Salada com folhas da horta da mãe

Salada com folhas da horta da mamãe

Lembram-se das fotos da horta da minha mãe? Pois aqui está uma parte do resultado. Um pé de alface americana transformado numa bela salada com molho de azeite e mostarda dijon (bati os dois com um fouet até homogeneizar). De lá também saíram alface romana (minha preferida), rúcula, almeirão, alface crespa, alface roxa...

Mais sobre o Revelando SP 2010

Estou recebendo comentários excelentes no post sobre a mudança de local do Revelando SP 2010. É um alento saber que não sou a única indignada com a mudança. São muitos os descontentes com essa atitude da esposa do governador do Estado de São Paulo. Reproduzo aqui o comentário da Ligia Prado:

Chocante mesmo! Passei por lá e não tem mais gatos, os pintinhos desapareceram. O bosque virou uma pista de cascalho. Há alguns anos uma conhecida me informou que, no sítio dela perto de São Paulo, o IBAMA aparecia periodicamente e, se tivessem VARRIDO entre as árvores, era multa certa, porque não se pode retirar o banco de sementes, que são o futuro da mata. A desculpa de primeira dama, que retirou árvores para plantar nativas, não resiste à crítica, porque as mudas citadas demoram muitos anos para crescer – como toda árvore da mata primária. Fora a atitude despótica: o parque é cuidado pelos usuários, e ninguém foi consultado. Gostaria imensamente que alguém abrisse um processo contra o Estado por essa crime contra o ambiente, o patrimônio histórico e a vida animal.

A Tina também fez comentários excelentes. Ajudou com um "como chegar ao Parque do Trote", contou da música que Paulinho Nogueira fez para o Parque da Água Branca e mandou o link de uma matéria da Folha de SP sobre a o desgosto dos moradores em relação à reforma. Abaixo, o texto e a música. Amanhã posto sobre minha visita ao Revelando SP 2010 no último sábado.

Obras no parque da Água Branca, em SP, abrem polêmica com usuários

Leticia de Castro, da Folha de SP

Um dos últimos redutos bucólicos de São Paulo, habitado por animais como saguis, pavões, gansos e galos, o parque da Água Branca, na zona oeste, viu a sua paisagem rural ser invadida por retroescavadeiras e tapumes.

Desde abril, o parque --que é tombado pelo Condephaat (órgão estadual responsável pelo patrimônio histórico)-- passa por uma ampla reforma, que vem sendo questionada por frequentadores que, preocupados com os impactos ambientais das intervenções, se uniram para tentar barrar a obra.

Hoje, eles se reúnem com o promotor Washington Luis de Assis, da Promotoria do Meio Ambiente, para discutir a petição protocolada no último dia 3 e apresentar um abaixo-assinado com mais de mil assinaturas que pede a suspensão da reforma.

"Não somos contra as obras necessárias, mas queremos discutir o que está sendo feito e a maneira", diz a advogada Claudia Lukiancuki de Lacerda.

Os pontos centrais da reforma que os usuários questionam são a abertura de uma trilha, onde antes havia uma mata fechada, a construção de uma ponte e de um deque no bosque das palmeiras, a extensão do funcionamento do parque até as 22h, a instalação de uma praça de alimentação e a cobrança de estacionamento --apenas outros três parques estaduais da cidade têm essa cobrança.

"São intervenções que podem trazer consequências para a fauna e a flora locais, mas não foi feito um estudo de impacto ambiental", diz a assistente social Cândida Meirelles, coordenadora de projetos ambientais da Assamapab (Associação de Ambientalistas e Amigos do Parque da Água Branca).

Ela afirma que o projeto de reforma não foi discutido com usuários. "Soube com a obra em andamento, quando vi a movimentação."

Na sexta-feira, o grupo teve acesso aos trechos do projeto que trazem o carimbo de autorização do Condephaat. Mas ainda esperam o detalhamento das ações, o plano de manejo e os estudos de impacto ambiental.

MUDANÇAS

Frequentador do parque, o ambientalista Ricardo Cardim, mestrando do Departamento de Botânica da USP, criticou a abertura da Trilha Pau-Brasil. "Para fazer um bosque, removeram muita vegetação. Com isso, o clima local ficou mais seco", afirma.

A urbanista Catharina Santos Lima, professora do Departamento de Paisagem e Ambiente da FAU-USP, defende que qualquer tipo de intervenção seja discutida com os usuários.


Salada de lentilhas e cores

Salada de lentilhas (molho de limão, ricota defumada e castanhas), beterraba e escarola

Eu comecei este post numa noite quente da semana passada, mas tive que reescrever o começo. Já estava decretando (e comemorando) o fim da estação das sopas e a chegada da temporada de saladas, sorvetes e sucos refrescantes. Só que sexta à noite o tempo virou e me mostrou que apesar dos dias bem quentes e secos, ainda estamos no inverno. Não reclamo, não. Tendo um dia inteiro de sol e calor, até topo o friozinho da noite - mas só até a chegada da primavera!

Pois bem, fiz essa salada numa das noites quentes da semana que passou. Deixei de molho 250g de lentilhas por 3 horas. Escorri, coloquei mais água (até cobrir os grãos) e cozinhei até que estivessem macios (mas ainda inteiros). Não contei quanto tempo levou. Na verdade, eu tentei um outro método, que é o de colocar água fervente e deixar a panela tampada por 40 minutos. Mas achei que a lentilha ainda estava crua e coloquei pra cozinhar por alguns minutos. Eu salguei a água do cozimento, talvez isso tenha contribuído para deixar os grãos mais duros.

Escorri e reservei a lentilha. Preparei o molho: espremi um limão, juntei azeite e uma colher de sal. Bati bem com um fouet (use um garfo se não tiver). Quando a lentilha estava fria, somei castanhas-do-pará picadas grosseiramente e cubinhos de ricota defumada. Misturei com o molho e guardei na geladeira até a hora de servir.

No almoço do dia seguinte fiquei feliz de encontrar sobras da salada. Para incrementar, juntei uma beterraba crua ralada e um pouco de escarola refogada em azeite. Gostei do contraste das cores e dos sabores. Mais um pouco e teríamos aqui um prato completo segundo a medicina tradicional chinesa. ;-)

Revelando SP 2010 não será no Parque da Água Branca

Revelando SP 2009

Para minha tristeza, e contrariando o que afirmei aqui no ano passado, o Revelando SP 2010 não acontecerá no Parque da Água Branca e sim no Parque do Trote, na Vila Guilherme.

Já desconfiava há algum tempo, desde que um pessoal de Cruzeiro (gente muito simpática, responsável por fazer aquele arroz vermelho delicioso que comi por lá) deixou comentário no post do ano passado. Fui procurar no site do Abaçaí e tive certeza. Mas só na semana passada descobri os motivos.

Parece que a atual primeira-dama do estado de São Paulo, Deuzeni Goldman, resolveu fazer uma reforma no Parque da Água Branca e aproveitou para expulsar o evento, organizado pelo Grupo Abaçaí, que há 13 anos acontecia no local.

Segundo consta, nessa reforma dezenas de árvores foram cortadas. Os animais, que costumavam ficar soltos por lá (galinhas, pavões e outros bichos que conferiam um delicioso clima rural ao local), foram presos. Também está sendo construída uma praça de alimentação. [Suspiro...]

Fico muito, muito triste com essa notícia. O evento tinha a cara do parque, eles nasceram um para o outro. Eu até poderia ser convencida de que o evento tinha ficado grande demais e precisava ir para um local maior. Honestamente, não concordo. Mas poderia ser convencida de que seria melhor. Só que a mudança não poderia acontecer assim tão em cima da hora. O Revelando é divulgado basicamente no boca-a-boca e muita gente nem ficará sabendo. Eu ficaria muito mais tranquila se a mudança acontecesse no ano que vem, assim os organizadores teriam o evento desse ano para divulgar a alteração de local. E que alteração, não é? Saiu de um parque muito bem localizado na região central, em frente a uma estação de metrô, para um longe pra dedéu.

Como faço todos os anos desde 2001, eu vou. Recomendo que você faça o mesmo, pois realmente vale a visita. Torço muito pelo sucesso do evento. E sinceramente temo pelo futuro da feira de orgânicos que acontece no parque. Não duvido que a substituam por um Mc Donald's.

Revelando SP - de 10 a 19 de setembro no Parque do Trote.

Portaria 1 - Rua Nadir Dias de Figueiredo, s/n
Portaria 2 - Rua São Quirino, nº 905
Vila Guilherme

Update

Este post está recebendo comentários excelentes. A Tina postou as instruções de como chegar ao parque, vejam clicando aqui.

Dia dos Pais

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Atrasada, eu? Imagina... ;-)

Deixo o registro fotográfico do que foi o dia dos pais desse ano. Cookão, receita da The Cookie Shop. Calzone, receita de família brilhantemente executada pela minha mãe (quebrando paradigmas...nunca antes na história dessa família se fez calzone em dia dos pais!) e caipirinha do seu Flávio, meu digníssimo pai. Muita comida, sobrinhada bagunçando e solzão brilhando lá fora. Lindo.

Para quando não há tempo - macarrão quase instantâneo

Talharim com molho RR {rápido e rasteiro}

Tem dias em que não dá - simplesmente não dá - para gastar mais do que 15 minutos na cozinha. Todos sabemos. Antigamente, bem antigamente, eu apelava para o macarrão instantâneo. Hoje aqueles pacotinhos não entram mais em minha cozinha, e isso já tem bem uns 5 anos. Como eu faço? Faço macarrão, ué.

Uma massa seca comum leva cerca de 7 ou 8 minutos para cozinhar. Por aí, dependendo do formato. Nesse tempo você faz um molho delicioso. Claro, não vai ficar igual ao molho de tomates frescos que fica reduzindo em fogo baixo por longas horas, mas é muito digno do nosso respeito. Sacia, esquenta o estômago e não engana - porque você sabe cada um dos ingredientes dele, ao contrário do maldito sachezinho com pó fosforescente.

E dá pra variar, viu? Num dia, alho no azeite; no outro, só manteiga e queijo ralado. Hum, manteiga e sálvia, já provou? Ou um pesto, que você pode deixar pronto na geladeira ou congelador e só aquecer na hora. Mas não me vá viver só de macarrão, tá? Que o mundo é muito cheio de comida gostosa pra gente ficar limitando o nosso prato a uma coisa só.

Esse da foto foi um molho de tomate muito, muito rápido. O segredo: Passata Rustica*, da marca italiana De Cecco. Vem numa garrafa de vidro, custa por volta de R$5 e salva uma refeição. É só dourar alho no azeite (se o tempo for curto mesmo, eu apelo para o tempero pronto do Sítio Jatobá, que é bem saboroso e não tem porcarias tipo glutamato) e despejar a passata na panela. Acerte o sal, contribua com alguma ervinha fresca ou seca (ou quem sabe um algo mais que está perdido aí na sua geladeira...um pedaço de bacon, um cálice de vinho, uma concha de caldo caseiro, ou só uma boa colherada de manteiga) e deixe cozinhar enquanto a massa fica pronta. Quando isso acontecer, misture os dois, rale queijo por cima e tenha uma ótima refeição.

* Se você não encontrar a passata rustica, pode usar a passata comum (só perde em textura) ou também uma lata de tomates pelados, cortados grosseiramente ou batidos no liquidificador.

Talharim com molho RR {rápido e rasteiro}

Os sobrinhos e a horta

sobrinhosnahorta

Horta da minha mãe, em Itu. Meus sobrinhos (André, 8 anos e Laura, 2 anos e meio) descobrindo de onde vem a comida. Coisa mais linda.

Sopetela

Sopetela

Sopetela. Ouço essa palavra desde que nasci, mas nunca a havia escrito. Nem lido. Fiz até uma busca no velho Google para ver se encontrava alguma referência, mas não achei nada. Claro que não. Uma palavrinha assim, misturando português e italiano, desse jeito tão simples mas com tanto significado, só poderia ser mais um dos neologismos da Tia Regina.

Sopetela é um jeito carinhoso de chamar a sopa feita toda santa noite na casa de minha avó. Sopinha simples, de batata, cenoura, macarrão e às vezes frango. Vó Luzia cozinhava e batia os legumes e Tia Regina era a responsável por acrescentar o macarrão. Se elas estavam presentes, não havia jantar que não começasse com sopetela. E não havia criança que não gostasse. Eu, que era ruim pra comer, devorava o meu pratão.

Sopetela

Minha mãe manteve o hábito e também faz sopa diariamente no jantar dela e do meu pai (e meu, quando eu morava lá). Só que a deles é mais incrementada, tem vários legumes e até umas verdurinhas. De fim-de-semana, quando os netos vão lá, ela volta pra receita da vó e faz aquela sopinha cremosa, cor de laranja, comfort food até a alma. Eu nunca resisto.

Receita de sopetela não há. Eu nunca perguntei à minha avó ou à minha mãe (e nem mesmo à Tia Regina) como se faz. Acho que é meio instintivo, pelo menos na minha família, de tanto que se viu fazer. Porém nunca havia feito. Foi no ano passado que, no finzinho do inverno, precisando de um carinho e de comida quente, coloquei na pressão algumas batatas e cenouras, todas orgânicas exalando cor e sabor, cobri com água, salguei e juntei uma cebolinha bem pequena e um fio de azeite. Depois de uns 15 minutos desliguei, deixei esfriar, abri e bati com um mixer. Acendi novamente o fogo e, agora com a panela aberta, coloquei pra ferver. Juntei macarrão cabelo-de-anjo quebrado com as mãos e apaguei o fogo. Aí tem que deixar lá paradinha um tempo, para o macarrão cozinhar e ela encorpar. Tomei na cumbuquinha - uma novidade pra Tia Regina, que só toma em prato fundo -, com um fio de azeite e parmesão ralado.

Bolo de cenoura molhadinho

Bolo de cenoura molhadinho

Sem milongas. Apresento-lhes meu bolo de cenoura favorito. É molhadinho, bem amarelo e forma casquinha crocante. Arrasa corações de crianças e adultos. Sugiro uma cobertura de ganache de chocolate amargo, mas você pode fazer aquela clássica calda de chocolate para bolos de cenoura - que fica durinha, meio açucarada. Na foto, a cobertura é de brigadeiro mole feito com cacau em pó orgânico Callebaut. Puro conforto, quase um abraço de vó.

Ingredientes:

  • 3 cenouras - usei duas bem grandes, orgânicas
  • 3 ovos - usei caipiras orgânicos
  • ½ xícara de óleo - usei óleo de nozes e óleo de sementes de uva
  • 200g de iogurte natural - usei caseiro feito com leite integral
  • 3 xícaras de açúcar - a receita original pede amarelo. já fiz com demerara e também cristal orgânico. se você for fazer com o branco, sugiro diminuir a quantidade.
  • 3 xícaras de farinha de trigo - uso orgânica
  • 1 colher {chá} de fermento em pó

Modo de fazer:

Bater as cenouras, os ovos, o óleo e o iogurte no liquidificador (a receita original pedia para ralar as cenouras, eu só corto grosseiramente em rodelas). Num recipiente grande, peneirar o açúcar, a farinha e o fermento. Adicionar a mistura do liquidificador, misturar bem com uma espátula ou fouet e despejar numa forma (use uma grande ou divida em duas médias, rende bem) untada e enfarinhada. Assar por cerca de 40 minutos em forno médio pré-aquecido por 10 minutos.

A receita original é do Tachos de Ensaio.

Bolo de cenoura molhadinho

Bolinhos de batata-doce

Festa junina - bolinhos de batata-doce

O cenário era lindo: um encontro de amigos que gostam de comer e cozinhar, com tema de festa junina. Eu sou uma dessas pessoas que gosta de comer e cozinhar. E amo festa junina com todas as minhas forças.

Precisava decidir o que levar. Eu já disse que indecisão é meu nome do meio? Pois é. Passei longos dias viajando num mundo de paçoca, pé-de-moleque, arroz-doce, cuscuz, canjica, pipoca, cocada, maçã-do-amor, pinhão e milho-verde.

Acabei me decidindo por testar (afinal, pra que ficar na zona de conforto das receitas pré-testadas se você pode adicionar um pouco de adrenalina inventando moda?) duas receitas: o bolo/pudim de batata-doce da Vó Luzia e umas maçãs-do-amor com granola lindas que vi aqui.

Tinha pedido a receita do bolo/pudim (ele tem uma textura diferente, difícil encaixar em alguma das categorias) para a Vó Luzia em janeiro, quando fiquei cuidando dela no hospital. No sábado, resolvi ligar para confirmar. E não é que ela me passou uma receita com-ple-ta-men-te diferente?

A segunda pareceu mais razoável e foi ela que segui. Com algumas adaptações, claro.

Ingredientes

  • 1 kg de batata-doce - usei a de casca roxa
  • 1 colher de açúcar - usei cristal orgânico
  • 1 colher {sopa} de manteiga
  • 1 ovo - uso caipira orgânico
  • 200 ml de leite de coco
  • 1 lata de leite condensado
  • Açúcar e canela para polvilhar
  • Opcionais: 1 colher de amido de milho e 4 colheres {sopa} de farinha de coco

Modo de preparo

Cozinhe as batatas-doces descascadas em água com a colher de açúcar (não me pergunte o motivo). Esprema, adicione a manteiga e deixe amornar. Junte o ovo, o leite de coco, o leite condensado, a farinha de coco (imagino que fique bom também com coco ralado) e misture bem. Caso sinta que falta liga à massa, coloque o amido de milho. Foi sugestão da Vó Luzia, mas acho que na próxima não usarei. Unte uma forma de buraco no meio e polvilhada com açúcar. Despeje a massa, polvilhe açúcar e canela e leve para assar por cerca de 30 minutos em forno médio. Eu fiz em mini forminhas de silicone para facilitar a comilança na hora da festa - e puro medo da gororoba não desenformar e eu dar vexame na frente dos colegas cozinheiros. =)


Festa junina - bolinhos de batata-doce Festa junina - bolinhos de batata-doce
Festa junina - bolinhos de batata-doce Festa junina - bolinhos de batata-doce
Festa junina - bolinhos de batata-doce