Orgânicos e incensos II - olhos de blogueira

Quando decidi ir à feira, no dia 21, já não era mais possível fazer o cadastramento pelo site. Descobri também que os dias 23 e 24 estavam reservados a profissionais da área. Eu queria ir na quinta por alguns motivos: estaria mais vazio, eu poderia sobrinhar no fim-de-semana e ainda poderia escrever este post antes do final da feira - ironicamente estou postando mais de uma semana depois. Entrei em contato com os organizadores pelo site, me identificando como blogueira e perguntando se havia a possibilidade de visitar a feira no dia 23. Recebi uma resposta rápida e muito gentil:

Olá, Maria Regina, tudo bem?

Para realizar a cobertura da feira, basta se credenciar no Centro de Imprensa. Dia 23/07, a feira terá início ao meio-dia. Nos demais dias, o horário é das 11h às 20h.

Obrigada e aguardamos vc lá!

Pois não é que um cliente ligou pedindo uma reunião justo para quinta à tarde? Adiei, então, minha visita para sexta. Lá chegando, guarda-chuva na mão, perguntei ao segurança onde deveria fazer meu cadastramento como imprensa.

Segurança 1 - Imprensa? Tem um cartão da empresa?

Maria Rê - Hum, tenho, mas não do meu blog. Adianta?

Segurança 1 - Blog?

Maria Rê - Sim, eu tenho um blog. Falei com o pessoal que organiza a feira, me indicaram para fazer cadastramento como imprensa.

Segurança 1, com cara de desconfiado, mas amigável - Fulano, acompanha ela até a sala de imprensa.

Seguimos para a sala e Fulando tenta explicar que são regras, sabe como é, o pessoal pede. Sem problemas.

Chego à sala de imprensa e conto minha história para um rapaz sentado atrás de um computador:

[maria rê] - Oi, tudo bem? Eu tenho um blog sobre alimentação, falei com o pessoal da organização por email anteontem, me disseram para fazer cadastramento aqui com vocês.

[rapaz do cadastramento] - Blog?

[maria rê] - É, um blog.

[rapaz do cadastramento] - Hum. Tem um cartão?

[maria rê] - Tenho da minha agência, mas não do blog. Serve?

[rapaz do cadastramento] - Acho que sim.

[maria rê] - Viu, eu posso fotografar ou tem alguma restrição?

[rapaz do cadastramento] - Ah, isso aí tem que ver com a Fulana.

[maria rê] - Oi Fulana, tudo bem? Eu tenho um blog sobre alimentação e...

[fulana] - Blog?

[maria rê] - Isso, um blog. Sobre alimentação. Queria saber se posso fotografar a feira ou se há alguma restrição.

[fulana] - Hum. Mas fotografar? Um blog? Hum. Porque assim... Não sei. É um blog...pessoal?

[maria rê] - Sim.

[fulana] - Mas você é jornalista?

[maria rê, tentando descontrair] - Olha, depende, né? Agora que caiu o diploma ou antes? (hohoho...)

[fulana] - Hum. Bom, eu não sei, tem que ver com a Raquel.

Olho pro lado e a moça que parecia ser a Raquel está correndo de um lado para o outro, ocupadíssima. Eu já estava quase desistindo, mas Fulana continuou:

[fulana] - Raquel, olha, ela tem um blog e quer saber se pode fot...

[raquel] - Claro que pode! Tudo bem? Prazer, Raquel. Olha, fica à vontade, pode fotografar o que quiser. Você precisa de alguma informação, alguma ajuda? Se precisar pode falar comigo ou com qualquer um daqui. E olha, vai ter uma aula de culinária agora bem ali no fundo, com a Fernanda Franco. Ela tá de azul. Fala com ela, de repente rola uma receita. Eu vou estar por ali também, qualquer coisa fala comigo.

Incrível, né? Conhecimento é tudo nessa vida. Ainda ressalto que quando eu estava quase indo embora, Raquel me viu e me chamou. Sim, me chamou pra perguntar se eu tinha conseguido tudo que precisava, se queria fotos, se precisava de alguma coisa. Ainda me fez anotar seu email pra pedir alguma coisa se precisasse e também para passar o endereço do meu blog. Raquel, vou te escrever assim que publicar o post. Registro aqui meus cumprimentos pelo excelente trabalho.

Orgânicos e incensos I - olhos de consumidora

Decidi que neste ano iria à Bio Brazil Fair, a feira de produtos orgânicos que aconteceu no prédio da Bienal entre os dias 23 e 26 de julho. Numa sexta-feira chuvosa e fria, quando tudo que eu queria era entrar debaixo do edredom com 1 litro de chocolate quente, lá fui eu pro Parque do Ibirapuera.

Comecei meu passeio me sentindo um peixe fora d'água. Até aí, nenhuma novidade. Eu sempre preciso da minha meia hora, hora e meia para me ambientar. Fico andando, olhando, duas, três vezes. De início acho tudo estranho, mas passado esse tempo já estou sentada na cozinha tomando cafezinho.

Uma informação importante é que acontecem duas feiras ao mesmo tempo: a Bio Brazil Fair, que é de produtos orgânicos e agroecologia; e a Natural Tech, de alimentação saudável, produtos naturais e saúde. E existe uma diferença muito, mas muito grande entre elas. Pelo menos na minha humilde percepção.

Na de orgânicos havia dois tipos de stands. De um lado, os grandes e ricos, como o da Native: bonito, atraente, uma bela prateleira de produtos à venda e uma ação genial: distribuir algodão-doce feito com açúcar demerara orgânico - claro que eu tive que provar, e confesso que é delicioso. Do outro, os pequenininhos, feinhos, pero mucho honestos, com produtos interessantes, muitas vezes com os próprios produtores vendendo. Isso faz - pra mim - toda a diferença. Conversei com muito produtor, aprendi histórias, dicas, receitas, tudo direto da fonte.

Algodão-doce

Quando entrei na outra feira, senti cheiro de golpe. Na verdade senti cheiro de incenso, e pra mim incenso cheira a golpe. Eu sou suspeita porque não gosto muito dessas varetinhas perfumadas. Acho forte, enjoativo, todos parecidos. Ok, ok, eu sei que devem ter alguns bons, que os originais-de-não-sei-onde podem ser deliciosos, que eu talvez não conheça os incensos de raiz. Mas pra mim eles simbolizam todo um tipo de gente/loja que se aproveita do sucesso de "produtos naturais" pra vender bobagens. Generalizar não é legal, mas às vezes eu me permito. Incenso me lembra gnomos e bruxinhas, roupa indiana made in china, pozinho para crescer músculo. Sim, na minha cabeça é assim. E nesse lado da feira também era. Ou quase. Imagine você que havia stand da Fibraxx (lembra?), de produtos diet/light, de mandiopã, da Suprema Mestra Ching Hai (ai...) e, acredite, da revista Muscle in Form. Olha, não quero entrar no mérito de julgar e avaliar cada uma dessas empresas/produtores. Mas acho meio complicado juntar tudo isso, ainda mais sob o nome de alimentação saudável, produtos naturais e saúde. Claro que havia alguns stands bacanas aí no meio, mas o cheiro de golpe me causou uma repulsa enorme. Não consegui ficar muito tempo desse lado da feira.

Folheto da Mestra Gla Gla Gla

Outra coisa que me chamou à atenção foi a herbalifização de muitos produtos. Sim, do nada, fui abordada por um homem perguntando se eu conhecia o suco de aloe vera e dizendo que eu poderia aumentar a minha renda revendendo o produto. E insistiu loucamente para eu ir até o stand falar com a gerente e gla gla gla gla... Tudo que eu queria nessa hora era um botão Report Spam.

Das quase 4 horas que passei lá, a maior parte foi gasta conversando com produtores e assistindo aulas de culinária. A melhor que vi foi a do Guga Rocha, chef alagoano muito bem-humorado e falador, que ensinou a fazer um curry de legumes servido sobre chima de mandioca, decorado com espetinho de tofu defumado e perfumado com óleo de coco temperado com ervas (ufa!). Delicioso. Logo mais eu vou reproduzir aqui em casa e depois passo a receita direitinho.

Aula do Guga Rocha

Sei que essa aula me convenceu de vez a comprar o óleo de coco. Eu já ouço a Pat falar faz tempo dos benefícios desse produto, mas nunca tinha provado. O cheiro que subiu quando Guga botou o óleo pra derreter no fogo foi tão incrível que saí de lá direto pro stand comprar dois vidros. A Pat vende também, e o dela é orgânico. Eu já usei aqui pra fazer um risotto e também pra massagear dia desses que a cólica tava pegando forte. Não sei se tem algum fundamento ou se eu que estava sugestionada, mas funcionou.

Minhas outras compras foram: açúcar demerara e o novo café extra-forte da Native (estavam mais baratos que por aí); chás orgânicos Tribal - mate com gengibre + limão e mate com hibiscus (deliciosos os dois); sucos de uva Coopeg (estavam um pouco mais caros do que encontro aqui perto, mas gostei tanto do papo com a produtora que resolvi levar para ajudar - e tive uma grata surpresa, pois eram feitos de outro tipo de uva, mais saboroso). Tive que desistir de muitas compras porque claro que esqueci de passar no caixa eletrônico, e claro que não tinha caixa por perto, e claro que alguns stands não aceitavam cheque. Humpf!

Se alguém aí espera uma conclusão, digo que gostei, que a feira vale a visita, e que pretendo sim voltar no ano que vem.

Mudaram o Aurélio e esqueceram de te avisar

Cesta de frutas: inverno 09

Essa moda do "nutricionismo" que se fortaleceu nas últimas décadas tem deixado prejuízos grandes na saúde, no bolso e no sabor do prato das pessoas. Porque agora não se fala mais em alimento, e sim em nutrientes. Logo você vai pedir sua pizza assim: "Meia carboidrato, meia proteína, capricha no licopeno e no caroteno!". Michael Pollan explica isso nesse trecho de uma entrevista à Folha (muito boa por sinal, leia completa aqui):

FOLHA - O sr. diz que a comida virou presa da ideologia. Como assim?

MICHAEL POLLAN - Meu argumento é que a maneira como pensamos sobre a comida e como desenhamos a comida hoje em dia caiu presa de uma ideologia que chamo de nutricionismo. O nutricionismo é a crença de que o que importa na comida são os nutrientes: as proteínas, os minerais, as vitaminas. E, se você obtiver o bastante dos bons nutrientes e ficar longe dos ruins, esse é o caminho para a saúde.

Essa é uma visão muito reducionista tanto da comida quanto da saúde. A comida é mais do que a soma de suas partes nutrientes. O propósito dessa ideologia é dar mais poder para a indústria da alimentação, porque ela consegue redesenhar a comida de uma maneira que a natureza não consegue, e dá também muito poder a especialistas na nossa sociedade, sejam cientistas ou jornalistas.

A maior objeção é que pensar na comida dessa maneira não tem funcionado. Nós estamos reengenheirando a nossa comida há 30 anos para ter mais coisas boas e menos coisas ruins, mas a nossa saúde dietária é pior hoje do que era. Há mais obesidade, mais diabetes, e tirar da comida a gordura -supostamente um nutriente mau- não ajudou. Estamos comendo mais carboidratos e ficando mais gordos e diabéticos.

Certo. Até aí a gente já sabia. Mas o que me deixou indignada hoje é que esse modo de pensar facilita a existência de pensamentos distorcidos e matérias bizarras como essa daqui, que afirma categoricamente que alimentos orgânicos não são mais saudáveis porque não têm mais nutrientes que os comuns. Peraí. Quando foi que saudável passou a significar ter mais nutrientes?? A ausência de agrotóxicos, pesticidas, hormônios - e sabe lá Deus mais o quê - não torna um alimento mais saudável? Mas hein?

Então, se eu digo que caminhar todos os dias é saudável, estou dizendo que caminhar me dá mais nutrientes? Eu já acho torto o caminho de raciocínio: orgânicos têm alguns nutrientes a mais do que comuns, logo orgânicos não são mais nutritivos. Não é uma inversão louca? Mas OK, até aí tudo bem. Agora dizer que não são mais saudáveis é demais.

E onde está o problema? Na pesquisa? Não. Acho a pesquisa válida - não todas, porque grande parte delas é patrocinada por empresas que fazem exigências na hora da divulgação dos resultados. O erro está na interpretação. Isso: "There is no evidence that organically produced foods are nutritionally superior to conventionally produced foodstuffs, according to a study published today (...). The review focussed on nutritional content and did not include a review of the content of contaminants or chemical residues in foods from different agricultural production regimens." vira "Alimentos orgânicos não são mais saudáveis."

Eu não sou radical a ponto de só comer alimentos orgânicos. Porque não dá para encontrar, não dá pra bancar, não dá. Mas sempre dou preferência a eles. E algumas coisas prefiro não comer se não encontrar dos sem-agrotóxicos: morangos e tomates, por exemplo (destes, uso os pelados da lata quando não encontro frescos).

A listinha abaixo, que correu o twitter (recebi pela Sylvia, do site Cachorro Verde), dá uma boa orientação na hora de fazer essas escolhas.

12 vegetais que, segundo Shopper's Guide to Pesticides in Produce, você não precisa comprar orgânicos:

  • brócolis
  • berinjela
  • repolho
  • banana
  • kiwi
  • aspargos
  • ervilhas (quando congeladas)
  • manga
  • abacaxi
  • milho (congelado)
  • abacate
  • cebola

Agora a lista dos 12 vegetais com maiores teores de pesticidas - esses, sempre que possível, devem ser orgânicos:

  • pêssego
  • maçã
  • pimentão
  • nectarina
  • morango
  • cereja
  • alface
  • uvas
  • pera
  • espinafre
  • batata
  • salsão

Envelopes de peixe com legumes

Envelopes de St Peter com legumes

Envelopes de St Peter com legumes Envelopes de St Peter com legumes

Envelopes de St Peter com legumes Envelopes de St Peter com legumes

Envelopes de St Peter com legumes

Envelopes de St Peter com legumes Envelopes de St Peter com legumes

Envelopes de St Peter com legumes

Envelopes de St Peter com legumes Envelopes de St Peter com legumes

Peguei dois filés frescos de Saint Peter, temperei com o suco de um limão, sal e pimenta-do-reino moída na hora. Deixei marinando.

Lavei, escovei e cortei em fatias bem finas (usei o ralador) uma mandioquinha, uma cenoura e uma abobrinha - a mandioquinha descasquei; cenoura não; abobrinha descasquei algumas partes pq já tava a caminho de Marrakech. Peguei um pedaço de papel-manteiga (e outro de papel alumínio, fiz um teste pra ver se tinha diferença, preferi o manteiga), coloquei numa assadeira, untei com azeite e coloquei quadradinhos de manteiga. Por cima espalhei a mandioquinha e a cenoura. Temperei com azeite, sal e pimenta. Arrumei o peixe sobre elas. Por cima, a abobrinha. Sal, azeite, pimenta-do-reino moída na hora, orégano, manjericão, manteiga. Fechei e forno. Meia hora depois (tô chutando, nunca marco tempo), um peixe bonito e saboroso. Servi com farofa de milho - tava querendo uma coisa meio indígena-boliviana-africana-roots.

Sobre a cartilha de orgânicos

Cartilha de orgânicos

Há cerca de duas semanas, fiquei sabendo - através do Twitter - de uma cartilha sobre orgânicos lançada pelo Ministério da Agricultura. Eu já estava acompanhando as ações do MAPA - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - em favor do consumo e produção de orgânicos há um tempo, e essa cartilha me impressionou ainda mais. Ilustrada por ninguém menos que Ziraldo, traz informações preciosas e muito bem explicadas. Só que a notícia que recebi também indicava um problema: essas cartilhas - já impressas - haviam sido recolhidas para a correção de um erro. Quem informava era o blog do Greenpeace. Fui atrás de mais informações e encontrei fontes afirmando que a Monsanto havia movido uma ação contra o Ministério justificando que havia uma incorreção na seguinte passagem:

O agricultor orgânico não cultiva transgênicos porque não quer colocar em risco a diversidade de variedades que existem na natureza. Transgênicos são plantas e animais onde o homem coloca genes tomados de outras espécies.

Para mim fazia muito sentido a Monsanto se revoltar e entrar com o processo. Não é interessante para eles que seja divulgado que transgênicos são ruins. E isso me provocou muita raiva. Perder um material desse por causa de uma empresa mentirosa seria muito revoltante. Mas decidi investigar um pouco mais antes de repassar as informação. Tentei entrar em contato com o MAPA por telefone e email. Após alguns dias, consegui um retorno de Roberto Mattar, da Coordenação de Agroecologia, me garantindo que não havia nenhum problema com a cartilha. A resposta não me convenceu por um motivo: o link que ele me enviou para baixar a versão em PDF não era de um site do MAPA. Se não havia problema, por que o Ministério não disponibilizava em seu site?

Pois ontem finalmente a questão foi esclarecida. Estive na Bio Fair, que acontece até amanhã na Bienal. Passei em frente ao stand do MAPA e vi que estavam sendo distribuídas as cartilhas impressas. A primeira coisa que eu fiz foi checar se havia alteração na página 7 - eu já sabia o texto de cor. Não havia. Entrei e conversei com duas pessoas do ministério, que me garantiram que tudo não passava de boato. Não havia incorreção - isso eu sabia! -, não havia processo da Monsanto, não havia recolhimento das cartilhas. Questionei sobre o fato dela não estar disponível no site, e a resposta me pareceu muito sincera: o site está sendo reformulado, e por desorganização/erro/atraso a cartilha não foi publicada. E ainda informou que a distribuição só está atrasada porque a cota de uso dos Correios pelo MAPA foi estourada no envio das cartilhas na Semana dos Orgânicos.

Para mim, está bem explicado. Se só tivesse ouvido a resposta, confesso que ficaria desconfiada. Mas a cartilha estava lá, linda e intacta. Delicie-se e divulgue você também. Use o slideshow abaixo para ver ou baixar a cartilha.

O Olho do Consumidor - cartilha sobre orgânicos ilustrada pelo Ziraldo

update 03/08/09:

O Ministério da Agricultura já voltou a disponibilizar a cartilha pelo site e a Monsanto publicou nota desmentindo o boato.

Ultrarrápido

Pão branco ultrarrápido Pão branco ultrarrápido

Deu vontade de comer pãozinho quentinho com manteiga derretendo. Deveria ser rápido, pois eu tinha uma reunião - na cova dos leões e fantasmas do passado. Lá fui eu para a receita de pão ultrarrápido na MFP (máquina de fazer pão).

  • 340 ml de leite - pode ser água ou meio a meio
  • 2 colheres {sopa} de fermento biológico seco
  • 2 colheres {sopa} de açúcar - eu uso um pouco menos
  • 2 colheres {chá} de sal
  • 3 colheres {sopa} de azeite ou manteiga - já fiz com os dois, sempre fica bom
  • 600g de farinha de trigo

Eu amorno o leite, dissolvo o fermento (mesmo usando o seco) e despejo na cuba da máquina. Acrescento então os outros ingredientes, nessa ordem. Programo no ciclo Ultrarrápido II, casca clara. Em exatos 58 minutos seu pão estará quentinho e cheiroso, pronto para derreter uma colherada de manteiga.

Eu tenho lá as minhas desconfianças em relação a essas coisas ultrarrápidas. Certamente esse pão não deve ser tão saudável e saboroso quanto um amassado à mão e fermentado naturalmente. Mas que quebra um galhão, ah, isso quebra.

Torta incrível de sardinha e alguns fantasmas

Torta incrível de sardinha

No almoço havia feito bife a cavalo, coisa rara por esse fogão. Para acompanhar, arroz com açafrão. Sim, o da-terra, aquele que é barato, faz muito bem e do qual se deve comer uma colherzinha por dia. Ficou uma delícia o arroz dessa vez. E o bife, feito no George Foreman, bem macio - será que finalmente estamos aprendendo a fazer carne?

A tarde seguiu tranquila, exceto por uns fantasmas do passado que resolveram ressurgir das cinzas. Fantasmas que viraram um pequeno turbilhão na minha cabeça e confundiram meus pensamentos. Relembrei situações, revivi sentimentos. À noite, queria uma comida quentinha, caseira e saborosa, mas tinha que ser rápido. Uma sopa e uma torta cairiam bem. Depois de uma pesquisada no meu Google Reader, me decidi por essa massa de torta que vi no Chucrute com Salsicha. A sopa seria de abóbora. Lavei e coloquei para cozinhar cerca de 600g de cubos de abóbora japonesa descascada junto com uma colher de sal e um fio de azeite. Como a pressa era grande, coloquei na pressão por uns 15 minutos. Depois de fria a panela, abri e amassei a abóbora com um amassador. Eu ia bater com o mixer, mas resolvi deixar assim. Servi com uma colher de creme de leite fresco (e o André ainda colocou queijo ralado por cima). Essa sopa deve ter sido mais um toque da vida me dizendo: Keep it simple! Porque ficou tão boa, mas tão boa, que até o André (nada chegado em sopa) repetiu. Ficou boa mesmo, e eu nem sei dizer o porquê.

Enquanto a abóbora cozinhava, fiz a massa da torta. Segui as orientações da Fer, com uma ou outra adaptação. Aqui você vê a dela.

Torta incrível de sardinha

Bati no liquidificador:

  • 3 ovos
  • 1 xícara {chá} de leite
  • 1/4 xícara {chá} de azeite
  • 1/4 xícara {chá} de óleo
  • 1 colher de chá de tempero do do Sítio Jatobá - a indicação da autora da receita era usar caldo de cubinho. A Fer trocou por alho assado e sal; eu por esse temperinho orgânico, uma mistura de alho, cebola, salsa, manjericão e sal - sem glutamato nem coisas do tipo
  • um tanto de queijo parmesão ralado na hora

Numa tigela misturei 2 xícaras {chá} de farinha de trigo com 1 colher {sopa} de fermento em pó e um pouco de orégano, manjericão e coentro - todos desidratados, era o que eu tinha (usei em substituição à salsa indicada na receita).

Adicionei a mistura do liquidificador e mexi bem. Meio que empelota um pouco, mas depois se resolve. Fica uma massa grossa, diferente da que eu estou acostuma a fazer.

Fui ao recheio: amassei uma lata de sardinhas conservadas em molho de tomate, coloquei numa panela com azeite e refoguei. Juntei molho de tomate, milho e ervilhas congelados (fui meio sem noção e joguei direto na panela - deu certo, mas não aconselho) e deixei apurar um pouco.

Untei um refratário (quadrado) com spray de azeite, despejei metade da massa, coloquei colheradas do recheio e por cima o resto da massa. Ralei mais queijo ralado por cima de tudo e coloquei no forno alto pré-aquecido por 30 minutos.

Torta incrível de sardinha

Em uma palavra: incrível. A massa tem uma textura muito boa e é muito saborosa. O recheio feito às pressas não decepcionou.

Torta incrível de sardinha

Duas mangas

Creme de manga

Duas mangas amadureciam na fruteira. Comecei a temer pela sobrevivência delas e resolvi fazer um creme. Bati no liquidificador com um tantinho de creme de leite fresco. Coisa boa.

Reciclando: quando a mistura vira molho

Orechietti com ervilha-torta

Segundona braba, resolvi o almoço rapidinho cortando um bifão de alcatra em cubinhos e colocando-os para refogar em azeite e alho numa panela. Temperei com sal e pimenta-do-reino moída na hora (eu repito sempre esse blablabla de moído na hora porque acho que realmente faz diferença). Adicionei um vidro de passata de tomate, uma colherzinha de açúcar para acertar a acidez, e muitas ervinhas secas (folhas de manjericão desidratadas por mim, orégano e alecrim). Deixei apurar e acrescentei um tanto de ervilhas-tortas, já lavadas e cortadas em três. Acertei os temperos e servi com arroz e uma farofinha.

Sobrou um potinho dessa carne e no jantar resolvi transformá-lo em molho de macarrão. Assim fiz. Cozinhei a massa (orechiette, aqueci o molho e juntei os dois. Em alguns minutos tinha uma refeição saudável e saborosa. Não é difícil evitar o desperdício. Basta um pouco de vontade e bom-senso.