Já assou seus legumes hoje?

Legumes assados

Se você procura uma solução fácil para dar um destino digno aos elementos do reino vegetal que habitam sua geladeira, acaba de encontrar: mande tudo no forno.

A inspiração veio da Fer. Fica uma delícia. Tão saboroso que nem transformei numa salada como ela, comi só com azeite e sal, acompanhando sobrecoxas de frango assadas.

A minha versão teve mandioquinha, cenoura e brócolis - as raízes cortadas em palitos e o brócolis em pequenos buquês. Todos crus mesmo, não precisa cozinhar antes não. Só arrumei sobre a assadeira forrada com papel alumínio e reguei com azeite, sal e pimenta-do-reino moída na hora. Coloquei no forno alto, sem cobrir, por cerca de 20 minutos.

Ficou perfeito para o meu gosto: bem torradinho. Mas se esse não for o seu caso, é só prestar atenção na primeira vez para estabelecer um tempo razoável. Recomendo tirar o brócolis antes das raízes.

As sobrecoxas não fotografei, mas vale anotar aqui para repetir o tempero outras vezes. Deixei marinando em vinho branco, sal, alho, mostarda, açafrão-da-terra e alecrim. Assei por 20 minutos cobertas com papel alumínio e mais 20 ou 30 minutos sem cobrir.

Pão com parmesão e azeitonas

Sabe o pão ultrarrápido que postei outro dia aqui? Experimenta juntar lascas de parmesão e uma porção de azeitonas verdes fatiadas. Depois me conta.

Pão rápido com parmesão e azeitonas

Pão rápido com parmesão e azeitonas

Pão rápido com parmesão e azeitonas

Para animar um dia arrastado: filé de peixe assado com purê de inhame ao gengibre e coco

Filé de peixe com purê de inhame

Hoje tive um dia péssimo, enrolado, arrastado, com dor de cabeça e enjôo. Bebi muita água e chá de gengibre, e nem isso adiantou. Não tinha vontade nenhuma de cozinhar, qualquer movimento era difícil. Mas os filés de peixe fresco na geladeira não poderiam esperar a dor passar, e no fim do dia lá fui eu dar um destino a eles. Precisava ser algo rápido, fácil e indolor.

Peguei os três filés de Saint Peter (tilápia, lembra?), temperei com um limão (só tinha do cravo, foi esse mesmo), azeite e uma colher do temperinho orgânico do sítio Jatobá. Veja bem, esse tempero nada mais é do que sal, alho, cebola, salsa, manjericão e um tantinho de pimenta, tudo bem pilado. Não só dá para fazer em casa, como sempre fica mais gostoso feito na hora. Mas tem dias que não dá. E não preciso dizer que hoje era um deles.

Filé de peixe com purê de inhame

Cobri o refratário e deixei marinando na geladeira. Quando tomei coragem, algumas horas depois, forrei uma assadeira com papel alumínio, espalhei azeite, arrumei os filés de peixe, reguei com o caldinho da marinada. Por cima, colheradas de manteiga da boa e ervinhas - orégano e manjericão. Forno médio pra fraco até ficar do seu agrado - o meu é bem torradinho.

Precisava de um acompanhamento à altura - fácil e rápido. Olhei para os inhames orgânicos na cesta e logo pensei num purê. Para adiantar o processo, resolvi inovar e coloquei-os na panela de pressão, com casca e tudo, bem lavados. Fica bem fácil mesmo porque a casca se rompe e a polpa sai inteira, já bem molinha. Mas tem que lavar bem e tirar os fiapos antes, pra não misturar tudo. Ou deixar menos tempo na pressão. Numa panela, aqueci óleo extra-virgem de coco, joguei pedacinhos de gengibre e misturei os inhames cozidos. Amassei na própria panela com o amassador de batatas, juntei água (porque não tinha leite), sal e uma colher de manteiga. Mexi bem, no fogo baixo, até virar um creme aveludado.

Filé de peixe com purê de inhame

Depois do dia de cão, um prato de comidinha quente e saborosa como essa caiu muito bem e até me fez dar uma melhorada. Mais uma receita fácil e rápida que deu muito certo. O peixe ficou realmente saboroso e torradinho do jeito que eu gosto. E o perfume que gengibre e coco deram ao purê de inhame foi uma descoberta e tanto. Quando surgiu a ideia, só pensava nos benefícios terapêuticos dessa mistura, que acabou se revelando extremamente harmoniosa. Será repetida muitas vezes.

Se você ainda não tinha se convencido

Glutamato

Agora talvez você se convença de que o glutamato monossódico - sim, aquele tempero que parece sal, conhecido por Ajinomoto, presente em 90% (chute) das comidas industrializadas (do cubinho de caldo de carne à lasanha congelada) - deve sair da sua mesa o mais rápido possível.

Os argumentos anteriores - eu já li que ele estava relacionado a problemas como inchaço, enxaqueca, perda do paladar e câncer - pareciam não surtir muito efeito. Quem sabe agora o medo de engordar faça o povo se mexer e começar a ler os rótulos antes de colocar no carrinho do supermercado.

A notícia não é nova, mas nunca é demais repetir um alerta tão sério. A seguir um trecho do texto que chegou hoje até mim pelo twitter - @malvados:

Cientistas encontram conexão entre obesidade e glutamato monossódico

Pessoas que utilizam o glutamato monossódico, comercialmente conhecido por várias marcas, para realçar o sabor dos seus alimentos, estão mais propensas do que pessoas que não o utilizam a ficarem acima do peso ou obesas, mesmo que tenham o mesmo nível de atividades físicas e de ingestão total de calorias, de acordo com uma pesquisa feita na Universidade de Carolina do Norte, nos Estados Unidos, e publicada neste mês no jornal Obesity.

Os pesquisadores norte-americanos e seus colegas na China estudaram mais de 750 homens e mulheres chineses, com idades entre 40 e 59 anos, em três vilas rurais no norte e no sul da China. A maioria dos participantes prepara sua comida em casa sem a inclusão de alimentos processados industrialmente.

E para você entender direitinho o que é o tal glutamato, uma explicação que peguei no site da Pat Feldman, o Crianças na Cozinha. É um trecho do livro A Não Dieta dos Franceses, do Dr. Will Clower, que detalha várias substâncias presentes nos industrializados. Vale ler o post todo dela, e parece que vale também comprar o livro.

Glutamato Monossódico e seus derivados

O que é?
É o sal sódico do L-glutamato, um aminoácido.

Para que serve?
O glutamato monossódico é usado para acentuar o sabor. O Center for Science in the Public Interest indica que seu uso permite que a indústria alimentícia reduza a quantidade de ingredientes verdadeiros (como o frango) que incluem em seus alimentos processados (como sopa de galinha).

Qual seu efeito no organismo?
Os cientistas usam o glutamato monossódico como forma de induzir obesidade em cobaias. Associado a uma dieta rica em calorias, o glutamato monossódico também demonstrou causar estresse oxidativo no fígado. Nas pessoas, as reações físicas ao glutamato monossódico podem ser dor de cabeça, formigamento, fraqueza, dor de estômago, enxaqueca, náuseas, vômito, diarréia, sensação de aperto no peito, rash cutâneo ou sensibilidade à luz, barulho ou aromas. Apesar desses problemas, o FDA e um painel científico independente (FASEB) liberaram o glutamato monossódico para o consumo público.
No entanto, tome cuidado, pois o glutamato monossódico muitas vezes é encontrado em produtos alimentícios, mas rotulado de outras maneiras: ácido glutâmico, proteína vegetal hidrolisada, proteína hidrolisada, extrato de proteína vegetal, caseinato de sódio, caseinato de cálcio, extrato de levedura, proteína texturizada, farinha de aveia hidrolisada ou óleo de milho. Se você encontrar esses ingredientes no rótulo dos alimentos, é sinal de que o glutamato monossódico também está presente no produto.

Os tomatinhos voltaram

Voltaram os tomatinhos

Na última quarta, um dia quente e ensolarado no meio desse inverno, tive uma típica refeição de verão. Simples, rápida, fresca e colorida. Olha que dificuldade:

Passo 1: cortei uma porção de lindos e vermelhos tomatinhos orgânicos, temperei com sal, pimenta-do-reino moída na hora, azeite e uma boa colherada de mostarda escura e extra-forte. Deixei pegar gosto.

Passo 2: escondi todos dentro de um pão e comi.

Reciclando: frango desfiado

Nessa semana fiz caldo de frango. Do mesmo jeito que já descrevi aqui. Só que dessa vez o frango era maior e sobrou muita carne. Sem ideias do que fazer, desfiei e guardei em potinhos.

Reciclando: frango com legumes

A primeira leva fiz com legumes. Aqueci óleo de coco, refoguei alho e uma abobrinha cortada em cubos. Juntei o frango desfiado, um tanto de milho cozido e temperos - sal, pimenta-do-reino moída na hora, ervinhas. Bateu a maior dúvida se finalizava com molho de tomate, creme de leite ou leite de coco. Atendendo a pedidos, desisti e não coloquei nenhum - sábia decisão, estava delicioso assim bem simples. Comemos com arroz branco.

Reciclando: frango com legumes

Com a segunda leva, fiz um molho de macarrão. Alho refogado no azeite, frango desfiado, passata de tomates, sal e bastante manjericão. Fogo baixo, deixa apurar. Uma massa de boa qualidade (fui de fusilli da Barilla) cozida em água fervente salgada. Está pronta uma bela e saborosa refeição. Ficou tão gostoso que nem deu tempo de fotografar.

Dois potinhos de frango já foram. Só falta um.

Fast {and good} food

Cortei uma abobrinha e dois tomates (eles voltaram, eles voltaram! é o sabor do verão retornando à minha vida - adoro), espalhei numa assadeira coberta com papel manteiga. Temperei com azeite, sal, pimenta e ervas - eu não tinha ne-nhu-ma erva fresca, então me virei com folhas de manjericão e alecrim que eu mesma desidratei um tempo atrás. Forno até você achar que a cara está boa - pra mim tem que estar com pontinhas meio queimadinhas. Tirei, espalhei lascas fininhas de parmesão e devolvi pro forno, já desligado.

Enquanto isso, numa panelinha, refoguei meia cebola (ralada, siempre!) em azeite, juntei 1 xícara de arroz, depois o dobro de água quente, sal, cúrcuma (açafrão-da-terra). Abaixei o fogo e tampei.

Quinze minutos depois, o resultado:

É verão?

Resumindo: no tempo em que você estaria na fila do fast food, prepara um prato lindo, saboroso e saudável. E, claro, muito mais barato. Vai dizer que não tem tempo? É tão rápido que dá pra encaixar na sua hora de almoço. E ainda sobra um tempo pra você ficar de bobeira, tomar um banho, brincar com seu cachorro. Claro que nem todo mundo tem a sorte de poder ir pra casa na hora do almoço. Mas, pelo menos no jantar, troque o disk-pizza por comida de verdade e seja feliz.

É verão?

É verão?

É verão?

É verão?

É verão?

É verão?

Um guia para escolher o peixe que vai à sua mesa

Cajaíba - Mais barquinhos coloridosPouso da Cajaíba, verão de 2006

Taí uma questão que a gente facilmente empurra pra dentro de uma gaveta, fecha bem e promete que volta depois pra pensar a respeito. Porque mexe com a nossa conveniência, com os nossos padrões, com o nosso prato. E começam as desculpas: "Ah, mas eu não tenho tempo pra cozinhar não, PRECISO das minhas latinhas de atum!" ou "Nossa, mas o moço do Globo Repórter disse que salmão faz muito bem e que eu TENHO que comer uma vez por semana!".

O fato é: pode ser que você continue comendo bacalhau até o fim dos seus dias, mas é muito provável que seus netos ou bisnetos não saibam nem que gosto ele tem. Porque acaba, né? Tudo que é tirado do seu devido lugar de um jeito errado, acaba. E aí não tem fazenda ou cercadinho que resolva - na maioria das vezes, só piora.

Eu já tinha me deparado com o assunto algumas vezes. Muita gente boa já falou a respeito: a Carla Pernambuco, o Luis Guerreiro, a Mariana. Agora achei que valia a pena comentar porque encontrei um post super bacana da Lucia Malla, no qual ela apresenta um guia para o nosso consumo de peixes. Autorizada pela própria, reproduzo aqui:

1) NUNCA compre cação. NUNCA coma cação, independente de onde você more. Tubarões ou cações são peixes ameaçadíssimos de extinção no mundo inteiro e ao comê-los, você incentiva o tenebroso comércio de barbatanas pra China. Além do mais, tubarão/cação, como animal do topo da cadeia ecológica, é um dos peixes que mais acumula mercúrio na sua carne, o que é péssimo para a saúde humana. Tubarão não é saudável.

2) Abuse das tilápias no seu cardápio. Tilápias são mais sustentáveis e fáceis de serem criadas para consumo, e geram menos problemas para o ambiente. Como tilápia é uma "marca" de peixe que as pessoas acham "inferior" por sua carne ter naturalmente um gosto de terra, criaram o "St. Peter", que nada mais é que uma variedade de tilápia melhorada criada em cativeiro com carne mais branca e alimentada com ração, o que não deixa que a carne fique com o gosto da terra.

3) Evite bacalhau sempre que possível. O bacalhau é todo importado de longe. Além disso, seus estoques nos locais onde pode ser encontrado no planeta estão à míngua. O preço do bacalhau é assustadoramente caro, e isso é um indicativo da sua raridade cada vez maior - o bacalhau já está extinto em diversas áreas. O João sugere, nos comentários, aos que moram próximo do Pantanal um substituto, o pacu, que também é salgado como o bacalhau. Já a Flávia, sugere aos que moram na Amazônia o pirarucu, que também é salgado como o bacalhau.

4) Só compre lagostas entre maio e dezembro. De janeiro a abril é a época de reprodução desses animais, e se alguém está vendendo lagosta recém-pescada nesse período, está burlando a lei, que proíbe em todo o território brasileiro a pesca da lagosta no período reprodutivo.

5) Evite camarões e consuma-os apenas no período não-reprodutivo. No geral, a pesca do camarão ainda é feita com arrasto, atividade destruidora que joga fora muitos quilos de peixe não-consumível para cada pratinho de camarão coletado. Portanto, é um "desserviço" ao ambiente. Sendo o maior exportador de camarão o nordeste brasileiro, consumi-los por lá é ecologicamente mais adequado que em outras regiões do país. E, apesar de todos os pesares ecológicos, camarão é cultivável, o que facilita seu consumo (o desgaste ecológico da região onde são feitos esses tanques é outro papo mais complicado...) No mar selvagem, há diferentes espécies de camarão que são pescados para consumo e cada uma delas possui um período reprodutivo específico nas diferentes regiões do país. Nesse período a sua pesca é proibida pelo IBAMA. Para o camarão-rosa no extremo nordeste, o período reprodutivo é de março a maio, enquanto na Bahia e Espírito Santo é de setembro a novembro. Os pescadores que dependem dessa atividade para viver são autorizados pelo governo a pedir seguro-desemprego no período reprodutivo, que cobre as perdas por não pescar. Já o camarão-sete-barbas se reproduz entre novembro e meados de dezembro no sudeste do país, sendo essa portanto a época para se evitá-lo. Não achei na internet uma lista clara do período reprodutivo de cada espécie consumida, portanto se alguém souber de tal informação, fico deveras agradecida.

6) Evite salmão cultivado. E se possível, evite salmão em geral, já que ele já se extinguiu em muitas áreas do mundo. Sendo o salmão um peixe de águas gélidas, o salmão selvagem que se consome no Brasil é em sua maioria importado do Chile, o que requer transporte refrigerado em longas distâncias, o que aumenta a emissão de CO2 via queima de combustível fóssil, etc. O preço reflete a dificuldade logística da sua pesca, e por isso, as fazendas de salmão parecem tentadoras. Mas não se engane: o dano que uma fazenda de salmão causa ao ambiente é insano.

7) Consuma preferencialmente os peixes e frutos do mar da sua região. Se você mora perto de rio, consuma peixes de água doce. Se mora perto do mar, consuma peixes de água salgada, de preferência comuns no seu litoral e pescados de forma artesanal, por pescadores de comunidades não envolvidos com pesca em escala industrial. Procure essa informação no órgão do governo estadual ou municipal da sua área que lida com questões de pesca, e vá à peixaria munido da lista adequada de peixes e frutos do mar da sua região.

8) Verifique a espécie de atum ao comprá-lo. Nem todas as espécies de atum estão igualmente ameaçadas de extinção. Infelizmente, o atum azul (blue fin tuna, em inglês), espécie migratória presente apenas em alto-mar e preferido pelos grandes chefs de sushi do mundo, é uma das mais ameaçadas, exatamente pelo alto consumo de sushi no Japão. O Brasil, entretanto, parece ter atum em abundância suficiente para garantir o mercado interno - embora a reportagem linkada não diga que espécies exatamente. E sabemos que há espécies ameaçadas de atum aqui no Brasil, sim. E eu, na dúvida da procedência real, prefiro evitar atum.

9) Preste atenção especial aos congelados. Principalmente animais sazonais, que congelados se tornam difíceis de identificar sua data de pesca - ou seja, em tese, você não sabe se o fulano da indústria pescou aquele camarão no período reprodutivo ou não. Dê preferência ao produto fresco e congele em casa, para consumo posterior. Assim você pelo menos sabe de quando o peixe realmente é.

Eu serei eternamente grata à Lucia por essas informações. São tristes, é verdade, mas muito úteis. Bora diminuir o consumo de peixes, preferir tilápia e esquecer o cação?

Comfort Friday {com curry de legumes}

Curry de legumes

Não tem gosto de comida de infância. Minha mãe nunca fez. Minha avó muito menos. Mas como foi reconfortante esse pratinho de curry de legumes...

Depois de alguns dias exagerando nos quitutes de café-da-manhã e chá-da-tarde (tapioca, bolo, queijo, etc.), tudo de que eu precisava era um prato de comida. De preferência, bem colorido, cheio de legumes e acompanhado de arroz fresquinho.

Um curry de legumes veio a calhar. Sei nem se posso chamar assim, já que inventei a receita e, pra variar, não segui nenhum padrão. Espero que os japoneses (ou os indianos, chineses, coreanos, sabe-se lá quem mais faz curry por aí) me perdoem se eu estiver usando o nome em vão. Falando em japoneses, lembrei muito de Ami-san ao fazer esse curry. Ami é uma querida amiga japonesa (de verdade), com quem tive o prazer de dividir uma casa e muitos meses de descobertas - ela, dos sabores brasileiros; nós, do que se come de fato numa casa no Japão. Ami fazia curry (care, karê, caril, são tantas variações e eu sem pressa alguma para entender as diferenças) com muita frequência. Só não fazia mais do que missoshiru, que era praticamente diário. Eu confesso que não lembro como Ami fazia curry. Ou porque minha memória está um lixo, ou porque não prestei a devida atenção. Lembro que ficava muito saboroso. E lembro de muitas outras coisas: do dia em que fomos juntas à Liberdade (com o Flavião, claro!), do dia em que ela fez Tarte Tatin, e também me lembro que Ami comia muito mamão - julgava ser a melhor fruta brasileira, e fazia cara de choro ao pensar que não poderia mais comer quando voltasse ao Japão, ao contrário das óbvias mangas, que eram até bastante comuns por lá.

A receita dessa minha versão de curry:

  • Ervilha-torta - retirei as pontas e fios, cortei em três
  • Cenoura - cortei em cubinhos
  • Abobrinha - cortei em cubinhos
  • Passata de tomate - definitivamente, uma invencionice minha - precisava acabar com um vidro que estava pela metade na geladeira
  • Azeite
  • Óleo de coco
  • Curry em pó - eu fiz a minha própria mistura com o que tinha em casa: cúrcuma, pimenta-do-reino, canela, cravo, louro, cominho, noz-moscada e gengibre
  • Cebola ralei
  • Sal
  • Iogurte natural - usei (e uso sempre) o integral
  • Gergelim preto

Numa panela, aqueci o azeite e óleo de coco. Dourei a cebola ralada. Juntei a passata de tomate e todos os temperos. A seguir, a cenoura. Mais tarde, as ervilhas-tortas, e mais pro fim, a abobrinha. Tampei a panela e deixei cozinhar. Quando os legumes estavam macios e a casa toda perfumada, desliguei o fogo e adicionei o iogurte. Servi com arroz branco e decorei com gergelim preto.

Curry de legumes

Bolo de maracujá {acalma o coração}

Bolo de maracujá

Estava querendo fazer esse bolo há muito tempo. Aprendi com a minha mãe e está na minha lista de Top 5, com certeza. Gosto das oposições que existem nele: no sabor (doce x azedo), na cor (amarelo x preto), na textura (macio da massa x croc croc das sementes). Oposições geram equilíbrio - nossa estrutura corporal é feita de milhões de oposições (ósseas, musculares), que garantem que a gente fique em pé - e taí um adjetivo que pode ser aplicado a esse bolo: equilibrado. O único desequilíbrio fica mesmo pra hora de comer. Dureza se contentar com um só pedaço.

Ontem, depois de um dia meio estranho, logo depois de derrubar um copo de requeijão no chão - sim, dos de vidro e sim, estava cheio e perdi tudo e deu trabalho pra limpar e continuo achando microcaquinhos de vidro pelo chão - decidi que precisava de um bolo para alegrar meu coração. Alguns maracujás na gaveta me indicaram que havia chegado a hora de vencer a preguiça e matar a vontade. Essa é uma das poucas receitas que me motivam a separar claras das gemas. Eu morro de preguiça, admito.

Bolo de maracujá

Para a massa:

  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 2 xícaras de açúcar
  • 5 ovos - separados
  • 1 xícara de polpa de maracujá - uns 2 ou 3, dependendo do tamanho
  • 100 gramas de manteiga
  • 1 colher {sopa} de fermento

Bater o maracujá no liquidificador. Bater as claras em neve. Reservar os dois.

Bater as gemas com o açúcar e a manteiga. Juntar o maracujá batido, depois a farinha e mexer bem. Misturar o fermento e por fim as claras. Despejar em forma untada e enfarinhada. Assar em forno pré-aquecido - o meu assou tão rápido, acho que em 20 ou 25 minutos, por pouco não queima, viva o forno forte do fogão azul! =)

Para a calda:

  • 1 xícara de polpa de maracujá, batido no liquidificador
  • 1 xícara de açúcar - usei cristal, orgânico

Ferver até chegar numa consistência de geleia. Despejar sobre o bolo ainda quente.

Bolo de maracujá

Essa foi a primeira vez que usei açúcar cristal (e orgânico) na calda e sinto que ficou diferente. Menos geleia e mais glacê. Não sei se tem a ver com o açúcar, ou com tempo no fogo. Preciso fazer mais vezes para investigar...

UPDATE (25/03/10): Testado e comprovado: tem a ver com o tempo no fogo. Reduza-o. Eu também reduzi a quantidade de açúcar pela metade. Pode usar açúcar cristal orgânico sem medo de ser feliz.