha vida - virtual e real - há muito tempo.

Esse encontro poderia ter sido especial só pelo fato de ter me divertido por horas com conversas, risadas e comilanças com pessoas com as quais me senti em casa (sabe quando bate o santo e você se sente muito à vontade?). Poderia. Mas o fato de eu admirar essas mulheres há tanto tempo deu ainda mais emoção. Gosto bom. Deixou saudade.

Encontro com @fezoca e @fabbrica no Lá da Venda

No primeiro dia, eu, Fer e Roberta almoçamos no Lá da Venda. No segundo, fomos (as três mais Neide) levar a Fer pro aeroporto. [Volta logo, Fer!]

Encontro com @fezoca e @fabbrica no Lá da Venda

Encontro com @fezoca e @fabbrica no Lá da Venda

Encontro com @fezoca e @fabbrica no Lá da Venda

Encontro com @fezoca e @fabbrica no Lá da Venda

Fatos e fotos de 2010 - cozinhando com novos amigos

Há um ano eu conhecia bem menos gente do que conheço hoje. Tenho a sorte de ter muitos, muitos amigos, mas 2010 me deu muitos outros de presente. Eu, que já tinha feito uma porção de amizades virtuais pelo blog e pelo Twitter em 2009, e no ano passado ano pude finalmente ver alguns avatares se mexendo. Foram menos encontros do que eu gostaria, mas pudemos nos divertir bem.

Em junho passei um dia delicioso cozinhando, comendo e bebendo com gente que ama fazer tudo isso. Graças aos organizadores Leandro, Débora, Faby, Júlia e Letícia, uns 30 tipos como esse se reuniram na Cozinha da Matilde para passar para o RangoCamp. E foi lindo. Agradeço também a Gabi Butcher, fotógrafa oficial (e especial) do evento e autora da foto abaixo. O bolo é da Luciana D'Agosto.

RangoCamp

Façamos um bom ano

Flores

Já peguei meu caderno novo de folhas brancas para começar a rabiscar por mais 365 dias. Já fiz retrospectiva mental do ano que se foi. Já tentei pesar prós e contras na tentativa de descobrir se 2010 foi um bom ano ou não. Já fiz promessas e planos para minha vida a partir de hoje, mesmo sabendo que a chance de não cumprir é grande e que as surpresas são sempre melhores que o caminho planejado.

Vou começar publicando vários pequenos posts sobre coisas importantes de 2010 que deixei passar. Uma das promessas de 2011 é me cobrar menos, para poder postar mais. Veremos. ;-)

Yes, nós temos cajuína

Cajuína

Quem nunca teve curiosidade de provar a bebida cristalina de Teresina ao ouvir os versos do Caetano*?

Eu tinha. E essa vontade foi reforçada pelo Carlos Doria, autor do excelente blog e-Boca Livre, que publicou este texto no início do mês.

Pois hoje posso dizer que a vontade foi morta a garrafadas. Duas, para ser mais precisa. Mas algo me diz que continuará rondando. Para sempre. Como é que eu vou viver sem cajuína?

Achei a bebida deliciosa, tem gosto de passa de caju líquida. Talvez por ser tratada termicamente. Essa que comprei não tem açúcar nem água, é pura fruta. E é doce no ponto.

Ela é da marca Sabor Tropical e é a primeira a receber certificação orgânica. Se você se interessar (e morar em SP), pode comprar através da rede Sementes de Paz. Falarei mais deles em breve, mas já deixo registrado que recomendo muito esse pessoal. Se você mora no Ceará ou no Piauí, é um sortudo e tem cajuína no mercadinho da esquina. Aproveite por mim.

* Caetano Veloso, cantor e compositor bom de música e ruim de papo. Autor da música Cajuína.