Mudaram o Aurélio e esqueceram de te avisar

Cesta de frutas: inverno 09

Essa moda do "nutricionismo" que se fortaleceu nas últimas décadas tem deixado prejuízos grandes na saúde, no bolso e no sabor do prato das pessoas. Porque agora não se fala mais em alimento, e sim em nutrientes. Logo você vai pedir sua pizza assim: "Meia carboidrato, meia proteína, capricha no licopeno e no caroteno!". Michael Pollan explica isso nesse trecho de uma entrevista à Folha (muito boa por sinal, leia completa aqui):

FOLHA - O sr. diz que a comida virou presa da ideologia. Como assim?

MICHAEL POLLAN - Meu argumento é que a maneira como pensamos sobre a comida e como desenhamos a comida hoje em dia caiu presa de uma ideologia que chamo de nutricionismo. O nutricionismo é a crença de que o que importa na comida são os nutrientes: as proteínas, os minerais, as vitaminas. E, se você obtiver o bastante dos bons nutrientes e ficar longe dos ruins, esse é o caminho para a saúde.

Essa é uma visão muito reducionista tanto da comida quanto da saúde. A comida é mais do que a soma de suas partes nutrientes. O propósito dessa ideologia é dar mais poder para a indústria da alimentação, porque ela consegue redesenhar a comida de uma maneira que a natureza não consegue, e dá também muito poder a especialistas na nossa sociedade, sejam cientistas ou jornalistas.

A maior objeção é que pensar na comida dessa maneira não tem funcionado. Nós estamos reengenheirando a nossa comida há 30 anos para ter mais coisas boas e menos coisas ruins, mas a nossa saúde dietária é pior hoje do que era. Há mais obesidade, mais diabetes, e tirar da comida a gordura -supostamente um nutriente mau- não ajudou. Estamos comendo mais carboidratos e ficando mais gordos e diabéticos.

Certo. Até aí a gente já sabia. Mas o que me deixou indignada hoje é que esse modo de pensar facilita a existência de pensamentos distorcidos e matérias bizarras como essa daqui, que afirma categoricamente que alimentos orgânicos não são mais saudáveis porque não têm mais nutrientes que os comuns. Peraí. Quando foi que saudável passou a significar ter mais nutrientes?? A ausência de agrotóxicos, pesticidas, hormônios - e sabe lá Deus mais o quê - não torna um alimento mais saudável? Mas hein?

Então, se eu digo que caminhar todos os dias é saudável, estou dizendo que caminhar me dá mais nutrientes? Eu já acho torto o caminho de raciocínio: orgânicos têm alguns nutrientes a mais do que comuns, logo orgânicos não são mais nutritivos. Não é uma inversão louca? Mas OK, até aí tudo bem. Agora dizer que não são mais saudáveis é demais.

E onde está o problema? Na pesquisa? Não. Acho a pesquisa válida - não todas, porque grande parte delas é patrocinada por empresas que fazem exigências na hora da divulgação dos resultados. O erro está na interpretação. Isso: "There is no evidence that organically produced foods are nutritionally superior to conventionally produced foodstuffs, according to a study published today (...). The review focussed on nutritional content and did not include a review of the content of contaminants or chemical residues in foods from different agricultural production regimens." vira "Alimentos orgânicos não são mais saudáveis."

Eu não sou radical a ponto de só comer alimentos orgânicos. Porque não dá para encontrar, não dá pra bancar, não dá. Mas sempre dou preferência a eles. E algumas coisas prefiro não comer se não encontrar dos sem-agrotóxicos: morangos e tomates, por exemplo (destes, uso os pelados da lata quando não encontro frescos).

A listinha abaixo, que correu o twitter (recebi pela Sylvia, do site Cachorro Verde), dá uma boa orientação na hora de fazer essas escolhas.

12 vegetais que, segundo Shopper's Guide to Pesticides in Produce, você não precisa comprar orgânicos:

  • brócolis
  • berinjela
  • repolho
  • banana
  • kiwi
  • aspargos
  • ervilhas (quando congeladas)
  • manga
  • abacaxi
  • milho (congelado)
  • abacate
  • cebola

Agora a lista dos 12 vegetais com maiores teores de pesticidas - esses, sempre que possível, devem ser orgânicos:

  • pêssego
  • maçã
  • pimentão
  • nectarina
  • morango
  • cereja
  • alface
  • uvas
  • pera
  • espinafre
  • batata
  • salsão

Envelopes de peixe com legumes

Envelopes de St Peter com legumes

Envelopes de St Peter com legumes Envelopes de St Peter com legumes

Envelopes de St Peter com legumes Envelopes de St Peter com legumes

Envelopes de St Peter com legumes

Envelopes de St Peter com legumes Envelopes de St Peter com legumes

Envelopes de St Peter com legumes

Envelopes de St Peter com legumes Envelopes de St Peter com legumes

Peguei dois filés frescos de Saint Peter, temperei com o suco de um limão, sal e pimenta-do-reino moída na hora. Deixei marinando.

Lavei, escovei e cortei em fatias bem finas (usei o ralador) uma mandioquinha, uma cenoura e uma abobrinha - a mandioquinha descasquei; cenoura não; abobrinha descasquei algumas partes pq já tava a caminho de Marrakech. Peguei um pedaço de papel-manteiga (e outro de papel alumínio, fiz um teste pra ver se tinha diferença, preferi o manteiga), coloquei numa assadeira, untei com azeite e coloquei quadradinhos de manteiga. Por cima espalhei a mandioquinha e a cenoura. Temperei com azeite, sal e pimenta. Arrumei o peixe sobre elas. Por cima, a abobrinha. Sal, azeite, pimenta-do-reino moída na hora, orégano, manjericão, manteiga. Fechei e forno. Meia hora depois (tô chutando, nunca marco tempo), um peixe bonito e saboroso. Servi com farofa de milho - tava querendo uma coisa meio indígena-boliviana-africana-roots.

Sobre a cartilha de orgânicos

Cartilha de orgânicos

Há cerca de duas semanas, fiquei sabendo - através do Twitter - de uma cartilha sobre orgânicos lançada pelo Ministério da Agricultura. Eu já estava acompanhando as ações do MAPA - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - em favor do consumo e produção de orgânicos há um tempo, e essa cartilha me impressionou ainda mais. Ilustrada por ninguém menos que Ziraldo, traz informações preciosas e muito bem explicadas. Só que a notícia que recebi também indicava um problema: essas cartilhas - já impressas - haviam sido recolhidas para a correção de um erro. Quem informava era o blog do Greenpeace. Fui atrás de mais informações e encontrei fontes afirmando que a Monsanto havia movido uma ação contra o Ministério justificando que havia uma incorreção na seguinte passagem:

O agricultor orgânico não cultiva transgênicos porque não quer colocar em risco a diversidade de variedades que existem na natureza. Transgênicos são plantas e animais onde o homem coloca genes tomados de outras espécies.

Para mim fazia muito sentido a Monsanto se revoltar e entrar com o processo. Não é interessante para eles que seja divulgado que transgênicos são ruins. E isso me provocou muita raiva. Perder um material desse por causa de uma empresa mentirosa seria muito revoltante. Mas decidi investigar um pouco mais antes de repassar as informação. Tentei entrar em contato com o MAPA por telefone e email. Após alguns dias, consegui um retorno de Roberto Mattar, da Coordenação de Agroecologia, me garantindo que não havia nenhum problema com a cartilha. A resposta não me convenceu por um motivo: o link que ele me enviou para baixar a versão em PDF não era de um site do MAPA. Se não havia problema, por que o Ministério não disponibilizava em seu site?

Pois ontem finalmente a questão foi esclarecida. Estive na Bio Fair, que acontece até amanhã na Bienal. Passei em frente ao stand do MAPA e vi que estavam sendo distribuídas as cartilhas impressas. A primeira coisa que eu fiz foi checar se havia alteração na página 7 - eu já sabia o texto de cor. Não havia. Entrei e conversei com duas pessoas do ministério, que me garantiram que tudo não passava de boato. Não havia incorreção - isso eu sabia! -, não havia processo da Monsanto, não havia recolhimento das cartilhas. Questionei sobre o fato dela não estar disponível no site, e a resposta me pareceu muito sincera: o site está sendo reformulado, e por desorganização/erro/atraso a cartilha não foi publicada. E ainda informou que a distribuição só está atrasada porque a cota de uso dos Correios pelo MAPA foi estourada no envio das cartilhas na Semana dos Orgânicos.

Para mim, está bem explicado. Se só tivesse ouvido a resposta, confesso que ficaria desconfiada. Mas a cartilha estava lá, linda e intacta. Delicie-se e divulgue você também. Use o slideshow abaixo para ver ou baixar a cartilha.

O Olho do Consumidor - cartilha sobre orgânicos ilustrada pelo Ziraldo

update 03/08/09:

O Ministério da Agricultura já voltou a disponibilizar a cartilha pelo site e a Monsanto publicou nota desmentindo o boato.

Ultrarrápido

Pão branco ultrarrápido Pão branco ultrarrápido

Deu vontade de comer pãozinho quentinho com manteiga derretendo. Deveria ser rápido, pois eu tinha uma reunião - na cova dos leões e fantasmas do passado. Lá fui eu para a receita de pão ultrarrápido na MFP (máquina de fazer pão).

  • 340 ml de leite - pode ser água ou meio a meio
  • 2 colheres {sopa} de fermento biológico seco
  • 2 colheres {sopa} de açúcar - eu uso um pouco menos
  • 2 colheres {chá} de sal
  • 3 colheres {sopa} de azeite ou manteiga - já fiz com os dois, sempre fica bom
  • 600g de farinha de trigo

Eu amorno o leite, dissolvo o fermento (mesmo usando o seco) e despejo na cuba da máquina. Acrescento então os outros ingredientes, nessa ordem. Programo no ciclo Ultrarrápido II, casca clara. Em exatos 58 minutos seu pão estará quentinho e cheiroso, pronto para derreter uma colherada de manteiga.

Eu tenho lá as minhas desconfianças em relação a essas coisas ultrarrápidas. Certamente esse pão não deve ser tão saudável e saboroso quanto um amassado à mão e fermentado naturalmente. Mas que quebra um galhão, ah, isso quebra.

Torta incrível de sardinha e alguns fantasmas

Torta incrível de sardinha

No almoço havia feito bife a cavalo, coisa rara por esse fogão. Para acompanhar, arroz com açafrão. Sim, o da-terra, aquele que é barato, faz muito bem e do qual se deve comer uma colherzinha por dia. Ficou uma delícia o arroz dessa vez. E o bife, feito no George Foreman, bem macio - será que finalmente estamos aprendendo a fazer carne?

A tarde seguiu tranquila, exceto por uns fantasmas do passado que resolveram ressurgir das cinzas. Fantasmas que viraram um pequeno turbilhão na minha cabeça e confundiram meus pensamentos. Relembrei situações, revivi sentimentos. À noite, queria uma comida quentinha, caseira e saborosa, mas tinha que ser rápido. Uma sopa e uma torta cairiam bem. Depois de uma pesquisada no meu Google Reader, me decidi por essa massa de torta que vi no Chucrute com Salsicha. A sopa seria de abóbora. Lavei e coloquei para cozinhar cerca de 600g de cubos de abóbora japonesa descascada junto com uma colher de sal e um fio de azeite. Como a pressa era grande, coloquei na pressão por uns 15 minutos. Depois de fria a panela, abri e amassei a abóbora com um amassador. Eu ia bater com o mixer, mas resolvi deixar assim. Servi com uma colher de creme de leite fresco (e o André ainda colocou queijo ralado por cima). Essa sopa deve ter sido mais um toque da vida me dizendo: Keep it simple! Porque ficou tão boa, mas tão boa, que até o André (nada chegado em sopa) repetiu. Ficou boa mesmo, e eu nem sei dizer o porquê.

Enquanto a abóbora cozinhava, fiz a massa da torta. Segui as orientações da Fer, com uma ou outra adaptação. Aqui você vê a dela.

Torta incrível de sardinha

Bati no liquidificador:

  • 3 ovos
  • 1 xícara {chá} de leite
  • 1/4 xícara {chá} de azeite
  • 1/4 xícara {chá} de óleo
  • 1 colher de chá de tempero do do Sítio Jatobá - a indicação da autora da receita era usar caldo de cubinho. A Fer trocou por alho assado e sal; eu por esse temperinho orgânico, uma mistura de alho, cebola, salsa, manjericão e sal - sem glutamato nem coisas do tipo
  • um tanto de queijo parmesão ralado na hora

Numa tigela misturei 2 xícaras {chá} de farinha de trigo com 1 colher {sopa} de fermento em pó e um pouco de orégano, manjericão e coentro - todos desidratados, era o que eu tinha (usei em substituição à salsa indicada na receita).

Adicionei a mistura do liquidificador e mexi bem. Meio que empelota um pouco, mas depois se resolve. Fica uma massa grossa, diferente da que eu estou acostuma a fazer.

Fui ao recheio: amassei uma lata de sardinhas conservadas em molho de tomate, coloquei numa panela com azeite e refoguei. Juntei molho de tomate, milho e ervilhas congelados (fui meio sem noção e joguei direto na panela - deu certo, mas não aconselho) e deixei apurar um pouco.

Untei um refratário (quadrado) com spray de azeite, despejei metade da massa, coloquei colheradas do recheio e por cima o resto da massa. Ralei mais queijo ralado por cima de tudo e coloquei no forno alto pré-aquecido por 30 minutos.

Torta incrível de sardinha

Em uma palavra: incrível. A massa tem uma textura muito boa e é muito saborosa. O recheio feito às pressas não decepcionou.

Torta incrível de sardinha

Duas mangas

Creme de manga

Duas mangas amadureciam na fruteira. Comecei a temer pela sobrevivência delas e resolvi fazer um creme. Bati no liquidificador com um tantinho de creme de leite fresco. Coisa boa.

Reciclando: quando a mistura vira molho

Orechietti com ervilha-torta

Segundona braba, resolvi o almoço rapidinho cortando um bifão de alcatra em cubinhos e colocando-os para refogar em azeite e alho numa panela. Temperei com sal e pimenta-do-reino moída na hora (eu repito sempre esse blablabla de moído na hora porque acho que realmente faz diferença). Adicionei um vidro de passata de tomate, uma colherzinha de açúcar para acertar a acidez, e muitas ervinhas secas (folhas de manjericão desidratadas por mim, orégano e alecrim). Deixei apurar e acrescentei um tanto de ervilhas-tortas, já lavadas e cortadas em três. Acertei os temperos e servi com arroz e uma farofinha.

Sobrou um potinho dessa carne e no jantar resolvi transformá-lo em molho de macarrão. Assim fiz. Cozinhei a massa (orechiette, aqueci o molho e juntei os dois. Em alguns minutos tinha uma refeição saudável e saborosa. Não é difícil evitar o desperdício. Basta um pouco de vontade e bom-senso.

Carne para quem não é muito de carne

Cubos de carne grelhados com purê de batata e salada simples de rúcula

Fim de tarde de sexta-feira, eu e André fomos caminhar no Ibirapuera. Na volta, André disse que estava com vontade de carne, mais especificamente de espetinhos. Havia a possibilidade de pararmos na casa de espetos aqui perto, mas...não. Sério, eu tô cada dia mais chata com comida de restaurante. Acho sempre pesado, e muito, muito mais caro do que realmente vale. Convenci-o a passar no mercado para comprarmos os ingredientes e eu faria em casa. Veja bem, eu sou um zero à esquerda no quesito carne. Aprendi a cozinhar quando era vegetariana (fui durante 5 anos), por isso nunca desenvolvi essas técnicas. Minha intimidade com carne beira o ridículo. Não sei que tipo comprar e consigo deixar duro o mais macio dos filés mignons. Mas desistir, jamais!

Pedimos pro açougueiro cortar bifes de alcatra bem grossos (o plano já era apelar para o George Foreman). Em casa, o André transformou os bifes em cubos grandes que eu temperei com azeite, pimenta-do-reino moída na hora, orégano, um colher do tempero do Sítio Jatobá e um pouco de vinagre (não me pergunte o porquê do vinagre, na hora me deu vontade e imaginei que fosse ficar bom). Deixei marinando por um tempo.

Enquanto isso lavei um maço de rúcula e o André descascou algumas batatas para fazermos um purê (eu não tenho comprado batatas porque não estou achando orgânicas - claro, estão fora de época! - mas minha sogra me deu um saco delas outro dia e eu não gosto de desperdício). Aproveitei também para preparar umas caipiroskas de maracujá - que ficaram deliciosas. Depois de um tempo (meia hora, talvez), fomos colocando os cubos no griller (George Foreman) bem quente. Essa é uma das dicas para fazer esse treco funcionar com carne. Porque com frango ele faz maravilhas, com salmão também (fiz uma vez só, mas ficou delicioso). Mas a carne vermelha ele resseca muito. Mas algumas coisas podem ajudar a evitar isso:

  • Aquecer bastante o griller antes de colocar a carne - para que a carne "sele"
  • Usar um apoio nos pés da frente do aparelho para deixá-lo reto e assim evitar que o "suco" da carne escorra. Dizem que vem junto uma paradinha para isso. Eu nunca vi a cor da minha, mas é fácil achar algo que a substitua na sua cozinha. Ah, sim, esse papo de que George Foreman é bom porque "tira" a gordura da carne e tals...ok, a gordura realmente escorre, mas leva junto todo o sabor e maciez do seu bife - e não é isso que você quer, certo?
  • Use bifes grossos de carne. Não dá para fazer aqueles fininhos, ficam esturricados
  • Regar com um molhinho durante o cozimento também pode ajudar
  • Saber a hora de tirar - não pode deixar muito tempo não

Saíram três "fornadas" do nosso griller. As duas primeiras foram petiscadas com rúcula (temperadinha só com limão, azeite, sal e pimenta) e a caipirinha. A última virou uma coisa mais refeição propriamente dita, acompanhada do purê (feito com as batatas cozidas amassadas na própria panela e acrescidas de leite e manteiga) e de uma salada.

Fomos petiscando ali na cozinha, de pé, ouvindo música. Climão de boteco mesmo. A primeira leva passou um pouco do ponto, mas no geral ficou tudo muito gostoso. O resultado foi que às 21h eu já estava morrendo de sono.

Rápido e rasteiro {como os 10 anos que se passaram}

Spaghettoni com ervilhas ao creme

Sábado fui a um encontro de 10 anos da minha turma da faculdade. Foi legal rever vários amigos queridos. Mas olha, falando a real, tem muita gente de quem nem me lembrava. E olha que a minha sala era formada por 25 pessoas! Fiz amizades muito fortes com uns, mas nunca interagi com metade dessa galera. E não será agora que vou me divertir horrores com eles.

E isso porque eu era extremamente sociável (leia-se baladeira) nessa época. Mas extremamente mesmo. De nunca voltar pra casa antes da meia-noite, a semana toda. Só que as companhias eram dos outros cursos. Vantagens da ECA. Você escolhe o pior curso do mundo, mas não precisa restringir suas amizades aos loucos que fizeram a mesma (péssima) escolha que você. Outra coisa legal é poder fazer aulas nesses outros cursos. Eu devo ter mais créditos nas Artes Cênicas e Artes Plásticas do que no meu departamento.

Mas a baladinha foi interessante, conheci o filho de uma amigona (que não tinha ido visitar ainda, falha gravíssima), revi uma outra que mora no Maranhão, botei o papo em dia.

Saí logo depois de almoçar (tarde) um peixe que havia feito (posto logo mais), então não senti fome no barzinho, que parecia ter opções interessantes. Mas chegando em casa a fome bateu forte. Já era tarde e apelei para um macarrãozinho rápido.

Passei rapidamente um pouco de ervilhas congeladas por água fervente e escorri. Refoguei uma colher de tempero do Sítio Jatobá em azeite e adicionei as ervilhas, um pouco de creme de leite fresco e bastante parmesão ralado. Enquanto isso, na panela ao lado, o spaghettoni acabava de cozinhar. Foi só juntar as panelas e partir pro abraço.