Granola

Presentes 2009

A grande surpresa da leva de presentes de Natal foi a granola. Fez o maior sucesso e tem tudo pra continuar um hit por aqui nas próximas estações.

Ótima para acompanhar iogurte caseiro, incrementar salada de frutas, dar crocância ao sorvete...e incrível para comer pura. Tão aí Rê Prazeres e minha mãe que não me deixam mentir. ;-)

Ingredientes:

{As quantidades dependem do seu gosto, confie na sua intuição...}

  • Aveia em flocos - 500 gramas
  • Sementes de linhaça - cerca de 100 gramas
  • Flocos de amaranto - cerca de 100 gramas
  • Castanhas-do-pará picadas - a gosto
  • Uvas-passas - a gosto
  • Bananas-passas picadas
  • Melado - de 1/2 a 1 xícara
  • Mel - a gosto
  • Óleo de coco extravirgem - 2 a 4 colheres {sopa}
  • Azeite de oliva extravirgem - 2 a 4 colheres {sopa}

Modo de fazer

Misture todos os ingredientes secos. Adicione o mel, o melado, o óleo de coco e o azeite. Mexa bem. Coloque numa assadeira grande e asse em forno bem baixo, mexendo de vez em quando, até que esteja douradinho ao seu gosto. Leva entre 40 minutos e 1 hora. As mexidas durante o processo são essenciais para não deixar queimar nas beiradas.

O truque, como sempre, é usar ingredientes de qualidade. Desses citados acima, tirando o azeite de oliva, todos eram orgânicos. Esse rótulo não é garantia de sabor melhor, mas pode ser um belo indicativo. Eu procuro comprar alimentos produzidos localmente, sem uso de agrotóxicos, colhidos na época certa, direto do produtor (ou o mais próximo disso que eu conseguir), através de comércio justo (ou de empresas que não explorem fornecedores).

Extras - pode incluir na sua receita, dependendo do seu gosto e da disponibilidade na sua região: amêndoas, nozes, castanhas de caju, castanhas de baru, sementes de girassol e gergelim, flocos de milho/trigo/arroz/quinoa, canela em pó, coco ralado, frutas secas como damascos, figos, caquis ou as produzidas aí no seu pedaço...quais são elas?

Referências:
A Neide Rigo e a Pat Feldman fizeram granolas deliciosas. Vejam lá.

Publicidade infantil - vale por um bifinho? {como preparar iogurte caseiro}

Baby - post publicidade infantilFoto comprada no iStockphoto - primeira foto do blog que não é de minha autoria... ;-)

E então que no meio das festas sem shopping que descrevi no post anterior, participei de um debate super interessante sobre a proibição da publicidade infantil. O resultado dessa conversa foi compilado, resumido e remexido - e virou uma série de 3 posts. Eles foram publicados no blog O Futuro do Presente. Aqui você lê o primeiro, aqui o segundo e aqui o terceiro. Recomendo que você dê uma chegada lá pra ver o que discutimos e deixar sua opinião.

Para não ficar repetindo as ideias e discussões do post, resumo a minha posição: sou radicalmente contra a publicidade infantil, acho que ela deve ser proibida sim. Criança não tem maturidade para fazer decisões de compra, é cruel usá-la para atingir os pais. Claro que acho que é dever dos pais preparar as crianças para lidar com a publicidade, mas: 1 - infelizmente não se pode contar com o preparo de todos os pais; e 2 - a criança não deixará de ficar exposta à "publicidade adulta" - que é material de sobra para muita conversa com os pequenos.

Não é difícil imaginar, para quem me conhece um pouco, que o que mais me preocupa nessa história é a questão da comida. Porque considero criminoso direcionar a crianças um anúncio que venda um produto alimentício (alimento de verdade é que não é) à base de gordura vegetal hidrogenada e açúcar refinado, apelando para personagens bonitinhos, ou fazendo referências ao amor materno. É cruel com adultos, quanto mais com crianças. E nesse caso os prejuízos vão muito além de uma criança mimada. Você ganha uma criança mimada e mal alimentada, quando não doente.

Através da publicidade, qualquer porcaria vira objeto de desejo. Para "acalmar" os pais, é só dizer que foram adicionadas vitaminas essenciais.

E lá vão os pais ricos - culpados por passarem menos tempo com os filhos do que as babás - entupir suas crias de carinho em forma de açúcar.

E lá vão os pais pobres - carregados de tristeza por não terem podido consumir na infância tudo o que a televisão mostrava - dar a seus filhos o que nunca tiveram. E dá-lhe refrigerante, biscoito recheado, salgadinho e iogurte.

Epa. Iogurte? Aquele potinho de plástico vermelho com um super-herói feliz no rótulo? Nah. Tá escrito ali: bebida láctea sabor artificial de morango. Por bebida láctea entenda-se soro de leite com amido, gordura vegetal e muito açúcar. E, claro, muito corante, conservante e aromatizante. Uma bomba. E olha, custa caro.

O que me incomoda é saber que tem gente - muita gente - torrando seu minguado salário no supermercado para comprar coisas desse tipo para seus filhos, quando podia fazer em casa um litro de iogurte de verdade, super saboroso e nutritivo, por menos de R$2. Dói saber que esse absurdo não é só causado pela falta de informação, mas também pela indução da vontade das crianças de tomar a bebida do potinho plástico vermelho com herói super divertido que dá super poderes e te faz ficar igual ou melhor que as outras crianças.

Iogurte

Fazer iogurte é muito, muito fácil. Aqueça 1 litro de leite (integral é melhor). Se tiver um termômetro é só aguardar chegar em 45°. Se não tiver, não tem problema. Quando começar a ferver, desligue o fogo e espere esfriar até que consiga deixar seu dedo mindinho dentro do leite por 10 segundos (lave bem as mãos antes, purfa). Nessa hora, coloque num pote de vidro ou panela de inox uma colher de sopa (não mais do que isso!) de iogurte natural. Despeje o leite e misture bem. Cubra, enrole num pano de prato ou toalha e coloque num local protegido de variações bruscas de temperatura - o ideal é o forno desligado, mas pode ser um armário. Depois de 8 horas, desembrulhe e coloque na geladeira. O iogurte já está pronto.

Você pode consumi-lo puro, adoçar a seu gosto, bater com frutas, usar de base para molho de salada, usar como substituto para o leite em algumas receitas...tantas possibilidades!

Atente para o seguinte:

  • Leite integral, além de mais saudável, deixa o iogurte mais cremoso.
  • Use apenas uma colher de sopa de iogurte para 1 litro de leite, não mais do que isso.
  • Procure um iogurte que tenha a menor quantidade de porcarias possível para usar como base. Evite os que têm gelatina, leite em pó, amido e outros tipos de espessante.
  • Guarde sempre uma colher de sopa do iogurte que você produziu para usar na próxima leva. Você nunca mais precisará comprar os potinhos plásticos poluentes de novo!

*** Referências interessantes:

  • A Pat e a Ana Elisa já ensinaram a fazer iogurte e têm receitas e dicas super interessantes, não deixem de ver.
  • Vejam que ideia bacana do Vitor Hugo no Prato Fundo: aquecer só metade do leite e misturar com o frio, depois manter em garrafa térmica. Super prático.

Café da manhã reforçado

Recomeçando

Presentes 2009

Agora que o ano virou, o carnaval passou e até o horário de verão acabou (infelizmente), eu já consigo falar - 2009 terminou confuso, corrido e triste. Vó Luzia esteve muito mal, ficou internada do dia 23/12 a 01/01. Não havia motivo pra festejar e nós apenas cumprimos tabela à meia-noite do Natal e do Ano Novo. Se tanto.

Mas eu confesso que já faz uns anos que comecei a desgostar dessa época. Não me agrada essa obrigação de encontrar todo mundo que você não vê o ano inteiro em menos de um mês. É muita tensão pra pouco tempo. Todos os amigos querem se encontrar nos mesmos dias. Aqueles que moram em outra cidade e estão de passagem por um ou dois dias te obrigam a desmarcar tudo ou fazer uma maratona. Os bares ficam lotados. A cidade inteira fica travada, pois quem não está comemorando está no shoppping gastando os tubos em presentes. É uma cena de terror sem o menor sentido. Gasta-se combustível, embalagem, tempo e dinheiro. Pra nada. Porque, convenhamos, se o seu objetivo é celebrar com os seus, deveria então passar mais tempo com eles em vez de perder horas tentando estacionar seu carro no shopping.

Shopping. Taí um lugar que não gosto de frequentar. Lotado, então, me causa repulsa. E tenho uma certa dificuldade em escolher presentes por sofrer de uma leve tendência à indecisão eterna. Passo horas tentando encontrar o presente perfeito. Claro que raramente encontro e acabo saindo frustrada. Por tudo isso, no natal de 2009 decidi não me juntar à multidão. Resolvi meus presentes sem pisar num shopping. Eles saíram todos da minha cozinha.

Em casa a troca de presentes foi um fiasco, ninguém estava ligando pra isso [eu passei a meia-noite no carro, por coincidência passando exatamente em frente ao hospital onde minha avó estava], então os presentes que eu fiz ficaram lá meio que pra todo mundo ir comendo junto. Fazia mais sentido mesmo.

Mas participei de um amigo-secreto entre food bloggers, iniciativa da Dani Abolin, e minha sorteada - a Rê Prazeres - recebeu essa cesta da foto. Dentro dela havia: cookies de chocolate, bolinhos de maracujá, açúcar de baunilha, granola, sal temperado, além de um fouet e paninhos de prato super coloridos - que também não foram comprados em shopping! As receitas, com mais fotos e referências, chegarão nos próximos posts.

Presentes 2009

Ah, sim, e eu ganhei presentes de amigo-secreto também! Quem me tirou foi a crafter Paty. Além de delicinhas japas, ela mandou mimmos feitos por ela. Olha eles aqui:

Presentes recebidos

Em tempo: Vó Luzia passou por maus bocados mas está se recuperando. Já está em casa, dando seus primeiros passos com ajuda do andador. Em direção à cozinha, claro, que é de onde ela nunca gostaria de ter saído.

Berinjela, tomate, queijo, nata - e meia hora

Berinjela, tomate, queijo e nata

Deixa eu aproveitar o embalo e postar uma receita porque isso aqui está deixando de ser blog de comida e se transformando em blog de milonga.

Esse prato saiu num susto, naqueles nada raros momentos de muita fome, pouco tempo e quase nenhuma paciência. Não tinha nenhum resultado em mente, apenas separei os ingredientes e fui improvisando sem me preocupar - afinal, não teria como dar errado uma combinação de berinjela, tomate e queijo.

Fatiei uma berinjela orgânica dessas da foto e grelhei por alguns minutos. Enquanto isso, fiz um molho de preguiçoso: abri uma lata de tomates pelados, cortei em cubos, temperei com sal, azeite, uma colherinha de açúcar, alho e ervas mil. Não cozinhei nem nada. Cobri o fundo da forma com esse molhinho, por cima arrumei fatias da berinjela. Azeite, sal e pimenta. Por cima mais molho, e assim por diante até acabar - a berinjela ou o espaço. A última camada, claro, é de molho. Para finalizar eu coloquei umas colheradas de nata e cubinhos de queijo - mussarela e parmesão - que eu já tinha cortados da noite anterior.

Não é preciso ser muito esperto para imaginar no que isso tudo vai dar: berinjelas em molho cremoso, bem temperado, cobertas com puxa-puxa de queijo. Em meia horinha. E sem sujar panela. Comporta-se muito bem ao lado de arroz fresquinho, mas também segura a onda sozinha num lanche rápido. Eu investi no arroz e aproveitei o calor para fazer uma saladinha de pepinos bem fresca.

Berinjela, tomate, queijo e nata

Berinjela, tomate, queijo e nata

Berinjela, tomate, queijo e nata

Berinjela, tomate, queijo e nata

A última

Ainda bem que as minhas avós não lêem o Fogão Azul. Porque se por um lado teriam ficado felizes com as homenagens que ando fazendo, por outro ia dar briga. Ah, ia. Elas sempre foram muito calmas, muito educadas, mas quando batia a ciumeira...hum!

Hoje, por exemplo, foi o aniversário da última das sagitarianas. E eu fiz post pra primeira, fiz post pra segunda...mas não me preparei pra fazer post pra Vitória. Não peguei foto dela novinha, não peguei a receita da única coisa feita por ela que já comi... fazer o quê, vou deixar pra postar depois.

E sim, você entendeu bem. Eu só lembro de ter comido uma coisa feita por ela: bertulina (bertolina/bertullina/bertollina?). Vó Vitória nunca foi muito chegada na cozinha. Diz a lenda que ela tinha mais alguns pratos excelentes na manga, dentre eles um coelho divino. Nunca vi nem comi - nem o dela, nem o de ninguém - eu só ouço falar.

Em compensação, trago ótimas lembranças da tal bertulina, um bolo de uvas pretas muito do saboroso. Vou ver se consigo arrancar dela a receita. Não vai ser fácil. Dona Vitória é mulher dura, italiana marcada da guerra. Teve seus dois filhos em meio aos bombardeios, perdeu parentes, viu sua casa metralhada. Com trinta e poucos anos, largou pai, mãe, irmãos, pegou os filhos, entrou num navio e veio pro Brasil, um ano depois do marido.

Não é uma mulher fácil. É da turma da reclamação, do como-eu-sofro, do dedo na cara. Convide-a para um almoço, dê-lhe uma taça de vinho (que ela aceitará de bom grado, depois de falsamente relutar um pouco, dizendo que por coincidência naquele dia esqueceu de tomar os remédios), e aguarde a metralhadora apontar pra cada um. Ela vai achar o ponto fraco de cada um dos convidados e dizer na lata, sem dó. Quer melhor atração pra sua festa? Risadas garantidas. Mas previna os mais sensíveis, evitando assim possíveis lágrimas.

Com ela não aprendi a cozinhar, mas não posso dizer que não aprendi nada. Ela foi minha grande professora de tricô e crochê. Claro que já esqueci tudo. Hoje mal sei pregar um botão. Mas ela arrasava, fazia e desfazia com as agulhas. Outra coisa que ela me ensinou foi a jogar cartas. Passávamos horas jogando vinte-e-um, sete-e-meio, e outros milhares de jogos de que não me lembro mais o nome. Eu me divertia horrores - especialmente com os palavrões italianos que ela soltava quando perdia.

A dureza da guerra também deixou de herança a simplicidade: dê a ela um copo de vinho, um pedaço de pão e um bom queijo e tudo se resolve - e dessa lição eu não me esqueci.

Noventa e três

Vó Luzia

Eu falei outro dia que tenho três avós. Coincidentemente, as três são sagitarianas. Então por favor me perdoe e tenha paciência para mais um post sentimental-familiar-choramingoso em tão pouco tempo.

Pois que minha avó paterna completou hoje noventa e três anos de vida. Uma pena ela estar de cama justo nesse dia - há 2 semanas teve um probleminha e está se recuperando -, simplesmente não combina com ela. Posso imaginar seu desespero por ter de ficar longe do fogão em dia de receber visitas.

Vó Luzia não é de se entregar fácil. Engana todo mundo dizendo que está ótima. Esconde a dor até não poder mais. Tanto que ela só está de cama agora porque vestia calças quando sabia que iríamos visitá-la, assim não víamos que suas pernas estavam com problemas. Ontem, quando eu perguntei se estava sentindo muita dor, deu sua resposta clássica: "Se eu disser que está doendo estou mentindo!".

Ela é uma avó típica. Cabelinho branco, bochechas rosadas e olhos azuis. Sempre te recebe com um sorriso gostoso e um abraço apertado. É daquelas que cozinha gostosuras, deixa os netos fazerem tudo e tem uma lata de doces pronta para o ataque.

As comidas da Vó Luzia são um capítulo à parte. Aliás, dois capítulos. Capítulo 1, as comidas de dia de semana: abobrinha frita; salada de legumes com ovo; macarrão com brócolis (toda terça); couve-flor empanada; carne de panela; picadinho de carne com batata - ela sempre colocava um ovinho pra mim, e as batatas nós duas sempre amassávamos no prato); além, é claro, do melhor arroz com feijão do mundo.

Capítulo 2, as estrelas do domingo. Antes de listá-las, é preciso dizer que Vó Luzia é daquelas que no almoço de domingo fazia o prato preferido de cada um. Era sempre um banquete: bolinhos de batata recheados com queijo; porpettas; berinjelas recheadas no forno; tortas macias cujos recheios variavam (palmito, frango, sardinha, camarão); frango assado (cada semana de um jeito diferente); murignanas na pastela (berinjelas em fatias passadas numa massinha delícia e fritas - e sempre a sobra da massa ela fritava feito panqueca e recheava com queijo, só pra mim). O "primeiro prato" era sempre uma massa - que podia ser desde um spaghetti simples até a grande unanimidade: os gnocchi. E sempre com molho de tomate, feito por ela toda semana com tomates fresquinhos.

E nesse livro ainda haveria espaço para os doces: bolo de laranja bem molhadinho; doce de leite em pedaços, doce de abóbora cremoso, pudim de batata-doce, mantecal...essas perdições que alegraram minha infância - e a dos outros 4 netos.

De Vó Luzia herdei o gosto por cozinhar. Meu arroz com feijão ainda não chega nem perto do dela - e duvido que um dia chegue - mas vou continuar tentando. Um dia quem sabe consiga fazer também gnocchi como os dela. Mas o que eu espero mesmo, de verdade, é chegar aos noventa e tantos com a lucidez e a pele dessa mulher.

Reconhecendo amigos no Mocotó

Food bloggers no Mocotó
queijo coalho com melado
Food bloggers no Mocotó
"carpacho" de carne de sol
Food bloggers no Mocotó
comida dominando a mesa e as conversas

Pense num grupo de alucinados por comida (e bebida!), num lugar que serve comida (e bebida!) da melhor qualidade por um preço super honesto (e beb...ok). Pense que uma parte deles, apesar de conversar regularmente pela internet, ainda não se conhecia pessoalmente. Pense que era fim-de-semana e fazia um dia muito do agradável. Pois bem. Você acaba de visualizar o meu domingo.

Cheguei ao Mocotó por volta do meio-dia, acompanhada do André. Passei pela pequena aglomeração à porta (sim, lota, chegue cedo) porque o grupo havia feito reserva e atravessei o restaurante em direção à agradável varanda. Logo vi a mesa animada, com algumas carinhas conhecidas - por conhecidas entenda-se que aparecem diariamente na minha timeline do Twitter ou no meu Google Reader. Tchímida que sou, cumprimentei de longe e me apresentei rapidamente. "Oi pessoal, sou a Maria Rê."

Não passou muito tempo (nem muitas caipirinhas) e lá estava eu conversando animadamente com os food bloggers (esse povo que leva o notebook e a câmera pra cozinha): contando minha vida, encontrando coincidências, reclamando de uma coisinha aqui, exaltando outras acolá. O estranhamento inicial foi diminuindo, aos poucos meu cérebro parou de identificá-los como avatares animados e sim como pessoinhas bacanas de carne e osso.

Falando em carne, deixa eu dar uma passada rápida pelo que esteve sobre a nossa mesa (e dentro das nossas barrigas):

Os salgados - chips de mandioca, dadinhos de tapioca com geleia de pimenta, queijo coalho com melado de cana, "carpacho" de carne-de-sol, escondidinhos de carne-seca e de legumes, baião-de-dois, feijão-de-corda, carne-de-sol assada, purê de mandioca com requeijão-do-norte (salivei só de escrever). Diz a lenda que também havia sarapatel, joelho de porco e ovo caipira, mas não cheguei a provar.

De sobremesa, apareceram sorvete de rapadura e mousse de chocolate com cachaça.

E para beber, além dos sucos, cervejas e caipirinhas tradicionais, a estrela da (minha) festa: caipirinha de maracujá e cachaça com baunilha. Francesinha é o nome que deram a essa cachaça, da qual nunca mais me esquecerei. Arrependo-me de não ter trazido uma garrafa pra casa, mas devo reconhecer que não daria lá muito certo... ;-)

Depois de 5 horas por ali, comendo, bebendo, conversando e ouvindo as histórias do Seu Zé Almeida - o fundador de tudo aquilo, pai do atual chef Rodrigo Oliveira - fui embora feliz da vida (mentchira, a contra-gosto, queria ter ficado mais), esperando ansiosamente pelo próximo encontro.

Agradeço muito ao Leandro, do Cozinha Pequena, que agitou toda a turma e ainda finalizou com um tweet super fofo que acabou distribuindo os @s pra quem não se seguia resolver logo isso. Tenho cá pra mim que deve constar em alguma parte do mapa astral do Leandro que ele é uma pessoa extremamente agregadora (também conhecido como agitador de baladas profissional).

Agradeço também a todos os outros arrobinhas presentes. Adorei conhecê-los e confraternizar (gosto dessa palavra, apesar dela carregar todo o peso dos amigos-secretos de firrrma) com vocês. Vamos ver se não esqueço ninguém: Dani Abolin do Cine Bistrot, Alessander Guerra do Cuecas na Cozinha, Nathy do Bistrô Pregui, Véio do Mesa pra Um, Vitor Hugo do Prato Fundo, Léo e Bia do Trivial (Ou Nem Tanto), Debora Bortoleti, do Marmita da Deh, Gustavo, do Chef-à-Porter, Faby do Rainhas do Lar, Júlia Reis do Boa de Garfo, Lara Januário do Sem Medida e a Marcela Tulmann, que não tem blog, tem logo um restaurante.

Food bloggers no Mocotó
um brinde romântico com francesinha
Food bloggers no Mocotó
lambidinha para não desperdiçar
Food bloggers no Mocotó
repare na cara de vergonha alheia da Faby
Food bloggers no Mocotó
a estrela: caipirinha de maracujá e francesinha (cachaça com baunilha)

De onde veio o fogão azul

Eu cresci dizendo que tinha 3 avós. As outras crianças faziam cara de interrogação e diziam que isso não era possível. Eu não perdia tempo insistindo, apenas sorria, pois tinha a certeza de que Tia Regina era minha terceira avó e ninguém me convenceria do contrário. E, claro, o conceito de tia-avó era complexo demais para uma criança.

Tia Regina com sobrinhos
Tia Regina com seus sobrinhos, sua boca de coração e seus olhos de gato

Quis a vida que Tia Regina não tivesse filhos. Eu poderia dizer, tentando enxergar o lado bom da história, que isso aconteceu para que ela se dedicasse ainda mais ao amor infinito que sentia pelos sobrinhos e sobrinhos-netos. Poderia, mas não digo porque seria injusto. Tia Regina nunca aceitou numa boa essa decisão unilateral da vida. Tia Regina tinha amor de sobra para os sobrinhos e para mais uma penca de filhos.

No entanto isso não a tornou uma pessoa triste ou amargurada. De jeito nenhum. Apesar de repetir quase que diariamente a frase "Eu não tive filhos", ela soube reverter muito bem esse amor em ação. Ajudou a criar todos os outros filhos da família. Banho, comida, passeio, piada, carinho. Sempre e de sobra. Nunca no mundo existiu ou existirá pessoa com mais paciência que ela para interagir com crianças. E sempre cantando modinhas e marchinhas. Ela adorava cantar e sempre era hora para música. Se fazia sol ("alalaô, mas que calor"), se estava chovendo ("tomara que chova três dias sem parar"), se havia tristeza ("ó jardineira por que estás tão triste?"), se era preciso partir ("inda mais com 4 filhos, onde é que eu vou morar?"), se era hora de sorrir ("se essa rua, se essa rua fosse minha"). E histórias, milhares de histórias. Não havia dia perto dela que não se ouvisse "Era uma vez uma menina..."

Engana-se quem pensar que ela era apenas um poço de doçura. Não. Tia Regina era uma fortaleza. Além da dor de não poder ter filhos, aguentou uma separação em plena década de 30 - quando mulher separada era vagabunda -, e viu partir, um a um, sua mãe, seu pai, quase todos os irmãos, e um de seus sobrinhos. Era nessas horas, quando todos desabavam, que ela surgia para distribuir sua força e cuidar das crianças. E ainda trabalhava, viu? Foi operária, desde os 11 anos de idade até se aposentar.

Ao contrário do que esses verbos no passado podem ter feito você pensar, ontem, 29 de novembro de 2009, Tia Regina fez 91 anos. Já está bem velhinha, não reconhece mais os sobrinhos e mal abre os olhos de gato. A luzinha está se apagando, aos poucos, mas ela resiste. Resiste porque apesar de todos os problemas de saúde que surgiram, sempre foi muito forte. Talvez tenha se acostumado a resistir aos desafios da vida. Ou talvez essa força venha da yoga que praticava diariamente, ou ainda da dieta extremamente rígida que seguia.

Tendo operado o estômago - na época em que para curar uma úlcera tirava-se parte do órgão -, precisou eliminar uma série de alimentos do cardápio e passou a comer feito um passarinho. Pela manhã, uma xícara de leite com pouquíssimo café e um pãozinho. No almoço, feijão-com-arroz (seu prato predileto, sempre me disse que chorava quando a mãe italiana não fazia), alguma mistura à base de legumes e verduras e talvez alguma carne - sempre de boi ou de frango, jamais de porco e peixe. De sobremesa, uma banana - sua grande paixão. Os doces eram raridade, mas quando apareciam eram comidos à tarde, nunca depois da refeição. E à noite, sempre, sempre, sempre, a sopetela.

Num próximo post vou falar um pouco mais da sopetela. Por enquanto, deixo uma última informação sobre a Tia Regina: foi ela quem deu o fogão azul de presente de casamento para meu pai - seu sobrinho mais novo - e minha mãe - a nora querida que virou filha. Ela criou essa tradição na família de dar o fogão para todo sobrinho ou sobrinho-neto que casasse. Como sempre, muito generosa (afinal, quem vive sem fogão?) e também muito esperta, pois assim ninguém jamais conseguiria cozinhar sem se lembrar dessa mulher incrível.

Por favor, mudem o endereço do feed!

Pessoal que assina o feed do Fogão Azul desde antes da mudança de layout do dia 19/11, tenho um pedido pra vocês: por favor troquem o endereço para este aqui - http://feeds.feedburner.com/fogaoazul

Desculpem-me pelo trabalho, a gente aqui bem que tentou evitar esse transtorno e fez umas gambiarras. Mas, como toda gambiarra que se preze, iria acabar explodindo lá na frente, então é melhor corrigir agora.

Novo feed

Nos próximos 15 dias, ao acessar o feed antigo vocês vão ser direcionados automaticamente para o feed novo, mas depois desse prazo ele vai indicar "página não encontrada". Portanto, mesmo que tudo pareça bem por enquanto, se o nome que aparece aí no seu leitor de RSS é "maria rê e o fogão azul", você deve mudar.

Aproveitando o papo com o pessoal do RSS: já entrou no site pra ver a cara nova? Queria saber sua opinião! E pra quem já entrou: fizemos pequenas mudanças nas fontes e no fundo. Gostaram?

Torta de espinafre

Torta de espinafre

Um belíssimo fim para um maço de espinafre orgânico.

Já faço essa torta - cuja receita peguei no Pecado da Gula - há algum tempo. É uma torta de liquidificador, daquelas bem fáceis e rápidas de fazer. A diferença é que esta é extremamente verde, surpreendentemente cheirosa e insuportavelmente deliciosa. Duvido você comer um pedaço só.

Ingredientes da massa

  • 3 ovos médios
  • 1 xícara de leite
  • ½ xícara de óleo de canola - usei girassol
  • 1 colher {sobremesa} rasa de sal
  • as folhas de um maço de espinafre
  • 1 dente de alho
  • ¼ de cebola cortada grosseiramente
  • 2 xícaras de farinha de trigo - dessa vez usei integral
  • 1 colher {sopa} de fermento em pó

Ingredientes do recheio (variações por sua conta)

  • queijo em fatias, cubinhos ou ralado - o que você tiver: mussarela, meia-cura, parmesão, provolone
  • tomate em cubos
  • manjericão
  • azeitonas picadas

Modo de fazer

Bata ovos, leite, óleo, sal, espinafre, cebola e alho no liquidificador. Despeje numa tigela com a farinha e o fermento peneirados. Misture com um fouet para incorporar.

Unte e enfarinhe uma forma (uma quadrada ou retangular de 20cm x 30cm). Despeje metade da massa, espalhe o recheio e cubra com o restante da massa. Leve ao forno pré-aquecido a 180° por 30 a 40 minutos ou até ficar levemente corada.